Frutas e hortaliças enfrentam risco duplo: chuvas intensas seguidas por temperaturas de até 40°C até esta terça-feira (29). A sequência ameaça a quantidade e a qualidade dos produtos que chegam às mesas dos brasileiros.
O fenômeno preocupa produtores do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, onde o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) decretou alerta vermelho para onda de calor. Algumas localidades já ultrapassaram 40°C na quinta-feira (24), e o aquecimento deve se intensificar até terça-feira.
A rápida alternância entre chuva intensa e calor severo cria condições críticas para cultivos de ciclo curto, que abastecem as feiras com produtos frescos.
Como o calor extremo danifica alface e tomate
O calor acelera o florescimento da alface e compromete as variedades com baixa tolerância térmica. Por consequência, esse processo reduz o aproveitamento comercial das folhas e entrega ao consumidor um produto de menor qualidade.
Já o tomate, temperaturas acima de 40°C afetam a produção de pólen, etapa essencial para a formação dos frutos. Sem essa fase, a colheita cai, e os tomates que conseguem se desenvolver apresentam defeitos ou tamanho inferior ao esperado.
Impacto na cadeia de alimentos frescos
O Sudeste e o Sul concentram a produção de hortaliças e frutas do país. Por isso, problemas climáticos nessas regiões afetam toda a cadeia de abastecimento. Chuvas excessivas nas últimas semanas já prejudicaram o setor hortifruti, enquanto o calor ameaça ampliar as perdas.
A redução da quantidade colhida ocorre ao mesmo tempo que a perda de qualidade dos produtos. A cana-de-açúcar foi prejudicada pelo excesso de chuvas até setembro, o que interrompeu a moagem nas usinas. No fim da colheita, o café enfrentou granizo no Sul de Minas Gerais, uma das principais regiões produtoras de arábica.
O milho no Sul também sofreu prejuízos com o excesso de umidade, e a soja da safra 2026/27 corre risco de enfrentar problemas.
El Niño intensifica o padrão de oscilações extremas
Segundo um especialista em clima, o El Niño, já ativo no mundo, se aproxima do pico de força esperado em novembro e acelera a chegada de chuvas ao Sul, ao Sudeste e ao Centro-Oeste. Essa dinâmica cria ciclos de instabilidade que afetam desde a semeadura até a colheita de produtos perecíveis e pressionam a cadeia do agro.
O auge dessa intensidade climática é esperado para novembro, quando os problemas tendem a se agravar. A instabilidade pressiona várias culturas ao mesmo tempo: a cana-de-açúcar e o café. Já sentem as consequências do excesso de umidade, o milho no Sul segue prejudicado e a soja que será plantada corre risco.
O custo dessa instabilidade frequentemente recai sobre o consumidor final, que enfrenta redução de oferta e aumento de preços nos alimentos perecíveis.













