Uma massa de ar excepcionalmente quente, originária do El Niño, atingirá o Brasil no fim de setembro e trará a primeira onda de calor extremo da estação. A MetSul Meteorologia alerta que várias regiões terão temperaturas acima de 40°C. Algumas áreas ainda podem registrar até 45°C ou mais, o que oferece risco à saúde e à vida.
No fim de semana, o fenômeno começará a se instalar no Nordeste da Argentina, no Paraguai e no Centro-Oeste do Brasil, com marcas de até 45°C previstas para os territórios argentino e paraguaio.
Depois, a bolha de calor avançará para o Leste e atingirá o Centro-Oeste e o Sudeste do Brasil no começo da semana, com temperaturas extremas em muitas cidades.
Estados mais afetados pelo calor intenso
São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Piauí terão temperaturas acima de 40°C nos próximos dias. No Sul do Maranhão e no Sul do Pará, os termômetros devem ficar perto de 40°C.
A intensidade será maior no interior de São Paulo, no Triângulo Mineiro, em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins. Nessas áreas, várias cidades registrarão temperaturas acima de 40°C. No Oeste e no Norte do estado paulista, os termômetros podem marcar de 40°C a 43°C no domingo, na segunda e na terça-feira.
Em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Tocantins, a previsão indica temperaturas de 41°C a 44°C. Em alguns locais, os termômetros podem chegar a 45°C ou mais.
Grandes centros em alerta
Na capital paulista, a temperatura deve ficar entre 32°C e 34°C na segunda-feira e entre 33°C e 35°C na terça-feira. O efeito da ilha de calor urbana — fenômeno que torna áreas densamente construídas mais quentes do que o entorno — pode elevar esses valores em alguns bairros.
No Rio de Janeiro, os dias mais críticos serão terça e quarta-feira, e na quarta, os termômetros devem superar 35°C.
Por que esta massa de ar é tão excepcional
O Centro Meteorológico Europeu (ECMWF) detectou temperaturas de 31°C no nível de 850 hPa, a cerca de 1.500 metros de altitude. Essa medição é importante porque, nessa altura, a temperatura não sofre aquecimento direto da superfície e reflete melhor as características da própria coluna de ar em movimento.
Valores de 30°C nesse nível são raros, e em situações de calor comum, as temperaturas em 850 hPa costumam variar entre 20°C e 25°C nessa altitude.
Temperaturas de 30°C ou mais nesse nível indicam uma coluna de ar extremamente quente. Neste caso, elas ficam 10°C ou mais acima da média para o período. Modelos de previsão do tempo chegam a indicar desvios dessa magnitude no começo da semana em pontos do Sudeste, especialmente no interior de São Paulo.
Calor extremo é típico desta época do ano
De junho a setembro, o Centro do Brasil enfrenta a estação seca, período que concentra os piores dias de calor do ano. O fenômeno afeta o Centro-Oeste e o Sudeste, criando extremos de temperatura que não costumam ocorrer no verão, quando a chuva é quase diária.
Além disso, o Brasil pode enfrentar pelo menos seis ondas de calor até dezembro, segundo análise do Cemaden. A previsão amplia a preocupação com as safras agrícolas e a saúde pública nos próximos meses.













