O ciclo é interdependente: com o preço do boi gordo em alta, os pecuaristas ganham mais na venda, o que permite investir em mais bezerros, elevando os preços dos animais de reposição. Com isso, indicador do bezerro apresentou uma valorização significativa, alcançando R$ 2.517,72/cab.
O mercado do bezerro no Brasil, em especial no Mato Grosso do Sul, está em plena ascensão. Segundo dados do CEPEA, o indicador do bezerro ESALQ/BM&FBOVESPA apresentou uma valorização significativa, alcançando R$ 2.517,72/cab no dia 11 de novembro de 2024 – preço é o maior valor registrado pelo Indicador nos últimos dois anos. Esse valor representa uma variação diária de 0,59% e um aumento de 4,51% no mês. Em dólares, a cotação chegou a US$ 436,27, evidenciando o impacto positivo da demanda e da valorização da arroba do boi gordo. Qual a expectativa para o preço do bezerro?
O mercado de boi gordo está em alta, com preços ultrapassando os R$ 340/@ em algumas regiões, impulsionados pelo aumento das exportações e pela oferta limitada de animais. Esse cenário reflete diretamente no mercado de bezerros, que também apresenta valorização. O ciclo é interdependente: com o preço do boi gordo em alta, os pecuaristas ganham mais na venda, o que permite investir em mais bezerros, elevando os preços dos animais de reposição. Esse movimento sinaliza uma nova fase para a pecuária brasileira.
A forte demanda por parte de recriadores e invernistas tem sido um dos principais fatores por trás da elevação nos preços dos animais de reposição. De acordo com Mariana Guimarães, médica-veterinária e analista da Scot Consultoria, há tempos o mercado não observa uma estabilização nos preços dos bovinos não-terminados. A procura aquecida reflete um cenário de escassez de oferta, sustentando os preços em níveis elevados.
Evolução dos preços no mercado paulista
Nas praças de São Paulo, as últimas semanas foram marcadas por uma alta consecutiva dos preços: 12 semanas para o bezerro de ano, 11 semanas para o boi magro, 9 para o garrote e 8 para o bezerro de desmama. Mariana destaca que, nos últimos sete dias, o mercado paulista registrou uma média de R$ 154,74 de alta por cabeça para os machos. Para as fêmeas, o aumento foi de R$ 25,72 por cabeça.
Na comparação semanal, a cotação do bezerro de ano foi a que mais se valorizou (6,3%) entre os machos anelorados, seguida pelo boi magro (6,2%), garrote (5,0%) e bezerro de desmama (2,3%). Entre as fêmeas, a vaca boiadeira foi destaque com uma alta de 3,1%.
É notável a reação da cotação da reposição a partir de outubro e a tendência é de alta.

Relação de troca e impacto nos recriadores
A valorização dos bezerros tem impactado o poder de compra dos recriadores e invernistas, que enfrentam uma pior relação de troca em relação ao bezerro de ano (7%), boi magro (4,8%), bezerro de desmama (7,6%) e garrote (2,9%). Atualmente, segundo Mariana, com a venda de um boi gordo de 19@ em São Paulo, é possível comprar 2,53 bezerros de desmama, 2,12 bezerros de ano, 1,83 garrote e 1,49 boi magro.
Apesar da resistência dos pecuaristas em aceitar preços mais altos, a oferta limitada de animais de reposição tem sustentado as cotações.
Perspectivas para o curto e médio prazo
Para o futuro próximo, a tendência é de continuidade na alta dos preços. A analista Mariana Guimarães afirma que, devido à oferta limitada e à alta demanda impulsionada pelo mercado de boi gordo, o cenário deve permanecer aquecido. Em recente entrevista ao Canal Rural, Leandro Bovo, CEO da Radar Investimentos, reforça que o ciclo de alta atual é reflexo da valorização do boi gordo, o que permite ao pecuarista comprar mais bezerros e, assim, mantém os preços elevados.
Além disso, as exportações recordes de carne bovina, especialmente para a China, têm aquecido a demanda, incentivando os pecuaristas a intensificar a reposição. O Brasil, considerado o “supermercado do mundo”, está observando uma pressão de demanda que tende a manter os preços em alta.
Planejamento e estratégias para o pecuarista
Com o novo patamar de preços, Bovo alerta para a necessidade de um planejamento estratégico por parte dos pecuaristas. A reposição cara exige que o preço do boi gordo também continue valorizado para garantir a margem de lucro. “A tendência é de preços sustentados, com base na demanda externa e no mercado interno,” conclui Bovo, ressaltando que, neste cenário, o produtor deve estar atento para aproveitar as oportunidades de valorização.
“A tendência é de preços sustentados, com base na demanda externa e no mercado interno”, conclui Bovo.
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