Emma Lipscombe deixou Sydney há dois anos com a família e cinco cabeças de Belted Galloways que seriam apenas animais de estimação para embelezar a propriedade. Hoje, na Mogendoura Farm, em Moruya, Nova Gales do Sul, a família produz e vende carne diretamente aos consumidores nos mercados locais.
A criação, que começou como decoração da fazenda, ganhou novas frentes: a família passou a processar couros, vender miúdos e buscar usos para cada animal. A transição de Sydney para a vida rural não foi fácil, mas admitir que tinha muito a aprender ajudou a família nesse processo.
Por que escolher Belted Galloways
Enquanto a maioria dos rebanhos da região é formada por raças Angus e Hereford. Lipscombe se sentiu atraída pela aparência dos Belted Galloways: bovinos pretos com uma faixa branca que atravessa o corpo, semelhantes a um biscoito Oreo. Ela se lembra de ter visto esses animais na infância, perto de Goulburn, e de ter se apaixonado por eles naquele momento.
A raça Belted Galloway foi estabelecida como raça separada em 1921. A origem exata da faixa branca é desconhecida, mas há suspeita de cruzamento com o gado holandês Lakenvelder. Quando a família pesquisou as qualidades da raça, descobriu um mercado pouco explorado.
Segundo Lipscombe, embora os Belted Galloways não sejam considerados uma raça comercial por causa do porte médio. Apresentam características ideais para uma propriedade pequena: são comedores não seletivos, robustos e mansos o suficiente para quem não tem experiência agrícola. A Mogendoura Farm ocupa 220 acres de vegetação variada, com encostas de granito nativo e várzeas.

Da fazenda direto para a mesa do consumidor
A venda direta nos mercados de Moruya aproximou produtores e compradores. Para Lipscombe, o melhor aspecto da experiência é conversar pessoalmente com os clientes sobre como os animais chegam à mesa do consumidor.
Os compradores querem saber cada detalhe do processo, desde quem transporta o gado até a escolha do abatedouro local, a apenas sete minutos de distância. Muitos retornam para contar quais receitas fizeram e pedir dicas de preparo.
Essa relação de confiança e transparência fez da produção mais que uma transação comercial: os clientes passaram a definir o que é vendido. Em uma experiência compartilhada entre quem produz e quem consome.
O apoio da comunidade local
Quando chegaram à região, os Lipscombe temiam ser vistos como “gringos de Sydney que sabiam de tudo”. Em vez disso, deixaram clara a própria inexperiência e pediram ajuda, estratégia que facilitou a adaptação. A comunidade local respondeu com generosidade, oferecendo conhecimento sobre práticas agrícolas, manejo de pastos e fertilidade do solo.
Essa disposição para aprender tornou o processo menos árduo e mostrou que, mesmo sem experiência agrícola, quem chega disposto a ouvir encontra apoio. Lipscombe se sente satisfeita quando os clientes retornam e elogiam o produto. Ela também valoriza as conversas com outros produtores sobre métodos agrícolas e manejo de pastagens.
A história genética da faixa branca característica
A origem exata da faixa branca que atravessa o corpo dos Belted Galloways permanece um mistério. Registros históricos, porém, sugerem um cruzamento com o gado holandês Lakenvelder no século XVII. A variação de cor presente no gado tradicional de Galloway, na Escócia, levou criadores a estabelecer uma raça separada em 1921.
O reconhecimento oficial transformou a variação de cor em um padrão controlado, com regras rigorosas sobre onde a marcação branca pode aparecer no corpo do animal.
Quanto tempo leva para um Belted Galloway estar pronto para o abate?
Animais alimentados apenas com forragem, sem suplementação de ração, podem levar até quatro anos para atingir o ponto de abate. Esse sistema de criação mais lento em pastagem, porém, resulta em carne com níveis mais altos de ácidos graxos ômega-3 polinsaturados, em comparação com a de animais criados com alimentação convencional acelerada.













