O roubo de gado custa aos produtores australianos aproximadamente 70 milhões de dólares (R$ 359,4 milhões) por ano. Agora, uma tecnologia de rastreamento por satélite promete mudar esse cenário. Um brinco do tamanho de um cartão de visita, de 30 gramas, monitora os movimentos e comportamentos dos animais e alerta o criador pelo celular quando detecta atividades anormais.
Belinda Steers, produtora de gado em Vitória, sentiu o impacto do roubo de rebanho quando saiu de férias. Durante a viagem, recebeu uma ligação avisando que seu gado havia desaparecido. As cercas tinham sido cortadas, embora tivessem sido verificadas 24 horas antes.
Steers afirma que os criminosos agem principalmente quando os proprietários estão longe e que essas operações são altamente organizadas.
Como funciona a tecnologia
O dispositivo, desenvolvido e fabricado pela empresa Ceres em Brisbane, é equipado com um localizador geográfico que envia dois tipos de alertas. Quando o brinco detecta comportamento anormal — como ovelhas correndo durante a noite — dispara uma notificação. Se identifica que os animais saíram do pasto, envia um segundo alerta, sinal clássico de atividade criminosa em andamento.
A Polícia de Nova Gales do Sul, na Austrália, realizou um teste que simulou um roubo com tags equipadas com GPS. Segundo o Detective Sergeant Damian Nott, membro da Rural Crime Prevention Team. Foi o primeiro cenário de roubo simulado desse tipo no mundo, conduzido em parceria com a University of New England e a indústria.
A tecnologia pode ampliar a capacidade de detectar roubos no setor rural.
Desafios na prevenção e a resposta da tecnologia
Pesquisa recente indica que 60% do roubo de gado e de outros crimes rurais não são denunciados à polícia — um obstáculo grave para o trabalho de prevenção.
A equipe rural de prevenção do crime tem 63 membros espalhados pelo estado, todos com conhecimento especializado. Os integrantes costumam rastrear atividades criminosas a cavalo e carregam armas para fazer frente aos infratores.
Os criminosos levam vantagem, sobretudo em propriedades isoladas, onde não há testemunhas. Também existe um atraso entre o crime e sua descoberta: muitos produtores não percebem de imediato quando faltam alguns animais no rebanho.
Em janeiro, Kevin Butler, de Kilmore, em Vitória, desconfiou imediatamente de roubo ao separar as ovelhas. Os ladrões haviam colocado carpete sobre uma cerca em um pasto próximo a uma estrada raramente usada e conseguiram levar 381 animais em um transporte.
Nenhuma ovelha foi recuperada, e ninguém foi preso, e o rebanho tinha valor estimado de 50 mil dólares, e butler chorou durante três dias após descobrir o roubo.
Kevin Butler agora tem ovelhas equipadas com rastreadores de satélite em todos os seus rebanhos, o que lhe oferece tranquilidade. Belinda Steers também instalou os rastreadores em seus animais, além de câmeras de vigilância na fazenda, que ela monitora em tempo real pelo celular.
Steers alertou que os criminosos são armados e que nunca se deve confrontá-los: é preciso chamar a polícia imediatamente. Ela relatou casos em que alpacas de guarda foram baleadas por ladrões de ovelhas durante roubos.
A polícia está reunindo, analisando e compartilhando dados cruciais entre jurisdições — desde movimentos de animais até registros financeiros — para determinar padrões de crime. Conforme informou ao ABC, o Detective Sergeant Nott encorajou todos os produtores rurais a avaliar sua vulnerabilidade ao crime e tomar medidas preventivas, observando que agora os criminosos olham para trás — e precisam repensar se vale a pena roubar ou tentar outro tipo de negócio.













