Falar de gestão em um momento como esse vivido pelo pecuarista brasileiro é algo de grande importância já que é cada vez menor a sua margem de lucro

Por Thiago Pereira

Esse é o terceiro artigo de uma série nossa sobre Gestão de Pecuária Leiteira, você pode acessar o primeiro artigo aqui e o segundo aqui.

Além disso, segundo a avaliação do Consultor em gestão de projetos para a pecuária de corte e diretor da Sociedade Rural Brasileira, Francisco Vila, as projeções futuras são de que pelo menos 60% dos produtores deixem a atividade em um período de 20 anos.

Sendo assim, a palavra chave para a rentabilidade do sistema é PLANEJAMENTO, mas planejar requer uma serie de conjunto de fatores que vão determinar o sucesso desse planejamento. É por isso que estamos trabalhando esses Pilares de Sustentação da empresa rural, para poder possibilitar as tomadas de decisão com base em dados sólidos e realistas.

Antes de iniciar a matéria, gostaria de deixar aqui um pensamento que é meu, mas que também reflete maior parte dos pecuaristas de leite desse país. Semana passada o Governo fez mais uma de suas manobras pra tentar “tampar o sol com a peneira” com medidas que são na verdade insulto ao produtor do campo. Para conferir a matéria completa clique aqui.

Sem mais delongas, nas duas primeiras matérias definimos os pilares da empresa rural conforme a imagem abaixo. Além disso, já foram discutido os pilares da Nutrição, Rebanho e Rotina. Se você já teve oportunidade de aplicar as técnicas no seu dia a dia, deixe pra gente o seu comentário e vamos te ajudar a melhorar a sua empresa.

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Fonte: Thiago Pereira

Seguindo a nossa figura, lembrando que todos os pilares possuem suma importância dentro da empresa, vamos falar nesta matéria sobre Equipe, Conforto.

Quando chegamos a uma propriedade rural, logo conseguimos identificar a equipe de trabalho, mas nem sempre conseguimos entender a organização dessa equipe. Sabe por que?

Porque nem sempre as atividades são divididas de forma organizada e conhecida pela equipe de trabalho. Isso se torna prejudicial ao sistema de produção, já que a organização precisa de uma hierarquia definida para que possa ser cobrado o resultado final, de forma eficaz, e evitar o tão conhecido “jogo de empurra-empurra”. Além disso, quando bem definido as obrigações é possível se estabelecer um pagamento adicional por meta atingida.

Vamos elencar aqui, alguns pontos importantes para se observar e trabalhar nesse pilar da sua empresa rural:

  • É preciso estabelecer de forma ciente entre os colaboradores envolvidos no trabalho quem são os superiores diretos e indiretos;
  • O conhecimento do colaborador em relação ao cargo para que foi contratado, bem como suas atribuições e função dentro da empresa rural;
  • Verificar sempre se há fidelização do colaborador a empresa rural, evitar a troca de funcionários de forma constante é prejudicial ao sistema de produção, já que sempre que é efetuado um desligamento, é necessário um tempo de adaptação do novo encarregado;
  • Estabelecer uma rotina de treinamento da mão de obra para a função que exerce, e a sua reciclagem para estar sempre apto a desenvolver as atividades da melhor maneira para o sistema de produção;
  • Avaliação periódica das atividades exercidas pelos colaboradores é de fundamental importância. Quando avaliamos, estamos gerando informações importantes para poder evitar perdas por falta de conhecimento, tempo ocioso, dentre outros fatores.
  • Verificar e fiscalizar a utilização dos Equipamentos de Proteção Individual é obrigatório para toda empresa que preze pela qualidade de vida dos seus colaboradores.

Uma dica importante é que você mantenha, dentro do setor, um quadro com responsabilidades e metas a serem atingidas pelos colaboradores do setor. Quando for menor a propriedade, adote esse quadro geral dentro do setor da administração da propriedade.

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Figura 2 – Treinamento de mão de obra. Fonte: Embrapa

Agora que estamos com a equipe formada, bem treinada e empenhada no desempenho positivo da empresa rural, vamos falar sobre o pilar do Conforto. Os animais de produção são muito sensíveis quando analisamos os efeitos climáticos e de manejo, além da sua interação com o meio em que está inserido. E esse efeito quando é negativo, temos queda de produção e reprodução. Sendo assim, o conforto animal é algo que não podemos deixar de lado para se alcançar a máxima produção e rentabilidade do sistema, até porque foi provado cientificamente que vacas que recebem carinho produzem mais leite.

Vamos abordar, de forma sucinta, os pontos importantes para se avaliar quando nos referimos a o conforto animal:

ORDENHA

Verificar sempre os índices de temperatura e umidade dentro das instalações onde os animais se encontram. Quando criado a pasto deve se observar a área de sombreamento. Verificar se os equipamentos estão em dia com a manutenção. Adotar e estabelecer as regras para condução dos animais até a ordenha, bem como verificar se o tempo de espera está adequado ou acima do recomendado. Observar se o tamanho dos lotes está de acordo com dimensionamento da capacidade da ordenha e se sua estrutura permite que o animal se sinta seguro.

COCHO/BEBEDOURO

O lote deve ser dimensionado de acordo com a capacidade da linha de cocho, lotes superlotados não permitem ao animal o acesso ao cocho e acaba gerando brigas para poder se ter acesso ao alimento. Manter os bebedouros limpos e sempre com água disponível ao animais. Utilizar sal de cocho a parte é uma forma de garantir a ingestão dos minerais. Nas categorias criadas a pasto ou mais jovens, verificar se a altura dos cochos está de acordo com o tamanho da categoria que tem acesso a ele.

ÁREA DE CIRCULAÇÃO

Observar se o espaçamento está adequado para os animais, bem como se o piso fornece aderência para os animais poderem circular. Dê preferência que os animais possam ficar alojados o mais próximo da ordenha, evitando longos trajetos até ela. Quando criados a pasto, verificar área de sombreamento e drenagem do terreno, evitando excesso de sol e de lama na época das águas.

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Figura 3 – Ambiente impróprio para o conforto dos animais

Para falar sobre instalações para os animais serem alojados como free stall, compost barn, bezerreiros e outros, estão sendo discutidos a parte devido a sua tamanha importância para o sistema. Se tiver interesse, confira essa matéria sobre Compost Barn clicando aqui.

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Figura 4 – Planejamento GEA, com todo conforto e tecnologia do mercado

A atividade leiteira é um mercado com margens muito estreitas, porém quando o trabalho é feito com gerenciamento e empenho, essas margens passam a ser maiores pois a eficiência do sistema aumenta e suas decisões são tomadas com base em informações concretas. Mas o que fazer para se alcançar esse sucesso? Essas matérias são ponto de partida que você precisa.

Pensando nisso, estamos publicando essa série de artigos sobre o tema Gestão da Empresa Rural, pois queremos a sua participação para podermos juntos fazermos de você um empresário rural.

Quer saber mais, não perca tempo e realize o seu cadastro gratuito, estamos organizando uma equipe de propriedades rurais para podermos aplicar de forma gratuita todas essas técnicas descritas nestas matérias.

“Inovar não é, necessariamente, adotar tecnologias novas. Inovar é se adaptar continuamente ao mercado” (Vicente Falconi)

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Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa

MBA em Gestão de Projetos pela UNIUBE, idealizador do projeto Tecnologia para o Agronegócio. Possui base técnica e experiência de campo em propriedades de corte e leite. Atua com foco no atendimento ao cliente, qualidade dos serviços prestados e no alcance de metas e melhores resultados para a sua empresa.
(35) 99894-0080
thiagorp100@gmail.com

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