As fortes chuvas que atrasaram a colheita de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil levaram o açúcar à maior cotação em 19 meses na Bolsa de Nova York, em pregão realizado na última segunda-feira (05). Com entrega prevista para março, o contrato teve alta de 4,01% no dia e terminou a sessão valendo 20,73 centavos de dólar a libra-peso.
Com as usinas sem conseguir moer normalmente, a oferta da commodity no mercado mundial diminui, ao mesmo tempo em que o real mais valorizado torna menos atrativas as vendas externas feitas pelos produtores brasileiros. Juntos, esses fatores levam especuladores e fundos, que buscam proteção contra os riscos climáticos, a comprar mais contratos futuros.
Pressão nas chuvas na região produtora
A safra na região Centro-Sul, maior polo de produção de cana-de-açúcar do país, vem sendo prejudicada pelo volume constante de chuvas. Segundo análise do Barchart, o excesso de chuva impediu o ritmo normal de trabalho nos canaviais. Forçou usinas a interromper a moagem e atrasou o calendário de produção em uma fase crítica da colheita.
A combinação entre oferta reduzida e demanda internacional mantém os preços em forte alta pela segunda sessão consecutiva. Fundos de investimento em commodities aumentaram as posições compradas, consolidando a tendência de valorização que levou o açúcar aos níveis mais altos em 19 meses.
Outras commodities também sobem com volatilidade Climática
Algodão avançou 2,51% e fechou em 80,86 centavos de dólar a libra-peso para entrega em dezembro, sustentado pela queda nos preços do petróleo. Levantamento do órgão regulador norte-americano que fiscaliza o mercado de futuros de commodities mostrou que os especuladores cortaram 7.017 contratos de sua posição comprada na semana encerrada em 29 de setembro, restando um total de 74.593 contratos.
Café registrou ganho de 1,32% e fechou em US$ 2,92 por libra-peso, com a arábica atingindo o maior preço em 3,5 semanas. A valorização do real levou fundos a aumentar em 2.658 contratos as posições vendidas em café robusta, para 3.959 posições líquidas vendidas, o maior volume em 13 meses.
Cacau avançou 3,47% e fechou em US$ 5.867 por tonelada, na segunda sessão consecutiva de alta e na maior cotação das últimas duas semanas. Chuvas excessivas na Costa do Marfim, um dos maiores produtores mundiais, bloquearam estradas e danificaram pontes, atrasando entregas aos portos e alimentando temores de oferta restrita.
Suco de laranja para novembro finalizou com valorização de 6,77% e fechou negociado em US$ 1,44 por libra-peso.
El Niño mantém mercados em alerta
O fenômeno climático El Niño, que deve se manter como um dos mais intensos em mais de 75 anos, continua impactando a volatilidade dos preços. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos acompanha a evolução do evento no Pacífico equatorial e alerta que o fenômeno pode trazer condições mais quentes.
Além disso, pode provocar seca na África Ocidental, o que tende a ressecar o solo, prejudicar os cacaueiros e reduzir a produtividade das plantações na região.













