Um produtor de café do interior de São Paulo passou a usar grãos encontrados na entrada de formigueiros para produzir uma bebida diferente. João Neto notou os grãos espalhados perto dos ninhos das colônias, na Fazenda Santo Antônio, e resolveu investigar de onde vinham.
Ele havia abandonado o uso de agrotóxicos em sua propriedade, uma das principais áreas produtoras de café do estado. Com o fim do uso de agrotóxicos, aves, pacas e abelhas voltaram a circular pela plantação, junto com besouros, grilos e as formigas que despertaram sua curiosidade.
O papel das formigas na colheita
Ao caminhar pela lavoura, o produtor percebeu que as formigas subiam nos pés de café, derrubavam os frutos e os levavam para dentro dos formigueiros. O café nasce de um fruto, e o grão é a semente guardada dentro dele.
Neto concluiu que as colônias usam a polpa da fruta como alimento para as larvas. Depois de retirar essa parte, elas descartam o grão fora do ninho, deixando-o exposto e pronto para ser recolhido por quem passa perto dali.
Um cultivo sem medo dos bichos
Em vez de tratar os animais como pragas, Neto optou por um caminho distinto: não combater nenhum deles com veneno. Conforme informou ao Atlas Obscura, a natureza está no comando e, se as plantas precisam conviver com esses animais, vão aprender a resistir sozinhas.
Para ele, o retorno desses animais representa um reequilíbrio natural que o monocultivo de café havia apagado da Fazenda ao longo dos anos. O achado dos grãos processados pelas formigas se tornou, assim, mais uma prova de que abrir espaço para a diversidade animal trouxe benefícios inesperados à colheita.













