O ano recorde das commodities brasileiras

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Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Balanço 2020: Soja, café, açúcar, algodão e carnes foram as principais commodities brasileiras que bateram recordes de exportações em 2020

Soja, café, açúcar, algodão e carnes foram as principais commodities brasileiras que bateram recordes de exportações em 2020. Dados divulgados esta semana pelo Ministério da Economia reforçaram a forte demanda externa, principalmente por parte da China, em meio a um cenário de pandemia. Principal produto de exportação do Brasil em valores, a soja, segundo dados do governo, apesar de não ter superado o recorde em volume de 2018, teve um aumento nos embarques de 13% em relação a 2019, para 83 milhões de toneladas, contando com a firme demanda chinesa.

Em 2020, as exportações da oleaginosa ficaram apenas 200.000 toneladas abaixo do volume do ano anterior, e as exportações de farelo de soja tiveram máximas históricas no ano passado, somando 17.5 milhões de toneladas.

“Tudo indica que a tendência de alta iniciada em 2020 deverá se manter nesse ano. A soja, o farelo de soja, o milho e o trigo registraram as maiores cotações dos últimos seis anos e meio na Bolsa de Chicago, e o algodão as maiores cotações em dois anos e nove meses da Bolsa de Nova York”, afirmou o vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Hélio Sirimarco.

No caso do algodão, as exportações da pluma atingiram máximas históricas em valor, com US$ 3.2 bilhões e um total de 2.12 milhões de toneladas, contando, mais uma vez, com a demanda da China, que também ajudou o País a registrar as maiores exportações de carnes bovina e suína, de 2.02 milhões de toneladas (estimativa) e 1.021 milhão de toneladas, respectivamente.

Café

Já o café não torrado fechou o ano com embarques históricos de 2,373 milhões de toneladas (ou 39.55 milhões de sacas de 60 kg), e aumento de 7,20% no volume embarcado e 9,60% no faturamento, para quase US$ 5 bilhões.

A safra recorde, a melhoria de preços e o dólar favorável contribuíram para os resultados, segundo Ruy Barreto Filho, diretor técnico da SNA. “A pandemia também ajudou a elevar o consumo, e apesar de uma safra recorde, os preços se mantiveram”, acrescentou.

“Para 2021, o volume de exportação deverá diminuir um pouco, mas não o valor. A safra deverá ser menor. O café sempre teve um ano bom e outro pior. É uma questão natural, sempre foi assim”, concluiu Barreto.

Açúcar

O açúcar foi outro produto que registrou recorde na esteira das compras dos chineses, que conseguiram sair mais rápido da pandemia. Os embarques totais do adoçante atingiram 31 milhões de toneladas, somando quase US$ 9 bilhões.

Para o ex-ministro e titular da Academia Nacional de Agricultura da SNA, Roberto Rodrigues, três fatores contribuíram para o expressivo aumento das exportações de açúcar em 2020.

“Por questões climáticas, a safra indiana foi muito menor que nos anos anteriores. Com isso caiu a oferta global e os preços aumentaram”.

Além disso, continuou, “devido à pandemia, veio a expectativa de redução de consumo de combustíveis líquidos no Brasil, aí incluído o etanol. Como consequência dessa expectativa, o setor decidiu fazer uma safra mais açucareira do que alcooleira. Ou seja, as usinas que puderam, ajustaram a moagem de cana para produzir mais açúcar. Os preços altos do açúcar no mercado global estimularam ainda mais esta decisão”.

Por fim, complementou o ex-ministro, “a pandemia fez com que os países importadores de açúcar se preocupassem mais com o abastecimento do produto para seus cidadãos. Isso alimentou a demanda global. E o Brasil tinha mais açúcar que o normal para exportar”.

Rodrigues disse que “ainda é cedo demais” para avaliar o que deverá acontecer em 2021, porém, ele acredita em um cenário semelhante ao do ano passado. Fora do setor agrícola, o petróleo e o minério de ferro também registraram recordes na pauta de exportações do País.

Década

Dados do Ministério da Economia indicaram ainda que 2020 foi um dos melhores anos da década passada na agropecuária. Segundo a Pasta, de 2011 a 2020, as exportações do agronegócio ficaram próximas de US$ 1 trilhão, o que resultou em um saldo comercial de US$ 800 bilhões, sem considerar os gastos com importação de insumos.

O avanço do País, em volume e em variedade de produtos em mercados até então pouco explorados, fez com que a participação das exportações do agronegócio, que somavam 37% do total da Balança Comercial em 2000, aumentassem para 49% em 2020.

Ainda segundo o ministério, no ano passado, o Brasil produziu 83 milhões de toneladas de grãos, volume que aumentou para 149 milhões em 2010 e para 257 milhões de toneladas em 2020.  Já o O VBP (Valor Bruto da Produção) de 2011 a 2020 atingiu R$ 7.4 trilhões, ou seja, 95% mais, em termos reais, do que o da década de 2001 a 2010.

Fontes: Reuters/Folha de S.Paulo/DBO/ABPA

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