Fenômeno raro fez o mar avançar sobre três municípios, enquanto chuvas intensas provocaram alagamentos, deixaram famílias fora de casa e atingiram áreas produtoras no Sul catarinense
Um tsunami meteorológico em Santa Catarina surpreendeu moradores do Litoral Sul na manhã de segunda-feira (21), quando o nível do mar subiu rapidamente em Jaguaruna, Laguna e Imbituba. O episódio ocorreu em meio a uma sequência de temporais que provocou alagamentos, enxurradas, danos a imóveis e problemas em áreas rurais do estado.
O impacto das chuvas aumentou nas horas seguintes. Até as 7h desta quarta-feira (23), 63 municípios registravam ocorrências, com 310 pessoas desabrigadas, 828 desalojadas e 916 habitações afetadas, segundo balanço da Defesa Civil estadual reproduzido pela imprensa catarinense. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.
Tsunami meteorológico fez mar avançar no Litoral Sul
O fenômeno ocorreu por volta das 6h e deixou água e areia acumuladas em vias, provocou danos em edificações e deslocou embarcações. Até os levantamentos divulgados após o episódio, não havia registro de vítimas relacionadas ao avanço do mar.
Apesar do nome, o tsunami meteorológico não é provocado por terremotos. A Defesa Civil relacionou o episódio a alterações bruscas na pressão atmosférica combinadas com ventos intensos sobre o oceano. Radares, imagens de satélite e marégrafos foram usados para confirmar a ocorrência, enquanto rajadas entre 60 e 90 km/h acompanhavam a linha de instabilidade sobre a costa.
O evento é considerado raro e de difícil previsão. Santa Catarina já havia registrado ocorrências semelhantes no litoral em anos anteriores, incluindo episódios em Laguna, em 2023, e Jaguaruna, em 2024.
Temporais também atingem lavouras no Sul de Santa Catarina
Longe da faixa costeira, a quantidade de água trouxe outro problema: enchentes, solo saturado e dificuldades de acesso às propriedades.
Informações da Epagri divulgadas pelo portal Engeplus apontam arroz, milho e tabaco entre as culturas atingidas, principalmente em municípios como Ermo, Turvo e Timbé do Sul. As avaliações iniciais indicam danos em áreas que estavam em plantio ou desenvolvimento, enquanto algumas lavouras de tabaco já estavam próximas da colheita.
No caso do arroz, o temporal ocorre justamente durante o avanço da safra 2026/27. Antes desse episódio, o setor catarinense já acompanhava com atenção a possibilidade de excesso de chuva e seus efeitos sobre manejo da água, sanidade e produtividade.
A situação vinha sendo discutida na análise sobre a safra 2026/27 de arroz em Santa Catarina, que destacava a necessidade de atenção às condições climáticas durante o ciclo.
Em áreas agrícolas, o prejuízo pode ir além da planta. Estradas rurais danificadas, pontes comprometidas e propriedades isoladas dificultam o transporte de insumos, animais e produção. Por isso, a dimensão econômica do evento só poderá ser estabelecida depois que as equipes técnicas conseguirem avaliar as propriedades atingidas.

Prejuízos no campo ainda estão sendo calculados
Até esta quarta-feira, não havia uma estimativa consolidada de perdas financeiras para a agropecuária catarinense. A Epagri ainda trabalhava no levantamento dos danos nas áreas mais afetadas, segundo as informações disponíveis.
O excesso de umidade também exige acompanhamento nas lavouras que não sofreram perdas imediatas. Solos encharcados podem restringir operações de campo e, dependendo da cultura e do estágio de desenvolvimento, favorecer problemas fitossanitários.
Esse tipo de risco já havia sido observado recentemente na Região Sul, quando chuvas intensas elevaram a atenção sobre lavouras de trigo.
Com a redução das chuvas, o foco passa agora para a recuperação dos acessos, o levantamento das perdas e a avaliação das áreas agrícolas. O tamanho definitivo do prejuízo dependerá do tempo que a água permanecer sobre as lavouras, do estágio de cada cultura e das condições encontradas pelos produtores após o recuo das enchentes.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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