Boi a R$ 350/@ – nem subiu, nem desceu – e agora peão?

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

O mercado agora segue travado, em um jogo onde os pecuaristas e indústrias estão avaliando as oportunidades no curto prazo, e agora peão?

O mercado físico do boi gordo teve mais um dia de estabilidade nos preços nesta quarta-feira, 12, em todas as praças pecuárias avaliadas. Em um momento onde as indústrias aproveitam o alongamento das escalas de abate para pressionar as cotações, os pecuaristas seguram a pouco oferta de gado para barganhar melhores preços. Sendo assim, nesse jogo truncado, os preços tendem a estabilidade de forma generalizada.

O grande diferencial está para os pecuaristas que possuem animais que atendem ao padrão exportação, ou seja, bovinos de até quatro dentes. Essa categoria ainda tem uma maior demanda, já que a o retorno da China as compras aumentou o apetite das indústrias exportadoras. A pergunta é, no curto prazo, com o Ano Novo Lunar na China, os preços vão se manter?

O preço do Indicador do Boi Gordo/CEPEA, apresentou nova valorização no fechamento de ontem, com uma alta de 0,40%. Sendo assim, os preços da arroba do boi gordo na média paulista saltaram de R$ 333,70/@ para o valor de R$ 335,05/@. Confira o gráfico abaixo!

O ágio para bovinos com destino à exportação chega a R$15,00/@, sendo assim as negociações para bovinos até quatro dentes, o “boi China”, negócios seguem firmes e com valores de até R$350,00/@. Segundo o app da Agrobrazil, os pecuaristas de São João da Boa Vista/SP, venderam boiada para o exportação por R$ 350,00/@ com pagamento à vista e abate para o dia 27 de janeiro de 2022, veja imagem abaixo.

Sendo assim, em São Paulo, o valor médio para o animal terminado apresentou uma média geral a R$ 338,07/@, na quarta-feira (12/01), conforme dados informados no aplicativo da Agrobrazil. Já a praça de Goiás teve média de R$ 334,06/@, seguido por Mato Grosso Sul com valor de R$ 320,35@. E em Mato Grosso, a média fechou cotada a R$ 334,63/@.

Em São Paulo, o avanço das escalas de abate pressiona o mercado e limita o movimento de altas nas cotações. Com isso, boi, vaca e novilha estão apregoados em R$337,00/@, R$308,00/@ e R$326,00/@, respectivamente, preços brutos e a prazo. Já em Paragominas – PA com negócios se dando de modo compassado e escalas de abate encurtando, os compradores abriram as ofertas pagando R$1,00/@ a mais para todas as categorias de bovinos terminados.

As indústrias frigoríficas conseguiram alongar as escalas de abate e as ofertas de preços começaram a recuar nas praças acompanhadas pela a Scot Consultoria. Os frigoríficos aproveitaram para negociar os animais em pedidas mais altas nas últimas semanas, e agora, as programações de abate atendem uma média de 8 a 10 dias úteis, conforme anunciado aqui ontem no Compre Rural.

“Apesar de recuos pontuais observados neste início de semana, a leve pressão baixista não deve tomar maior fôlego e emplacar tendências negativas mais intensas sobre as cotações”, prevê a IHS Markit.

Na avaliação da IHS, a oferta escassa de boiadas gordas e o ritmo mais forte das exportações brasileiras de carne bovina devem limitar maiores recuos nos preços da arroba, ao menos no curtíssimo prazo.

De forma resumida, com as escalas levemente mais confortáveis e o escoamento de carcaça bovina lento, os frigoríficos permanecem resistentes a novas altas do boi gordo e com isso o preço do animal se mantêm na média dos R$ 340,00/@. Na B3, o contrato futuro do boi gordo com vencimento para jan/22, encerrou o dia cotado a R$ 337,70/@, desvalorizando -0,46% no comparativo diário.

Giro do Boi Gordo pelo Brasil

  • Em São Paulo, no interior do estado, os preços ficaram em R$ 342@, contra R$ 340 da sexta-feira.
  • No triângulo mineiro negócios em R$ 335, estáveis.
  • Em Goiânia, cotação estável em R$ 325/@ a prazo.
  • Em Mato Grosso do Sul, o boi gordo ficou posicionado em R$ 323/@ a prazo.
  • Em Mato Grosso, a arroba foi indicada em R$ 314 a prazo.

Atacado

Por sua vez, a venda da carne bovina brasileira no mercado internacional garante margens mais atrativas às indústrias, contribuindo para equilibrar as operações no mercado doméstico, cuja demanda segue enfraquecida pelo baixo poder aquisitivo da população.

No mercado atacadista de carne bovina, desde a semana passada, as vendas foram consideradas boas o suficiente para “enxugar” os estoques de carcaça bovina que estão sendo disponibilizados, ou seja, caso haja um aumento de oferta o mercado pode perder sustentação. Ainda assim, o cenário atual aponta para uma carcaça casada bovina sendo negociada a R$ 20,50/kg, porém com a possibilidade de reajustes positivos até o fim desta semana.

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