Frigorífico paga mais pela arroba com apagão do boi

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Alta do dólar traz maior competitividade da carne bovina brasileira no mercado externo e frigorífico briga para garantir a matéria-prima. Veja!

Conforme previsto pelo nosso analista e antecipado no Compre Rural, os preços do boi gordo ganharam força neste início de semana em algumas praças pecuárias do País, especialmente de São Paulo, onde a arroba subiu mais R$ 5 nesta semana e passou ao patamar de R$ 315,00 para animais padrão China. Confira abaixo!

De acordo com a análise, as valorizações ocorrem na esteira do cenário permanente de oferta restrita e da nova rodada de desvalorização do real em relação ao dólar. Com isso, os frigoríficos exportadores conseguem ser mais agressivos na compra do gado.

Segundo a Scot Consultoria, o boi gordo está apregoado em R$305,00/@, preço bruto e a prazo. Os negócios para vaca e novilha gordas estão ocorrendo em R$282,00/@ e R$297,00/@, respectivamente, nas mesmas condições. 

Em São Paulo, o valor médio para o animal terminado chegou a R$ 309,85/@, na terça-feira (09/03), conforme dados informados no aplicativo da Agrobrazil. Já a praça de Goiás teve média de R$ 280,55/@, seguido por Mato Grosso Sul com valor de R$ 289,50/@.

Segundo o app, os preços do boi gordo ontem variaram entre R$ 305,00 e R$ 315,00 para a praça paulista, que é referência para as demais praças. Já o Indicador do Cepea, encerrou o dia de ontem no patamar de preço médio para a mesma região em R$ 306,15/@.

Há negócios acima dos preços de referência, mas pontuais e a depender do volume de animais negociados e proximidade das indústrias frigoríficas. As indústrias aguardavam um maior volume de animais de pasto nesse período, mas a oferta contínua restrita e o pecuarista cadenciando as vendas de olho nas suas margens, principalmente por conta da valorização da reposição e dos insumos.

Mercado Futuro

A cotação do dólar superou os R$ 5,80, o que deu sustentação para a maioria dos preços de commodities em todo o país, inclusive no mercado futuro de boi gordo. A arroba do boi gordo terminou cotada no preço recorde de R$ 308,75/@ para o vencimento março/21, valorizando 0,39%.

Exportações

Segundo a consultoria, “há relatos de algumas indústrias que operam exclusivamente para atender ao mercado de exportação”. De fato, os frigoríficos têm relatado grande dificuldade em operar no mercado interno, devido ao agravamento da crise na economia por causa da piora da pandemia.

A exportação de carne bovina in natura começou março em ritmo aquecido. Nos primeiros cinco dias úteis o Brasil exportou 30,5 mil toneladas de carne bovina in natura, ou seja, média diária de 6,1 mil toneladas, variação positiva de 6,8% frente ao mesmo período do ano passado.

Em relação ao preço da tonelada comercializada, o Brasil trabalhou com preços 4,3% maiores do que no mesmo período do ano passado, passando de US$4393,00/tonelada em março de 2020, para US$4583,00/tonelada na primeira semana de março deste ano.

No mercado interno, o ritmo das negociações segue lento. A baixa liquidez continua persistente, e o clima que paira no ar é o de insegurança. O preço da carcaça casada bovina passou por valorização de R$ 0,10, encerrando a terça-feira cotada a R$ 18,60/kg. 

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