Valendo ouro, DDG é cada vez mais popular na dieta bovina do Brasil

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ddg subproduto do milho na mao
Foto: Divulgação

Grãos de destilaria, também conhecidos como DDG e WDG, são coprodutos originados no processamento do milho para obtenção de etanol; veja os detalhes

Motor do PIB brasileiro, equilíbrio da balança comercial, empregador poderoso, fonte de riqueza à prova de instabilidade. Basta olhar os números para atestar a vocação agrícola cada vez mais pujante no País. A Pecuária, tem contribuído muito para estes números, com o mercado aquecido o pecuarista precisa encontrar maneiras de tornar sua propriedade ainda mais rentável, aí que entra o DDG e WDG, um coproduto do milho que tem se mostrado boa alternativa para dieta bovina.

O que é DDG e qual é a sua utilidade nas dietas de bovinos de corte?

O DDG (Dried Distillers Grains – Grãos Secos de Destilaria) e o WDG (Wet Distillers Grains – Grãos Úmidos de Destilaria) são co-produtos da produção de etanol, gerados à partir da fermentação de grãos (por exemplo: milho e sorgo), disponíveis nas formas seca e úmida. Este farelo proteico é usado há muito tempo por pecuaristas em países como Estados Unidos, Argentina e Paraguai. Com a expansão do mercado do etanol de milho no Brasil, o DDG começou a ser produzido no Brasil em 2010 e ofertado no mercado nacional e mesmo internacional, com importância relevante principalmente para a nutrição do gado de corte.

Foto: Divulgação

Conheça algumas vantagens do DDG

  • Melhor relação custo/benefício;
  • De fácil digestão;
  • Adaptável às necessidades de diferentes rebanhos;
  • Acessível nas regiões produtoras de grãos.

Normalmente utilizado em substituição a componentes proteicos em rações para confinamento, o DDG começa a ser usado também como suplemento proteico em dietas de recria intensiva e também de terminação a pasto.

ddg subproduto do milho na mao
Foto: Divulgação

Uma pesquisa desenvolvida pela Unesp de Jaboticabal mostrou bons resultados em substituição aos farelos de caroço de algodão e de soja, e fornecido a tourinhos Nelore na proporção de 0,3% do peso corporal. “O resultado em ganho de peso médio diário variou de 900 gramas a 1,1 kg, semelhante ao dos animais que consumiram aqueles farelos, mas superior ao dos animais que receberam só mistura mineral (800 g)”, registram os autores. Além disso, favoreceu uma adaptação mais rápida dos animais a dietas de confinamento convencional e também melhora o rendimento de carcaça dos animais (próximo dos 54%) quando chegam ao abate.

Para cada tonelada de milho processada são produzidos, na média, 300 kg de DDG variando de usina para usina. Com a demanda crescente por biocombustíveis, aliada às vantagens em se produzir etanol a partir do milho, as projeções indicam que até 2027/2028 a produção de etanol saltará para 7,5 bilhões de litros, o que levará a uma oferta para o mercado de aproximadamente 5,2 milhões de toneladas de DDG.

Coproduto mais barato que a soja e tem preço similar ao milho, pode ser um ótimo substituto, rico em energia e sua concentração de proteína é bem maior que a do milho. Com o expressivo aumento na disponibilidade desse insumo, a tendência é que seu preço diminua e, assim como aconteceu nos Estados Unidos, esse insumo passe a ser utilizado como fonte proteica e energética nas formulações.

comparacao de proteina de milho e ddg
Fonte: Agroceres Multimix

Devido aos 2 tipos de processamento adotados é possível produzir 3 tipos de coprodutos, com características bem distintas e que, por isso, contribuirão de forma diferente nas dietas de bovinos:

  • WDG/DDG tradicional: são os verdadeiros grãos de destilaria. Apresentam elevada fibra digestível e a maior parte da sua proteína não é degradável no rúmen (PNDR). Podem ou não ser acrescidos de solúveis;
  • DDG com alta proteína: produto com menor teor de fibra digestível e elevado teor de proteína, sendo a maior parte PNDR. Normalmente, não recebem os solúveis. Se enquadra como uma boa fonte de proteína (PNDR) em dietas/rações ou suplementos a pasto;
  • Farelo de milho: produto com elevado teor de fibra digestível, baixo teor de proteína, que pode ou não receber os solúveis. O alto teor de fibra digestível contribui para manter um bom ambiente ruminal em dietas com elevada fermentação de amido;

Com os diferentes coprodutos disponíveis no mercado, conhecer o tipo de processamento empregado pelo fornecedor do coproduto é uma forma eficaz de saber qual produto está sendo comercializado, dessa forma é possível avaliar seu custo-benefício e adequar a dieta de maneira mais correta.

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Foto: Divulgação

Como comprar o DDG e WDG?

O DDG começou a ser produzido em três usinas flex de Mato Grosso. Entre 2013 e 2014, o DDG começou a fazer parte de alguns confinamentos mato-grossenses em substituição ao farelo de soja nas dietas de bovinos e não decepcionou. Atualmente, não somente em Mato Grosso, como também os Estados de MS, GO e MG, têm tirado proveito desse coproduto da indústria do etanol, cujos teores de proteína bruta (PB) variam entre 26 a 30%.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na primeira quinzena de fevereiro de 2021, o DDG ficou cotado entre R$1.260,61 e R$1.920,00 por tonelada, sem o frete, considerando os preços convertidos para 32% de proteína bruta (PB), referência Mato Grosso e Goiás.

Adaptado de Agroceres Multimix, Unem, Portal DBO e Giro do Boi

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