Bezerro gerado a partir de embrião trazido do Paraguai marca a estreia dos nascimentos da raça na fazenda de Wilson Brochmann. Projeto agora entra na fase de avaliação e seleção dos animais
A Agropecuária Maragogipe anunciou o nascimento do primeiro bezerro Boran de seu projeto em Mato Grosso do Sul. Gerado a partir de um embrião importado do Paraguai, o animal marca a passagem de uma aposta em genética para o trabalho prático de criação e seleção da raça na fazenda.
“Nasceu na fazenda Maragogipe o primeiro embrião importado do projeto”, informou a agropecuária em comunicado. A empresa classificou o nascimento como o início de “uma nova etapa de trabalho, pesquisa e seleção” e afirmou que pretende avaliar características do Boran capazes de contribuir para seus sistemas de produção.
O bezerro é apresentado como POI, puro de origem importada. Isso significa que sua origem genética está no embrião Boran trazido do Paraguai. Existe a possibilidade de que a fêmea que o gestou seja uma matriz PO da seleção Nelore da Maragogipe, mas essa informação ainda não foi confirmada. Se for o caso, a vaca atuou como receptora do embrião; a gestação não altera a origem genética do bezerro.
O nascimento dá sequência ao investimento de Wilson Brochmann na raça, noticiado pelo CompreRural em maio. Com mais de 50 anos de atuação na pecuária de corte, o criador viu no Boran uma possibilidade para ampliar o trabalho de cruzamento industrial desenvolvido pela Maragogipe.
Na ocasião, Brochmann apontou dois fatores que despertaram seu interesse: a base zebuína do Boran e a seleção natural à qual a raça foi submetida ao longo de sua formação no leste africano. A rusticidade resultante desse processo chamou a atenção do pecuarista, que já trabalha com genética Angus e produz matrizes F1 meio-sangue Angus. Sua proposta é estudar o uso do Boran como terceira raça nesse sistema de cruzamento.
Essa estratégia tem um objetivo produtivo claro. Conforme relatou Brochmann à reportagem anterior, a Maragogipe avalia reter parte das matrizes meio-sangue Angus para reprodução e, com isso, buscar um aumento no volume de animais destinados ao abate. O nascimento do primeiro Boran dá início à formação do plantel necessário para desenvolver e testar essa proposta ao longo dos próximos ciclos.
O material genético que permitiu a chegada da raça ao Brasil veio do Paraguai. O processo exigiu a abertura de um protocolo específico para importação de embriões e foi precedido por anos de negociações conduzidas por criadores interessados no Boran. A genética agora começa a produzir resultados em diferentes fazendas brasileiras.
É preciso distinguir os marcos dessa trajetória. O anúncio da Maragogipe se refere ao primeiro nascimento de seu próprio projeto. Os primeiros bezerros puros Boran nascidos no Brasil foram anunciados em maio de 2026, na Fazenda GT, propriedade de Guilherme Gervásio. Também naquele caso, os animais foram produzidos a partir de embriões importados do Paraguai.
A expansão da raça envolve ainda a definição de seu registro genealógico no país. Em julho, o CompreRural noticiou o avanço das tratativas entre a ABCZ e a Associação Brasileira dos Criadores de Boran. A previsão apresentada pelos representantes da raça é que a ABCZ faça, inicialmente, o registro dos animais puros de origem nascidos em território brasileiro a partir de embriões importados, após a conclusão das etapas formais necessárias.
Rusticidade, fertilidade, habilidade materna e adaptação ao calor estão entre os atributos que motivam o interesse dos criadores brasileiros pelo Boran. Para a Maragogipe, porém, o resultado mais relevante virá da avaliação dos animais em suas condições de criação: desenvolvimento, reprodução e contribuição efetiva aos cruzamentos planejados pela fazenda.
O primeiro bezerro é, portanto, um marco para a propriedade e o ponto de partida de uma seleção que ainda precisa mostrar seus resultados. Depois de anos de esforços para trazer essa genética ao Brasil, o Boran começa a ganhar espaço nos pastos de um dos projetos de pecuária de corte mais conhecidos do país.
Referência em qualidade de carcaça nas raças Angus e Nelore, a Agropecuária Maragogipe também desenvolve o projeto Maragogipe Prime, em parceria com a equipe da DGT Brasil, liderada por Liliane Suguisawa. Por meio da ultrassonografia de carcaça, machos e fêmeas são avaliados para orientar a seleção genética voltada à produção de carne premium. O trabalho reflete a busca da fazenda por tecnologias capazes de aprimorar continuamente seus resultados.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.