A chegada de soldados estadunidenses a Queensland, na Austrália, durante a Segunda Guerra Mundial provocou mudanças drásticas no local. Isso porque a busca dos soldados por alface, salsão e outros vegetais virou o ponto de partida para um negócio que vigora até hoje.
Ray Taylor, agricultor de quarta geração, herdou o negócio que começou com aquele pedido simples de alimentos para os navios ancorados em Brisbane. Ele sempre foi motivado por produzir alimentos de boa qualidade para outras famílias desfrutarem.
Como resultado, ele venceu o prêmio Farmer of the Year por excelência em tecnologia, reconhecimento que reflete décadas de inovação na região de Granite Belt. Mas para ele, o verdadeiro prêmio é ter transmitido o conhecimento para a próxima geração da família — hoje tão envolvida quanto ele no crescimento do negócio.
De pequenos pedidos a dez carretas por dia
O bisavó dele comprou o terreno próximo à Mitchelton State School, fora de Brisbane, após a Primeira Guerra Mundial. O senhor começou cultivando abacaxi e mamão, depois passou para vegetais folhosos durante os anos de Guerra, quando os Soldados americanos passaram a encomendar regularmente.
O pai de Taylor deixou a escola aos 14 anos quando o avó ficou doente, e aos 18 já havia economizado dinheiro para comprar mais terras. Ray e seu pai diversificaram a operação para a região de Stanthorpe, onde conseguiam plantar culturas de verão.
Começaram com apenas um ou dois caminhões por semana de entrega, e agora enviam de oito a dez carretas diárias para seus clientes.
Negócio familiar com força própria
A esposa Connie descreve a operação como um verdadeiro empreendimento familiar onde trabalham seu pai William, seu tio Keith, Ray, seus irmãos Jeff e Wayne, e os filhos John, Ryan, Luke e Sam. O sucesso vem do conhecimento mútuo — cada membro sabe suas forças e responsabilidades dentro da propriedade.
Quando as tensões surgem, a família desenvolveu seu próprio método de alívio: terapia de trator. Conforme Connie explica, quando qualquer um fica irritado com os demais, sai para andar no trator por um tempo e volta com o astral renovado.
A próxima geração é ainda mais dedicada: ele menciona que os jovens estão sempre pesquisando novas técnicas e compartilhando descobertas nas redes sociais.
Inovação e desafios climáticos
Nos meados dos seus 50 anos, Ray busca trabalhar mais perto dos jovens para trazer tecnologia e eficiência para o negócio — melhor uso de mão de obra, novas práticas de marketing e, acima de tudo, sistemas inteligentes de gestão. Computadores controlam agora a irrigação onde antes tudo era manual.
O sistema automatizado também monitora o solo e controla quanto de água é aplicado, evitando desperdícios. Essas práticas economizaram entre 15% e 20% de água nos últimos anos. Junto a isso, Ray também testou um programa piloto com coberturas de barragem para reduzir a evaporação.
Ainda assim, o maior desafio permanece sendo o clima. Durante a seca, quando a barragem de Stanthorpe secou completamente, a região enfrentou crises de abastecimento de água que afetaram toda a operação. A pandemia de COVID também trouxe dificuldades, principalmente na retenção de funcionários, que continuam impactando negócios agrícolas em toda a região.













