Arroba bate R$ 240, produtor vai tomar prejuízo?

Arroba bate R$ 240, produtor vai tomar prejuízo?

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Foto Divulgação.

Segundo informações da GPB, arroba bate R$ 240 em São Paulo. Mas as perguntas são: “é caro ou barato?”; “Esperar uma nova alta ou vender a boiada?”

Segundo informações publicadas pela GPB, no boletim 29 de novembro, arroba bate R$ 240, em São Paulo, para macho inteiro. Essa negociação chegou a ser divulgada em primeira mão aqui no Compre Rural, nesse artigo aqui: Arroba atingiu limite”, é notícia para segurar o preço!. Pois bem, o mercado é flutuante e deve ser analisado com maior cautela, já que grandes altas, podem trazer grandes reações contrárias. Então, é caro ou barato a arroba a R$ 240?

Quatro pontos estão mexendo com o mercado do boi gordo nesse segundo semestre: A demanda chinesa, afetada pela peste suína africana; a entressafra; chuvas tardias no Centro-Oeste; Abate de matrizes alto nos últimos anos. Esse cenário, deve perdurar nos próximos 15 dias, já que o poder de compra com o décimo terceiro, deve aumentar ainda mais a demanda interna, principal consumidor da carne brasileira, sendo responsável por 70% do consumo. Entretanto, o pecuarista precisa estar atento ao planejamento para não estreitar a margem no próximo ciclo.

Uma coisa está muita clara nesse cenário, a arroba não irá retornar aos patamares que eram, entretanto, o pecuarista precisa estar atento aos seus custos de produção para não cair na ilusão da receita alta e lucro baixo. Agora é a hora de ter cautela e saber negociar e ajustar sua venda, buscando maior margem para o próximo ciclo!

Alertas!

O maior alerta até o momento, é o preço da reposição. Os últimos anos foram difíceis para o pecuarista, que acabou aumentando o volume de abate das matrizes e, também, a grande procura pela novilha precoce. Esse cenário se agravou, ainda mais, com a demanda aquecida da China, fazendo com que a demanda fosse maior que a oferta. Os animais de reposição chegam a ser comercializados por até R$ 2 mil, nos leilões.

Segundo o diretor da Wedekin Consultores, Ivan Wedekin, a alta no preço é “uma ilha da fantasia” e o produtor não está embolsando os ganhos como se fala. “Pelo contrário, quem faz terminação, engorda e confinamento vai perder dinheiro, porque o preço do bezerro subirá mais que o do boi gordo”, diz.

Fonte: Assocon/GPB.

Ante a valorização dos preços da proteína, discute-se, entre outras possibilidades, a importação do produto. Wedekin afirma que o governo não tem mecanismos para isso e não deve entrar neste assunto. “Quem importa é o setor privado, a indústria”.

Quem faz terminação, engorda e confinamento vai perder dinheiro, porque o preço do bezerro subirá mais que o do boi gordo!

Do outro lado, temos os insumos, que também seguem o mesmo patamar da carne. As exportações estão aquecidas e o dólar está favorável para o escoamento do produto. Segundo levantamento da CONAB, os estoque de milho estão bem abaixo da média e pode faltar o produto em janeiro. Além disso, a análise das praças pelo CEPEA, apontam que o milho chegou a mais de R$ 47 por saca.

Para o pecuarista da cria

Bezerro engorda o bolso do criador: preço vai a R$ 9 por quilo. Forte valorização do boi gordo acelera o mercado da reposição e faz cotação acumular alta de 30% no ano!

Os preços dos animais de reposição estão em alta principalmente nos Estados do Centro-Oeste e Sudeste, acompanhando as fortes valorizações do boi gordo nas últimas semanas. Segundo relatos da Informa Economics FNP, com num “efeito dominó”, o mercado de reposição também perdeu complemente a referência de preços, e atualmente há registros de diversas vendas realizadas próximas a R$ 9/kg em algumas praças pecuárias do Brasil Central.

Os elevados índices de chuvas em praticamente todo o território nacional têm colaborado para a recuperação consistente das condições das pastagens, bem no momento em que os pecuaristas buscam planejar os seus rebanhos para abate do próximo ano, acrescenta a consultoria paulista. “A liquidez dos leilões de animais é praticamente absoluta”, destaca a FNP.

A oferta restrita de animais de reposição também explica o aquecimento das cotações. Na avaliação da consultoria, a baixa oferta ocorre não apenas pelo fato de os criadores represarem lotes em função da recuperação da pastagem, mas pela saída de muitos pecuaristas da atividade de cria nos últimos anos, devido ao ciclo de preços baixos.

O Indicador do bezerro ESALQ/BM&FBovespa, Mato Grosso do Sul) fechou essa quinta-feira (29/11) a R$ 1.579,17/cabeça, o que representou elevação de 14,5% sobre o valor de um mês atrás (R$ 1.378,51/cabeça).

Na comparação com o preço nominal registrado no último dia útil de dezembro de 2018, de R$ 1.225,47/cabeça, o Indicador acumula aumento de quase 30% este ano.

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