A estadunidense Kristyn Leach transformou sua busca por uma conexão com suas origens em um projeto de agricultura na Califórnia, nos Estados Unidos. A pequena produtora rural transformou sua propriedade de dois acres em uma referência nacional no cultivo de verduras e ervas típicas da Coreia e do leste asiático.
A procura por suas sementes de variedades tradicionais pouco comuns nos Estados Unidos cresceu 10 vezes em 2021, segundo a Kitazawa Seed Company, que comercializa o material. A empresa afirma que as sementes são vendidas em um ritmo acelerado e se esgotam em poucos dias sempre que um novo lote chega.
Da adoção à terra da avó
Nascida em Daegu, na Coreia do Sul, Leach foi adotada ainda criança por uma família católica de origem irlandesa da classe trabalhadora de Nova York. Desde cedo ela se aproximou do jardim extenso da avó e passou a trabalhar em hortas comunitárias do bairro.
Essa relação com a terra seguiu até a vida adulta, quando ela decidiu se mudar e passou a circular por fazendas de diferentes pontos da costa oeste americana. Ela conheceu o produtor Dennis Dierks, da Paradise Valley Produce, durante uma entrevista para uma vaga em Bolinas.
Uma técnica com raízes compartilhadas
Os dois se aproximaram pelo interesse comum na agricultura natural coreana, método sustentável que usa microrganismos nativos do solo para enriquecer a terra sem recorrer a herbicidas ou pesticidas. Dierks havia aprendido a prática com um professor filipino, enquanto Leach já conhecia o tema por meio do estudo de sua própria herança cultural.
Trabalhar ao lado de Dierks, segundo ela, foi um passo decisivo rumo à construção do próprio negócio rural. Desde 2012, a propriedade batizada Choi and Daughters funciona como ponto de encontro entre tradição agrícola coreana e a cena gastronômica do norte da Califórnia.
Hoje, Leach é reconhecida como uma das novas referências na preservação da herança de 150 anos dos agricultores asiático-americanos do norte da Califórnia. Ela mantém viva uma tradição que atravessou oceanos — da horta da avó em Nova York aos canteiros que hoje abastecem cozinhas na Califórnia.
Como os microrganismos nativos enriquecem o solo sem químicos
Na agricultura natural coreana, os microrganismos nativos (IMOs) — bactérias e fungos que vivem naturalmente no solo — decompõem a matéria orgânica e a tornam disponível às plantas. Ao evitar o revolvimento do solo, preserva-se a rede de microrganismos e raízes das plantas. Sem essa rede intacta, o solo perde sua capacidade natural de reter nutrientes e água.
O processo funciona em camadas: a cobertura morta protege esses organismos do sol direto e da chuva pesada, enquanto o composto feito de resíduos da fazenda alimenta os microrganismos, que enriquecem o solo com nutrientes. Dessa forma, a terra permanece fértil sem qualquer uso de herbicidas ou pesticidas químicos — tudo funciona como um ecossistema fechado onde nada é desperdiçado.













