Arrendamento de terras tem disparada de preços, veja!

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recria a pasto
Foto: Agropecuária Solo Mio

Preço de aluguel da terra teve alta de 72% nas principais regiões agrícolas do País nos 12 meses encerrados em dezembro de 2020. Confira!

Acompanhando o mercado de compra e venda, o valor do arrendamento de terras para agricultura pecuária registrou forte valorização nos últimos meses por conta da alta das cotações do produtos em reais e também do aumento do número de sacas de soja cobrada por hectare, que é a referência do aluguel.

Pesquisa da consultoria IHS Markit mostra que em 12 meses até dezembro de 2020, o último dado disponível, o aluguel da terra para produção de grãos nas principais regiões produtoras do País aumentou, em média, 72%. Para as áreas de algodão, a alta foi de 91% no mesmo período, seguida pela cana (15%) e pastagens (12%).

“Diferente do mercado de compra e venda, o de arrendamento é mais volátil, muitos contratos são indexados a produtos e a dinâmica é mais forte”, afirma Leydiane Brito, analista da consultoria e responsável pela pesquisa.

Luciano Borges, sócio da Borges Imóveis Rurais,  diz que o valor do arrendamento mais que dobrou em reais nos últimos meses. “Quem estava pagando 8 sacas de soja por hectare, na renovação anual do contrato passou a pagar 10 ou até 12; quem pagava 15 sacas, foi para 18 ou 20.” Ele também observa que muitos estão interessados em comprar terras só para arrendar.

André Pessoa, sócio da consultoria Agroconsult, observa que, com o juros ainda em níveis baixos, houve uma realocação de portfólio de investimentos. Quem tinha uma aplicação em renda fixa, por exemplo, transferiu os recursos para compra de terra, que se valoriza 3% ao ano e ainda pode render um aluguel. O interesse pelo arrendamento apareceu também, segundo ele, entre profissionais liberais que não estão ligados diretamente ao agronegócio e fundos de investimento interessados nesses rendimentos.

Mas há também companhias do agronegócio que optaram pelo caminho do arrendamento para crescer por outras razões. Esse é o caso da SLC Agrícola, gigante da produção de grãos e fibras, com capital aberto na Bolsa. Neste ano, a empresa comprou duas concorrentes, mas as terras agrícolas não entraram na transação.

Com a Agrícola Xingu, a companhia fechou um contrato de arrendamento das terras por 15 anos e com a Terra Santa por 20 anos. “Em ambos os casos não compramos terras porque temos a estratégia de crescimento sem adquirir o ativo terra”, afirma o CEO da companhia, Aurélio Pavinato.

Ele destaca que a decisão não está relacionada com o momento atual de alta de preços e foi tomada anteriormente. “Encerramos o ciclo de aquisição de áreas em 2015.” O executivo explica que crescer comprando terras exige muito mais capital em relação ao arrendamento. “A nossa estratégia é crescer com o menor investimento.”

O outro fator que levou a companhia escolher esse caminho é que a empresa está “comprada” em terras. “Temos 308 mil hectares de terras no portfólio”, diz Pavinato. Antes dos dois negócios, a companhia cultivava áreas em 16 fazendas. Com as áreas da Terra Santa e da Agrícola Xingu, acrescentou mais seis fazendas. A fatia de terras próprias que era de 46% caiu para 36% e a de terras arrendadas subiu de 54% para 64%. A SLC cultiva áreas com soja, milho e algodão no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Maranhão, Piauí e Minas Gerais.

Comparação entre países

Apesar da elevação dos preços das terras para compra e arrendamento, as cotações no Brasil ainda são menores comparadas às de outros países em áreas semelhantes. Nas contas de Pavinato, dependendo da região, um hectare para o cultivo de grãos varia entre US$ 5 mil e US$ 10 mil aqui. Na Argentina, esse preço gira em torno de US$ 15 mil e nos Estados Unidos, oscila entre US$ 20 mil e US$ 25 mil.

Entre os motivos apontados pelo executivo para que a terra brasileira, mesmo com preços em alta, continue barata em relação a outros países, estão a maior disponibilidade do ativo e as deficiências nas em infraestrutura e logística existentes no interior do País.

Fonte: Estadão

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