Vai faltar bezerro em 2022, alerta no ciclo pecuário!

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Bezerro Nelore
Nelore PO, Fazenda MBA / Foto™ © @fazenda_mba

Segundo levantamento realizado, não teremos uma enxurrada de bezerros no próximo ano; Preços devem seguir elevados e com margem para nova alta!

Os valores da reposição não estão dando trégua para o pecuarista da terminação/engorda, mas é preciso olhar para o lado da cria que possui um custo elevado para a produção de animais, além da grande defasagem de preços com que sofreu em anos anteriores. A notícia que chega, segundo os analistas, é que a oferta de animais deve continuar restrita no próximo ano, trazendo ainda a oportunidade para novas altas nos preços dos bezerros!

Seguindo o fluxo do ciclo pecuário, tudo começou com o grande volume de fêmeas abatidas nos anos anteriores, onde tivemos um grande desestímulo no setor da cria e, consequentemente, uma queda na número de bezerros colocados no chão nos anos seguintes. Mas o ciclo tarda, mas não falha! Agora, estamos vivendo um momento de transição entre o aumento do preço da arroba do boi gordo e aumento na produção de bezerros.

Com uma visão mais conservadora, a zootecnista Thayná Drugowick, analista de mercado da Scot Consultoria (Bebedouro, SP), avalia que a produção de bezerros no próximo ano será melhor que em 2021, mas que não deverá ser tão grande.

“Para 2022, em decorrência da produção de bezerros que temos acompanhado desde 2019, a tendência é que a oferta de bezerros melhore no próximo ano, mas não acreditamos numa enxurrada de bezerros, a ponto de pressionar as cotações. Vamos ter uma oferta relativamente melhor”, prevê.

Para a analista da Scot, a relação de troca entre o boi magro e o boi gordo tenderá a ser melhor, no entanto, Thayná prevê que a demanda pelo boi magro seguirá firme no mercado. O fator que mais contribuirá para isso vem do aquecimento da economia brasileira.

Para 2022, a produção de bezerros pode alcançar 53,3 milhões de animais. O crescimento é de 2,5% considerando uma produção de 52 milhões de bezerros de 2021. Entretanto, conforme anunciado anteriormente, a demanda pela reposição será superior a oferta de animais, o que irá deixar o mercado com maior firmeza nos preços, trazendo oportunidade de alta em algumas negociações e períodos do ano.

Confira a evolução desses números no quadro abaixo:

Este é o último relatório do ano, divulgado no início do mês passado. O documento pode dar uma dimensão sobre os números de produção de bezerros para o próximo ano.

Recuperação econômica

A expectativa é que o mercado interno, o maior consumidor da produção de proteína bovina brasileira, ganhe mais força por conta dos indícios de recuperação da economia e a volta do poder aquisitivo do brasileiro.

“A gente vem de uma economia em recuperação, depois de dois anos da pandemia de Covid-19, que acabou agravando o desemprego e fechamento de bares e restaurantes, além de uma população mais descapitalizada, interferindo no mercado doméstico. Então temos uma expectativa de melhora para o ano que vem”, pondera a analista da Scot.

Além do mercado interno aquecido, o externo também deverá comprar mais carne bovina no próximo ano, o que fortalecerá o apetite de frigoríficos exportadores de carne.

O dado consta no relatório Pecuária e Aves: Mercados Mundiais e Comércio, elaborado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês).

Início de 2022 terá arroba valorizada e margens mais baixas ao pecuarista

O pecuarista brasileiro pode esperar por uma melhora de preços da arroba do boi gordo já para o início de 2022. É o que prevê o pecuarista Maurício Velloso, presidente da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon).

Para Velloso, a baixa oferta de animais para reposição continuará no primeiro semestre do próximo ano, o que elevará os preços. No entanto, a alta nos custos de produção poderá influir em prejuízos aos produtores de carne bovina no País.

Foto: Divulgação

“Sem dúvida alguma, nós deveremos experimentar no primeiro semestre de 2022 valores mais altos do que estão sendo praticados hoje. Entretanto, eu não acredito que os valores desta arroba sejam suficientes para oferecer margem positiva ao pecuarista porque os custos de produção, de uma maneira geral, subiram no mínimo 50%”, diz Velloso.

Bovinos

A Conab estima um aumento do rebanho bovino de corte, devido à retenção de vacas para o abate. Ainda assim, a produção da carne bovina deverá ser menor neste ano, atingindo 8,1 milhões de toneladas – queda de cerca de 5% em relação a 2020.

Foto: Divulgação

Já as exportações tendem a apresentar um ligeiro recuo em comparação com 2020, e podem chegar a 2,65 milhões de toneladas.

A expectativa para a oferta de produto no mercado interno também é de redução, e está estimada em 5,5 milhões de toneladas, o que resulta em uma disponibilidade interna de 25,8 quilos por habitante no ano – volume 6,9% menor que em 2020 e bem abaixo dos 33,9 kg observados em 2018, ano de maior produção de carne dos últimos sete anos, relata o boletim. 

Compre Rural com informações da USDA, Portal DBO, Conab, IBGE

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