Abate de fêmeas cai 31,7% e reforça virada do ciclo pecuário no Brasil

Dados preliminares do Mapa mostram sétimo mês consecutivo de retração anual; menor participação de vacas e novilhas nos frigoríficos reforça sinais de retenção de fêmeas na pecuária

O abate de fêmeas voltou a cair com força no Brasil e reforçou os sinais de mudança no ciclo pecuário. Em julho de 2026, frigoríficos sob o Sistema de Inspeção Federal (SIF) abateram 768,07 mil fêmeas, queda de 20,99% frente a junho e de 31,69% na comparação com julho de 2025.

Os números são preliminares e foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com acompanhamento da Agrifatto. Foi o sétimo mês consecutivo de retração anual no abate de fêmeas, segundo a consultoria.

Para a Agrifatto, a sequência já representa uma mudança importante na pecuária brasileira. “Esse desempenho marca a virada de fase do ciclo pecuário”, destaca a consultoria.

Fêmeas perdem participação nos abates

Outro indicador chama atenção. A média dos últimos cinco anos para julho é de 795,81 mil fêmeas abatidas. O resultado de 2026 ficou 3,49% abaixo dessa referência — primeira vez neste ano em que um mês ficou abaixo da média histórica recente.

A participação das fêmeas no total abatido também recuou para 35,41%, ficando 4,78 pontos percentuais abaixo do observado em julho de 2025.

Na prática, a redução persistente do abate de vacas e novilhas pode indicar maior retenção de fêmeas nas propriedades, movimento característico de uma mudança no ciclo pecuário. Se a tendência continuar, a menor oferta dessas categorias para os frigoríficos passa a ser um fator importante para o mercado do boi gordo.

Queda das fêmeas explica recuo em 2026

Entre janeiro e julho, 16,58 milhões de bovinos foram abatidos em frigoríficos com SIF, queda de 4,57% frente ao mesmo período de 2025.

O dado mais relevante está na composição desse resultado: enquanto o abate de machos cresceu 0,25%, para 9,82 milhões de cabeças, o de fêmeas caiu 10,79%, para 6,76 milhões.

Assim, são as fêmeas que explicam a redução acumulada dos abates em 2026. Para o pecuarista, a continuidade desse movimento merece atenção porque pode representar menor oferta de animais para abate e uma nova configuração da oferta de gado nos próximos ciclos.

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