Jamie Ah Gee, chef do norte tropical de Queensland, na Austrália, começou a cultivar wasabi em sua propriedade em Kuranda, a oeste de Cairns, depois de se cansar da dificuldade de encontrar o tempero fresco de qualidade no país. Ele e a esposa, Annie, agora têm 80 plantas crescendo em uma estufa protegida por sombra.
O resultado é significativo porque a wasábia japônica é famosa pela dificuldade de cultivo, mesmo em seu clima preferido: o de neblina fresca do Japão.
A raridade do wasabi explica seu preço elevado: a planta chega a custar até 400 dólares australianos por quilograma. Na verdade, a maioria dos amantes de sushi provavelmente nunca provou wasabi de verdade, consumindo em vez disso uma imitação feita de raiz-forte e corante alimentar verde. Essa dificuldade levou Ah Gee a aceitar o desafio que muitos diziam ser impossível.
Um método guardado a sete chaves
A única outra plantação comercial de wasabi na Austrália fica na Tasmânia. A operação foi adquirida em 2016 por quase 3 milhões de dólares (R$ 14,9 milhões na cotação atual).
Enquanto a operação tasmaniana usa hidroponia, a plantação de Kuranda funciona em solo convencional. Ah Gee preferiu não entrar em muitos detalhes sobre a abordagem diferente que utiliza.
A planta ainda não passou pela estação chuvosa, mas Ah Gee está otimista quanto ao desempenho. O wasabi precisa de água e cresce naturalmente às margens de rios e córregos, onde fica submerso o tempo todo. Essa característica sugere que a planta se adaptará bem ao clima úmido do norte tropical de Queensland.
Colheita e projeções comerciais
O cultivo leva 18 meses a dois anos para atingir a maturidade, quando um ralador fino é usado para fazer pasta de wasabi a partir dos caules. Enquanto isso, as plantas permitem o uso das folhas e dos talos foliares em saladas, curries e acompanhamentos em conserva.
Ah Gee espera receber pedidos de restaurantes locais de alta categoria assim que a produção estiver pronta para o mercado.
O wasabi fresco custa entre 250 e 400 dólares australianos por quilo no caule, enquanto as folhas podem ser vendidas por dois a três dólares cada. Vale destacar que o wasabi fresco tem gosto muito diferente das imitações: é mais frutado, mantém o toque de raiz-forte, mas apresenta um perfil de sabor distinto.
Ah Gee também não descarta vender wasabi para o Japão, que fica a apenas oito horas de voo de Cairns. A oferta de wasabi no Japão é limitada e o produto também é muito caro lá, onde a oferta não chega a atender nem 30% da demanda.
Por enquanto, porém, Ah Gee quer atender à própria demanda, mas não descarta outras possibilidades no futuro.













