Pescadores comerciais e donos de peixarias de Nova Gales do Sul, na Austrália, alertam que o preço dos filés de pargo (snapper), e de olhete (yellowtail kingfish) pode disparar caso o governo estadual aprove cortes drásticos nas cotas de captura.
A proposta reduz o limite anual do olhete de 250 para 120 toneladas, enquanto a cota do pargo permanece em 300 toneladas, mas passa a ter restrições mensais e limite de três peixes por pessoa na pesca recreativa. A ministra da Agricultura de Nova Gales do Sul, Tara Moriarty, descreveu os estoques de olhete como perigosamente baixos em comunicado recente.
O governo estendeu o prazo de consulta pública sobre as mudanças até 15 de fevereiro, período em que comerciantes e pescadores tentam reverter parte das novas regras.
Alta nos preços
Adam Hambley, que tem uma peixaria em South Grafton, no norte do estado, calcula que um aumento de 5 dólares australianos no peixe inteiro pode se traduzir em 20 dólares a mais no filé. Segundo ele, isso faria o quilo do filé de pargo ficar entre 80 e 90 dólares australianos, preço que os clientes locais não pagariam.
Hambley teme que a menor oferta faça o produto desaparecer das peixarias da região. Um filé a 90 dólares australianos equivale a aproximadamente R$ 313 no câmbio atual, preço considerado inviável para o consumo regular no varejo.
Pescador vê desperdício nas novas regras
O pescador comercial Noel Gogerly, que atua em Tuncurry, no litoral centro-norte do estado, costuma capturar até 40 quilos de pargo num dia normal de trabalho. Pelas regras propostas, ele só poderia manter 10 quilos por dia, o que, segundo seus cálculos, representaria uma perda de até 300 dólares australianos diários.
Gogerly afirma que os peixes devolvidos ao mar dificilmente sobrevivem. Segundo ele, a mudança brusca de pressão ao retirá-los de águas profundas causa danos internos. Os animais acabam boiando mortos na superfície, viram alimento de tubarões e representam desperdício de um produto que poderia ser aproveitado.

Impacto no turismo e no comércio de pesca
As mudanças também preocupam operadores de passeios de pesca e pescadores recreativos. Na pesca recreativa, o limite de olhete cairia de cinco peixes por pessoa para um por barco. Para o pargo, a cota recreativa se reduziria a três peixes, dos quais apenas um poderia ter mais de 70 centímetros.
Craig McGill, que opera passeios de pesca fretada, avalia que a alteração pode encerrar suas atividades. Ele explica que leva grupos de quatro pessoas a bordo e teria de avisá-las de que precisariam dividir um único peixe entre todos, mesmo pagando um valor alto pela experiência.
Michael Mashado, dono de uma loja de artigos de pesca em Eden, no litoral sul do estado, estima perdas de até 200 mil dólares australianos em vendas anuais com a nova regra. Segundo ele, ninguém vai comprar equipamento para pescar apenas um olhete ou três pargos, considerando os custos com combustível e deslocamento.
Mashado destaca que a pesca é um dos setores mais importantes do turismo na costa sul do estado. Famílias que chegam com barcos grandes costumam gastar em lojas de pesca, bares e supermercados da região, movimentando o comércio local.
Governo defende recuperação dos estoques
O Departamento de Indústrias Primárias e Desenvolvimento Regional (DPIRD) defende que a proposta busca recuperar estoques historicamente esgotados, mantendo parte da captura comercial e recreativa. Heath Folpp, diretor de gestão de pesca do DPIRD, informou que pescadores recreativos e comerciais retiram aproximadamente 50% cada um da captura das duas espécies.
Por isso, o órgão tenta fazer os ajustes de forma equilibrada, para que os dois setores sintam igualmente o impacto das mudanças. Até 15 de fevereiro, comerciantes, pescadores e operadores de turismo pretendem apresentar suas objeções ao governo estadual durante a consulta pública sobre as novas regras.













