Criar porcos de raça rara não exige conhecimento extraordinário — essa é a conclusão de Richard Jones após três anos apostando nos Wessex Saddleback em uma fazenda de criação aberta. Junto da esposa Sylvia, ele migrou de porcos brancos convencionais para esta raça porque os animais se mostravam mais dóceis e fáceis de manejar no dia a dia.
O bom temperamento facilitou toda a adaptação. Por serem excelentes forrageadores, os saddlebacks se adaptam melhor a currais abertos do que a sistemas fechados de criação intensiva. Essa capacidade traz um benefício econômico direto: como buscam boa parte do alimento no pasto, a demanda por ração cai significativamente.
Crescimento lento compensa em economia de ração
O desenvolvimento mais lento em comparação com porcos comerciais é o traço mais conhecido da raça — e geralmente afasta produtores. Richard reconhece essa característica, mas destaca a vantagem que vem junto: o investimento em alimento acaba menor porque os saddlebacks buscam boa parte do sustento nas pastagens.
Cada porco desenvolve personalidade própria, o que torna a rotina mais próxima do que se vê com outros animais de estimação.
Sylvia reconheceu que é fácil se apegar aos leitões pequenos porque cada um desenvolve sua própria personalidade. Por isso, o casal recomenda não dar nomes aos filhotes para evitar apego emocional demais no futuro — o que se torna essencial para quem pretende trabalhar com a raça.
Raça enfrenta risco global de desaparecimento
O Wessex Saddleback tem origem na região de New Forest, no sul da Inglaterra, onde foi desenvolvido por séculos em pastagens naturais de áreas florestais. Esse ritmo lento de crescimento, incompatível com sistemas intensivos de produção, levou a raça à extinção em seu território original.
Alguns exemplares de linhagem pura chegaram à Austrália na década de 1930, mas a população se manteve reduzida ao longo das décadas. Hoje restam apenas 150 porcas de raça pura registradas na Austrália — número que reforça o status de espécie ameaçada reconhecido pela Rare Breeds Trust of Australia.
A situação reflete um cenário mais amplo: em 2022, as 11 raças nativas britânicas de suínos passaram a ser consideradas em risco de extinção, incluindo o Large White — antes uma das mais populares do país, cuja população caiu de mais de 900 exemplares no ano 2000 para apenas 125 atualmente, segundo a Rare Breeds Survival Trust.
Padrão de raça exige critérios rigorosos
Para integrar o registro genealógico oficial, um porco da raça precisa atender a exigências específicas: ter ao menos 12 tetas saudáveis e nascer de pais já registrados. A regra também exclui animais com defeitos congênitos, garantindo que só exemplares saudáveis mantenham a linhagem ao longo do tempo.
Richard e Sylvia acreditam que o Wessex Saddleback tende a ganhar espaço entre criadores australianos à medida que mais produtores entendam sua adaptação ao clima local — a resistência ao calor, somada à facilidade de manejo, é justamente o que torna a raça uma alternativa viável para quem busca criação a céu aberto.













