Piora a relação de troca para o pecuarista, confira!

PARTILHAR
vaqueiro-salgando-o-cocho
Foto: MD Pecuária

Alta nos preços dos suplementos minerais piora a relação de troca para o pecuarista; Além disso, os recuos nos preços da arroba trazem apreensão!

O fosfato bicálcico é a principal fonte de fósforo para os bovinos, principalmente em rebanhos produzidos em pasto e que recebem suplementação devido à deficiência do mineral nas pastagens tropicais. O fosfato pode representar até 80% do custo da suplementação.

O insumo também é utilizado para suprir os níveis nutricionais de fósforo na ração de suínos e aves. A obtenção do fosfato bicálcico envolve duas etapas de produção. A primeira é a produção do ácido fosfórico através da reação de rocha fosfática, composta por fluorapatita, com o ácido sulfúrico. O processo utiliza preferencialmente rochas ígneas, mais puras, com menor presença de contaminantes.

Na segunda etapa, há a neutralização do ácido fosfórico com cal, convertendo o ácido fosfórico para a fase salina insolúvel, formando o fosfato bicálcico.

Essencial

O fósforo é essencial para que as reações bioquímicas ocorram de forma correta no organismo dos bovinos. Seu papel principal é a formação da molécula adenosina trifosfato (ATP), responsável pela liberação de energia para as células dos seres vivos. Ele também atua no crescimento e fortalecimento de ossos e tecidos.

O fornecimento de fósforo abaixo das exigências nutricionais afeta diretamente o desempenho, provocando queda de peso em bovinos de corte em fase de engorda, queda na produção de leite de vacas em lactação, perda da qualidade dos ovos e compromete o desenvolvimento ósseo de aves de corte.

Consumo no Brasil 

A forma comum de fornecimento de fósforo aos bovinos é através da suplementação mineral, podendo já ser pronto para o uso; com necessidade de diluição; com ureia; proteicos; proteicos energéticos; núcleos e concentrados.

A utilização de suplemento mineral para bovinos cresceu nos últimos anos. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram), houve aumento de 17,02% nas vendas na comparação de 2018 com 2020, último ano consolidado.

Em 2021, no primeiro semestre, foram vendidos 1,2 milhão de toneladas de suplemento mineral para bovinos, crescimento de 13,85% na comparação com o primeiro semestre de 2020. A expectativa é de crescimento também no segundo semestre.

O crescimento da quantidade de suplemento mineral se deve ao aumento da adoção de tecnologias para a bovinocultura de corte, principalmente para animais em pasto.

Figura 1. Quantidade, em mil toneladas, de suplementos minerais vendidos por categoria.

*Dados do primeiro semestre
Fonte: Asbram / Elaboração: Scot Consultoria

Preços dos suplementos minerais

Além da demanda aquecida, a alta do dólar puxou para cima as cotações dos suplementos minerais no mercado brasileiro desde meados de 2020.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na praça de São Paulo, em julho, a saca de 30 quilos de um suplemento mineral pronto para o uso, com 88g de fósforo por quilo de suplemento, ficou cotada, em média, em R$135,14.

Houve aumento de 16,3% na comparação mensal e alta de 66,8% na comparação anual. Veja a figura 2.

Figura 2. Evolução dos preços (R$) da saca de 30 quilos de suplemento mineral com 88g de P, em São Paulo, de 2019 a 2021.

Fonte: Scot Consultoria

Poder de compra do pecuarista

O pecuarista perdeu poder de compra frente aos suplementos minerais.

Em São Paulo, compra-se 2,3 sacas de 30 quilos do suplemento citado com o valor de uma arroba de boi gordo, uma queda de 6,7% na comparação mês a mês.

Desde abril, mês com a melhor relação de troca, o poder de compra caiu 23,1%, o equivalente a 20,7 quilos a menos do insumo por arroba de boi gordo.

Em doze meses, a queda foi de 14,6% ou 11,7 quilos de suplemento a menos por arroba de boi gordo.

Figura 3. Relação de troca: sacas de suplemento alimentar bovino por arroba de boi gordo em São Paulo.

Fonte: Scot Consultoria

Considerações finais

A boa demanda por suplementos minerais, devido às condições das pastagens ruins, com o período seco do ano no Brasil Central, associada ao câmbio em patamares elevados, são fatores de sustentação das cotações dos suplementos em curto prazo.

Além disso, a dificuldade logística que algumas empresas do ramo de nutrição animal vêm enfrentando em relação ao abastecimento e distribuição do produto, por conta da pandemia de covid-19, também estão pesando no preço do insumo.

Fonte: Scot Consultoria

Todo o conteúdo áudio visual do CompreRural está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral, sua reprodução é permitida desde que citado a fonte e com aviso prévio através do e-mail jornalismo@comprerural.com