Entressafra prejudica produção de arrobas

Entressafra prejudica produção de arrobas

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PERÍODO DE ENTRESSAFRA PREJUDICA A PRODUTIVIDADE DO REBANHO. Foto Divulgação.

É fato que o período de entressafra prejudica produção de arrobas, mas se tomar os cuidados necessários, pode trazer oportunidade para alavancar seus negócios.

É fato que as evoluções da pecuária têm ajudado a fortalecer o segmento. No entanto, mesmo quem tem experiência com esse tipo de produção, pode enfrentar algumas dificuldades no período de entressafra, — como a perda de peso do rebanho, diminuindo, consequentemente, a produtividade.

Pensando na importância que o assunto tem para você que administra uma fazenda, preparamos este artigo apresentado as principais características do período de entressafra e informando sobre o que pode ser feito para evitar ou reduzir suas consequências negativas. Acompanhe!

Em que consiste o período de entressafra?

Antes de tudo, devemos especificar que a produção do agronegócio acontece ao longo do ano. Mas, ainda assim, ela nem sempre coincidirá com o começo de janeiro ou com o final de dezembro.

Para alguns produtores, tudo depende de as condições climáticas estarem ou não favoráveis, conforme o cultivo e/ou a pastagem. Na maioria das vezes, a preferência é por começar nas épocas chuvosas, pois, assim, as plantas têm água disponível no solo.

É oportuno lembrar que, em culturas de ciclo curto, o desenvolvimento tende a se manifestar de forma intensa em uma parte do ano. É por isso que, depois de um tempo, o solo fica em descanso até o clima ficar novamente favorável. Desse modo, o período de entressafra vai do fim do bom estado do solo até ele reapresentar condições ideais.

Como a entressafra prejudica a produtividade do rebanho?

Para tratar desse tema com a profundidade que ele exige, conversamos com Rafael Silva da Costa, analista de mercado na Belgo Bekaert Arames, empresa com mais de 20 anos de história no segmento.

De acordo com ele, quando é inverno, há um momento em que uma parcela da pastagem está boa e verde. Quando ela cai, a boiada gorda sofre com uma perda de produtividade nas remanescentes. “É em virtude disso que o produtor tem que observar esse período com enorme atenção”, justifica.

Para o especialista, a média da perda vai de 10% a 15% da arroba do boi. “Isso acontece por conta da diminuição de temperatura e da qualidade das pastagens, que piora. Assim, a boiada gorda é retirada do pasto e os produtores vão deixando só os outros rebanhos, para manter o peso”, explica.

Como evitar a perda de peso do rebanho na entressafra?

Um ponto relevante é o crescente uso de tecnologia, na chamada pecuária de precisão — tais avanços não se restringem à pecuária, mas também abrangem diversas áreas da agricultura. Muitas dessas práticas são usadas para aumentar os índices zootécnicos e alinhá-los às expectativas dos produtores.

A boa notícia é que diversas estratégias desse contexto podem ser aplicadas visando à manutenção da produtividade. “Podemos usar um pastejo rotacionado, fazer uma formação de pastagem e promover uma integração entre lavoura e pecuária, para revitalizar o solo”, recomenda Rafael.

Veja, logo a seguir, algumas práticas que tendem a ser bastante úteis no período de entressafra.

Capriche no planejamento

Ter boas ferramentas tecnológicas à disposição pode fazer a diferença, mas é preciso se planejar com afinco. Assim, você consegue criar uma previsibilidade e reduzir os riscos produtivos.

Em muitos lugares do Brasil, a parte mais fria do ano acaba entre maio e julho. Nessa época, não é necessário abrir outras pastagens. Você pode usar a seca para cuidar dos pastos que já estão ativos, evitando que eles sejam comprometidos, por exemplo. Também é imprescindível programar determinados aspectos durante esse planejamento, como:

  • recuperação de pastagens;
  • adubação;
  • manejo adequado;
  • cruzamento eficiente;
  • estruturas;
  • boa genética do animal;
  • suplementação alimentar ideal.

Tenha cuidado com as pastagens

“Para deixar o pasto no melhor estado possível, recomenda-se fazer um sistema rotacionado, pensar na divisão ideal e observar a quantidade de animal por arroba/hectare que serão colocados dentro da propriedade, o que é fundamental para o manejo“, explica Rafael.

A superlotação das pastagens merece um cuidado especial. Caso contrário, é possível que gere problemas mesmo no verão: o pasto pode não aguentar uma quantidade elevada de animais. “Quando o verão começa, é interessante tirar as boiadas gordas e tentar manter o rebanho que ficou nas áreas renovadas da fazenda, que são as pastagens rotacionadas”, indica o especialista.

Faça a vedação de pastagem

A vedação se dá quando o pecuarista deixa o pasto reservado para o período de seca ou de entressafra. Essa prática deve ser combinada com o ponto ideal do capim. A vedação nada mais é do que colocar o mombaça na altura ideal (75 cm) para que o gado tenha uma fonte de proteína.

É importante que o produtor planeje esse aporte alimentar com base na quantidade de animais a serem alimentados e considerando aspectos climáticos, características do solo, condições das pastagens e a necessidade nutricional do rebanho.

Às vezes, o capim fica em uma altura superior, mas isso não é recomendado, porque tira certo nível de proteína da alimentação do animal. Desse modo, para ter um pasto bom, é preciso fazer um planejamento dos períodos ideais de entrada e de saída.

Outro benefício da estratégia é a diferenciação das pastagens, — que aumenta a capacidade de suportar rebanhos maiores e ajuda a planejar a irrigação.

Evite o pastejo em excesso

“Temos dados estatísticos que mostram produtores com grandes áreas de pastejo e baixa produtividade. Contudo, atualmente, ter uma área grande não garante nada. É preciso ter um pastejo bem manejado para que o gado não gaste uma energia desnecessária para ir atrás de seu alimento”, aponta Rafael.

Ou seja, com um pastejo grande demais, o animal vai pegar só a ponta de capim e vai andar muito nas pastagens, o que vai atrapalhá-lo no sentido de ganhar peso.

Cuide da nutrição

Na seca, é possível alimentar o animal só com sal mineral; durante as chuvas, vale a pena usar alimentos repletos de proteína ou produtos com ureia. “O que engorda a boiada é a pastagem, não o sal mineral ou a ração. Produtos ureados aceleram a engorda porque aumentam a população de bactérias no organismo do animal, fazendo com que eles consigam digerir com rapidez. Ter uma forragem boa também é necessário”, aconselha Rafael.

É fato que o período de entressafra pode originar algumas dificuldades para os produtores. Apesar disso, ao tomar os cuidados necessários, a época pode ser tratada como uma oportunidade para alavancar seus negócios.

Fonte: Belgo Arames

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