Na Tasmânia, um novo esquema de irrigação, chamado Esquema de Irrigação das Terras Altas do Norte, começou a operar nesta primavera, com água desviada dos grandes reservatórios. Após quase uma década de espera, agricultores da região já recebem água para suas fazendas.
A rede subterrânea de 150 quilômetros abastece a região com 25 bilhões de litros de água por ano e permite o cultivo de culturas de alto valor, como papoulas, batatas e ervilhas para processamento. O esquema custou 217 milhões de dólares australianos e foi financiado pelos governos federal e estadual, com a participação de cerca de 50 agricultores locais.
A demanda foi forte desde o início, e quase toda a água disponível já foi comercializada. A Tasmanian Irrigation, responsável pelo desenvolvimento do esquema, estima que ele apoiará cerca de 54 milhões de dólares australianos por ano em atividade econômica na região — o equivalente a 108 milhões de dólares australianos nos dois primeiros anos de operação.
Alívio para a seca extrema
Richard Burbury, agricultor da região entre Campbell Town e Ross, descreve a chegada do esquema como “muito oportuna”. Segundo informou ao ABC, este ano é excepcionalmente seco e, sem o sistema de irrigação, toda a região entraria em colapso.
Sua família planeja irrigar mais 500 hectares com a água do esquema. Antes, isso seria impossível sem perdas provocadas pela venda prematura de cordeiros e pela incapacidade de plantar.
Na mesma região, Pat e Mady Taylor preparam o plantio de batatas destinadas à produção de batatas fritas. No próximo ano, pretendem acrescentar 120 hectares irrigados por pivô central.
Segundo Pat Taylor, o esquema permite que a fazenda tenha um plano concreto ano após ano e transforme uma renda incerta em algo mais previsível. Sem a água, não seria possível investir em batatas.
Investimento pesado dos agricultores
O acesso à água tem custo alto. Os agricultores gastaram mais de 34 milhões de dólares australianos na compra de direitos de concessão, e a infraestrutura para levá-la aos campos custa dezenas de milhões de dólares.
No início de setembro, Taylor tinha 14 pessoas trabalhando no desenvolvimento da fazenda, a maioria da região. As entregas de água em julho, agosto e setembro também alcançaram níveis recordes em comparação com anos anteriores. A demanda foi tão forte que seis esquemas de irrigação começaram a operar antes do previsto.
John Freeman, que dirige um negócio de irrigação em Cressy e Campbell Town há mais de 30 anos, disse ao ABC que o novo esquema está gerando mais negócios, com novas conexões das tubulações às propriedades e estações de bombeamento adicionais.
Quanto custa realmente usar essa água para irrigar?
Os agricultores pagam dois tipos de custo. Primeiro, precisam comprar direitos de concessão de água — isso custou mais de 34 milhões de dólares australianos distribuídos entre cerca de 50 agricultores que financiaram o esquema junto aos governos.
Segundo, precisam construir sua própria infraestrutura de irrigação nas fazendas, o que custa dezenas de milhões de dólares adicionais quando somados todos os agricultores. Apesar do investimento pesado, os agricultores consideram que compensa: com a certeza de água, eles conseguem fazer planos viáveis e investir em culturas de maior rentabilidade, transformando uma renda incerta em algo mais previsível.
Como um agricultor começa a usar o novo esquema
- Adquirir direitos de concessão de água junto ao esquema, em um investimento inicial com a Tasmanian Irrigation
- Conectar a propriedade à rede principal de tubulações do esquema, que integra os 150 quilômetros de infraestrutura subterrânea
- Construir a infraestrutura local de irrigação, com bombas de água, reservatórios ou sistemas de pivô central conforme o tamanho da área a ser irrigada
- Planejar as culturas de alto valor que serão plantadas com a segurança de água garantida
- Expandir gradualmente a área irrigada à medida que a infraestrutura local for montada, como fazem os Burbury, com 500 hectares adicionais, e os Taylor, com 120 hectares













