Eraí Maggi, gigante do Agro, explica por que a carne bovina está cara e diz: “Temos suíno e ave”

Gigante do Agro de Mato Grosso, Eraí Maggi afirma que valorização da carne bovina está ligada ao cenário internacional, cita redução do rebanho nos Estados Unidos e defende que o debate deve considerar também o poder de compra da população.

O aumento do preço da carne bovina voltou ao centro das discussões no agronegócio brasileiro. Durante entrevista concedida em Mato Grosso, o mega produtor rural Eraí Maggi afirmou que a carne bovina naturalmente possui um valor mais elevado que outras proteínas e destacou que o consumidor brasileiro conta com alternativas mais acessíveis, como carne suína e frango.

Ao comentar o tema, Eraí também relacionou a valorização da carne ao cenário global da pecuária, especialmente à redução do rebanho em importantes países produtores, como os Estados Unidos, fator que ampliou a procura pela carne brasileira no mercado internacional. As declarações ocorreram durante entrevista coletiva após agenda sobre os primeiros meses da gestão estadual.

“Não é assim cara também”

Questionado sobre o fato de Mato Grosso ser um dos maiores produtores de carne bovina do mundo e, ainda assim, o consumidor considerar o produto caro, Eraí respondeu:

“Não é assim cara também, né? A carne de gado é mais cara, mas temos suíno, temos a ave.”

Na avaliação do produtor, o movimento recente dos preços não pode ser analisado apenas pela realidade brasileira.

Segundo ele, houve uma redução importante da oferta mundial de bovinos, especialmente nos Estados Unidos, onde o ciclo pecuário passou por forte retração da cria, reduzindo a disponibilidade de animais para abate.

“Nesse período deu uma diminuída no gado no mundo. Nos Estados Unidos diminuiu muito a cria. E o pessoal veio em cima aqui. Tem um gado bom, de boa qualidade, e o povo comprou.”

Mercado internacional ajuda a explicar a valorização

A avaliação de Eraí encontra respaldo no cenário internacional vivido pela pecuária nos últimos anos.

Os Estados Unidos atravessam um dos menores rebanhos bovinos das últimas décadas, consequência de secas prolongadas, custos elevados de produção e descarte intenso de matrizes durante o ciclo anterior. Com menor oferta doméstica, aumentou a necessidade de importação de carne, fortalecendo a demanda por países exportadores como o Brasil.

Ao mesmo tempo, a carne bovina brasileira continuou sendo impulsionada pelas exportações, fator que reduz a disponibilidade relativa para o mercado interno e influencia a formação dos preços.

“Não sei se a carne está cara ou se estamos ganhando pouco”

Eraí também chamou atenção para outro aspecto da discussão: o poder de compra da população.

Em tom descontraído, afirmou que o problema pode não estar apenas no preço da carne.

“Eu até não sei se a carne está cara ou nós que estamos ganhando pouco. Acho que nós temos que melhorar a nossa renda aqui.”

A declaração traz um componente econômico frequentemente citado por analistas: além da oferta e da demanda, o consumo de carne bovina depende diretamente da renda das famílias.

Quando o orçamento aperta, parte dos consumidores migra para proteínas de menor preço, como frango e carne suína, comportamento já observado em diferentes ciclos do mercado brasileiro. Dados recentes do Cepea mostram que a carne suína e o suíno vivo registraram queda nas cotações em 2026, reforçando sua competitividade como alternativa para o consumidor.

Debate continua entre consumidores e cadeia da carne

As declarações de Eraí Maggi acontecem em um momento em que o preço da carne bovina segue sendo tema recorrente entre consumidores, produtores e indústria frigorífica.

Enquanto parte do mercado atribui a valorização à menor oferta de animais e ao aquecimento das exportações, consumidores sentem o impacto direto no orçamento doméstico. Já representantes da cadeia produtiva destacam que a formação dos preços envolve fatores como ciclo pecuário, custos de produção, câmbio, demanda internacional e renda da população.

Nesse contexto, a fala do produtor reforça uma visão compartilhada por parte do setor: embora a carne bovina continue sendo a proteína de maior valor agregado, o consumidor brasileiro mantém à disposição outras opções de menor custo, especialmente frango e carne suína, que costumam ganhar espaço quando o orçamento das famílias fica mais apertado.

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