Quem espera provar abacaxis roxos cultivados na Austrália pode ter de aguardar cerca de 10 anos para encontrá-los nas prateleiras dos supermercados. A fazenda Piñata Farms, no sudeste de Queensland, iniciou um projeto experimental com abacaxis roxos brasileiros, e a colheita inicial provocou reações entusiastas dos consumidores.
A família Scurr, proprietária da operação, iniciou o projeto com apenas 12 abacaxis roxos — seis de cada variedade brasileira — e ampliou a plantação para 2 mil unidades. Uma das variedades, ainda sem nome oficial, se destacou pela polpa branca, brilhante e com baixa acidez, além do sabor doce.
De raridade real a possível futuro comum
Originários da América do Sul, os abacaxis impressionaram a realeza europeia depois de Cristóvão Colombo encontrá-los no Caribe, em 1493. A fruta tropical, rara e difícil de transportar em climas mais frios, transformou-se em símbolo de status entre nobres que chegavam a alugar exemplares para exibir em jantares requintados.
O fruto foi tão valorizado que cerca de 500 caixas foram enviadas como presente de casamento à Rainha Elizabeth II.
Em Queensland, os abacaxis são cultivados há mais de 180 anos, e a fruta começou a ser enlatada em Brisbane em 1947. Os dados sobre a produção de abacaxis em Queensland, as toneladas produzidas e os valores em dólares não estão na fonte fornecida. Por isso, essas informações não podem ser verificadas ou corrigidas com base no material disponível.
Ao contrário da maioria dos países, a Austrália não importa abacaxis frescos — toda a produção é local.

O caminho longo até a comercialização
Os abacaxis são bromélias comestíveis e levam até dois anos para ficarem prontos para a colheita depois que o fruto se forma, pela fusão de flores fertilizadas. Novas plantas são cultivadas a partir das coroas dos abacaxis ou dos pequenos brotos que crescem na base de plantas maduras.
Segundo Gavin Scurr, cada geração de plantas leva dois anos para se desenvolver e deve produzir frutos de tamanho adequado e resistir a eventos climáticos extremos.
Sam Pike, vice-presidente da Australian Pineapples, aprimora há 15 anos a variedade de abacaxis “73-50”, a mais cultivada na Austrália, por meio da seleção natural dos melhores exemplares. Pike elogiou o projeto experimental dos Scurrs por oferecer aos consumidores mais opções.
Com os custos de produção em alta, Pike afirmou que os produtores buscavam oferecer frutas de qualidade por um preço razoável.
Como a Piñata Farms está construindo as plantações roxas, passo a passo
- Começar com um número pequeno de plantas-matriz: os Scurrs iniciaram com apenas 12 abacaxis roxos (seis de cada variedade brasileira) trazidos de criadores brasileiros.
- Reproduzir por meio de coroas e brotos: extrair as coroas dos frutos e os pequenos brotos que crescem na base das plantas maduras para gerar novas mudas
- Expandir gradualmente: a cada geração de reprodução, a cada dois anos, aumentar o número de plantas — já chegaram a 2 mil undades
- Testar a resistência: a cada ciclo de dois anos, observar se as plantas desenvolvem frutos de tamanho adequado e resistem aos eventos climáticos
- Repetir por uma década: manter o ciclo de seleção, reprodução e expansão até obter quantidade suficiente para abastecer as prateleiras de supermercados em escala comercial













