Arroba vai a R$ 260 com catastrófica queda de 10,77%

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boitel confinamento VFL Brasil
Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Infelizmente, para o pecuarista, a situação da arroba nesse momento é uma catástrofe. O poder de retenção dos animais se torna cada vez mais complicado!

O mercado físico de boi gordo registrou preços predominantemente mais baixos, o recuo voltou a afetar as margens de lucro dos pecuaristas que, nessa sexta-feira, 22, viram as indústrias pressionando uma nova queda nos preços negociados. Os negócios fluíram mesmo com os preços mais baixos oferecidos aos pecuaristas. Produtores relatam que a situação diante do embargo para exportar carne à China e mercado interno patinando, trouxeram situação de catástrofe para as margens de lucro da atividade!

Os confinadores seguem sem capacidade de retenção, uma vez que os custos de nutrição animal permanecem muito elevados, além das chuvas que voltaram e dificultam o manejo nos confinamentos e na transição dos pastos. Uma luz no fim do túnel, o cenário ficou um pouco mais otimista com sinalização de avanço das negociações bilaterais Brasil-China na busca de um entendimento sobre o embargo.

A semana termina com pressões nas cotações e pecuarista permanece apreensivo. A cotação da arroba do boi, vaca e novilha para abate estão em R$266,00, R$260,00 e R$274,00, preços brutos e a prazo. Ao longo da semana a cotação do boi gordo caiu R$4,00/@, da vaca gorda R$1,00/@ e da novilha gorda R$6,00/@, apontou a Scot Consultoria.

Já na região de Belo Horizonte, Minas Gerais, a melhor oferta na região resultou em recuos nas cotações da arroba. O boi gordo caiu 0,8% na comparação diária, sendo cotado em R$262,00/@, preço bruto e a prazo. A vaca e a novilha gordas estão cotadas em R$253,00/@ e R$255,00/@, nas mesmas condições. A queda foi de 0,8% para a vaca e de 1,2% para a novilha, na comparação dia a dia, finalizou a Consultoria.

A queda drástica, veio no fechamento do Indicador do Cepea para o Boi Gordo, a média teve uma nova desvalorização no fechamento com um recuo de -0,99%, firmando três quedas seguidas, atingindo o valor de R$ 260,20/@. Ainda segundo a instituição, o boi gordo acumula uma variação negativa de -10,77% no comparativo mensal.

O valor atingiu o menor preço do Indicador no ano, confira o gráfico abaixo. Ainda segundo os dados o preço em dólar segue nas mínimas do ano, fechando cotado a U$ 46,13/@, deixando o boi brasileiro como o mais barato do mundo. A alta dos preços do dólar podem ajudar a melhorar as margens das indústrias e, consequentemente, trazer melhores ofertas para arroba na próxima semana.

Preço do Boi Gordo nos últimos 30 dias
Preço do Boi Gordo nos últimos 12 meses

Exportações

Até a terceira semana de outubro (10 dias úteis), o Brasil embarcou 45,69 mil toneladas de carne bovina in naturaA média diária exportada foi de 4,56 mil toneladas, o que representa uma queda de 44% em relação ao volume registrado em igual período do ano passado, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

“Para os próximos dias, a redução do ímpeto da indústria em comprar tende a continuar tirando o fôlego do mercado do boi gordo”, prevê Thayná Drugowick.

Os problemas com escoamento da produção de carne bovina no mercado interno (enfraquecido pela atual crise econômica), além dos desvios ao País de parte das mercadorias que seriam embarcadas à China, tem enfraquecido os preços internos dos cortes bovinos, justificam as consultorias.

Retomada pode estar perto

chanceler chinês disse que a questão será resolvida rapidamente. “O entendimento, se efetivado, marcará um ponto de virada importante, uma vez que até o presente momento as autoridades chinesas não haviam se manifestado sobre o assunto. Resta saber na prática qual a velocidade chinesa para equacionar a questão”, pontuou.

“Os representantes de Brasil e China conversaram sobre abertura e diversificação de mercados, incluindo retomada das exportações de carne bovina brasileira. O Chanceler chinês acredita que o assunto da carne bovina será resolvido rapidamente”, relatou, em comunicado, o Itamaraty.

Num cenário em que a oferta de animais prontos para abate tende a reduzir ao longo de novembro, perspectivas para mercado são menos ruins.

A valorização cambial dos últimos dias pode ajudar a minimizar os impactos da ausência da China nos embarques de carne bovina. As indústrias que são habilitadas à exportação voltaram a abater os animais e estão tentando negociar com outros países e também colocar uma parte da produção no mercado interno.  

Segundo o fechamento dessa sexta-feira, a cotação do dólar disparou diante das falas do presidente, Jair Bolsonaro, que influenciou o câmbio. Atualmente, o preço está próximo de R$ 5,62 e pode trazer um alívio para as indústrias que podem negociar com algum outro país. Conforme anunciado a dias pelo Compre Rural, em primeira mão, o confinador está com um prejuízo de R$ 800,00 a R$ 1.300,00 por cabeça e isso está desestimulando os produtores a permanecer na atividade.

Giro do Boi Gordo pelo Brasil

  • Com isso, em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 266 na modalidade à prazo, estável.
  • Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 25, inalterada.
  • Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 266, contra R$ 267.
  • Em Cuiabá, a arroba ficou indicada em R$ 254 – R$ 255, ante 255.
  • Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 251, contra R$ 255.

Segundo as informações do Balizador do GPB, os preços recuaram novamente e os preços mínimos atingiram o valor de R$ 260,00/@ com uma média de R$ 264,00/@.

Atacado

Já no atacado, a carne bovina teve preços de estáveis a mais baixos. O viés de curto prazo segue negativo, uma vez que a segunda quinzena de cada mês é pautada por uma lenta reposição entre as cadeias. “Além disso, ainda há frigoríficos disponibilizando parte dos estoques que deveriam ser destinados à exportação no mercado doméstico, ampliando o movimento de pressão”, apontou Iglesias.

Assim, o corte traseiro foi precificado a R$ 20,50 por quilo, queda de R$ 0,20. O quarto dianteiro segue no patamar de R$ 14,00, por quilo. Ponta de agulha permanece precificada a R$ 13,80, por quilo.

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