Produtividade do agro colocará o Brasil em outro patamar

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Foto: Divulgação

Tecnologias na agropecuária reduzem necessidade de aumento de área.

Sustentabilidade na produção será um ponto cada vez mais exigido da agropecuária, principalmente no Brasil, que vem aumentando seguidamente sua participação no mercado mundial.

Produtividade é o caminho, e os números que surgem poderão colocar o país em uma situação bastante confortável. Embora em alguns casos ainda em fase de experimentos, esse aumento de produtividade avança e está cada vez mais perto da produção em escala comercial.

Quanto maior a produtividade, maior o volume produzido e menor a demanda de novas áreas de produção. Esse avanço depende, no entanto, não apenas das novas tecnologias que surgem, mas também da ação do produtor, com manejo adequado de sua atividade.

Especialistas acreditam que, devido aos recentes e seguidos anos de boa renda da agropecuária, haverá uma adoção maior de novas tecnologias e investimentos na produção.

Boa parte do agronegócio já olha para a frente e vê que não é só com o acúmulo de novas áreas que há aumento de produção. Ela vem, principalmente, com a adoção de novas tecnologias no campo.

Dois setores se sobressaem no agronegócio brasileiro: a produção de grãos e a de proteínas. No setor de grãos, o destaque fica com a soja, que ocupa 40 milhões de hectares. Após o acelerado avanço de área, o setor sojicultor busca cada vez mais produtividade.

A média dos primeiros cinco anos da década de 1990 era de 2.031 quilos por hectare (kg/ha). Nos últimos cinco, esteve em 3.428 kg, ou seja, uma média nacional de 57 sacas.

Experimentos, porém, indicam que a produtividade pode chegar a 129 sacas por hectare, segundo o Cesb (Comitê Estratégico Soja Brasil).

Esse patamar não será atingido rapidamente, mas o agricultor paranaense que chegou a esse volume, ocupando uma porção pequena de sua propriedade, obteve produtividade média de 90 sacas por hectare em sua fazenda.

Se atingisse a marca média de 90 sacas por hectare (5.400 kg), o país precisaria utilizar apenas 26 milhões de hectares para obter a produção de 142 milhões de toneladas, volume estimado para 2021/22. O Brasil semeará neste ano 40 milhões de hectares.

A pecuária passa pelo mesmo processo. A produtividade média é de 4,1 arrobas (15 kg cada uma) por hectare. A Athenagro, consultoria que, junto com a Agroconsult, faz um acompanhamento anual da pecuária em centenas de fazendas, aponta que, em 1% delas, a produtividade chega a 103 arrobas, considerando as propriedades com tecnologia.

O Brasil tem 162 milhões de hectares destinados à pecuária, boa parte dessa área em condições degradadas e de baixa produtividade. Na avaliação da Athenagro, 10% das fazendas visitadas pela consultoria chegam a 34 arrobas por ano por hectare, mas o setor ainda tem muito a crescer.

Se chegar ao topo dessa produtividade já atingida por algumas fazendas, o Brasil terá capacidade de alimentar todo o planeta com carne bovina. A cana-de-açúcar é outra cultura que está com a produtividade represada, segundo Luiz Antônio Dias Paes, diretor comercial do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira).

As novas variedades que estão no portfólio garantem um avanço de 20% na produtividade. Próxima de 80 toneladas por hectare —este ano será menor devido à seca e à geada—, a produtividade média atingirá 100 toneladas em um futuro não longínquo, diz Paes.

Ao contrário dos grãos, setor no qual a assimilação dos avanços tecnológicos é mais rápida devido ao plantio anual das lavouras, o setor de cana demora mais, uma vez que a renovação dos canaviais ocorre em apenas 15% da área por ano.

No caso da cana, o Brasil detém tecnologia de ponta no mundo. Novas variedades, edição genômica e genes com controle de pragas e resistência a herbicida e a seca —tecnologias que continuam chegando às lavouras— elevam produção, dão maior longevidade à cana e favorecem a rentabilidade no setor.

No caso do milho, são necessários ajustes no cultivo, e a produção ainda não reflete o potencial genético à disposição. Com produtividade atual média de 6.416 kg/ha na primeira safra, é factível um avanço médio para 7.200 kg, segundo Lauro Guimarães, pesquisador e chefe-adjunto de transferência de tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo. Em regiões mais favoráveis, como o Paraná, e desde que se utilizem tecnologias recomendadas, a produção já atinge 14.000 kg em lavouras comerciais.

Guimarães diz que a produtividade do milho está mudando de patamar. O potencial, desde que dentro de situações favoráveis de clima, com manejo do solo e controle de pragas e de doenças, pode atingir 18.000 kg/ha.

No Rio Grande do Sul, em área pequena e com tratos culturais intensivos, já se obtiveram 24.000 kg/ha, segundo o pesquisador. O Brasil vem se destacando também na produção de algodão. Apesar da evolução recente da produtividade, o potencial ainda é grande.

De acordo com o consultor agronômico, Celito Breda, a média de produção na Bahia é de 315 arrobas por hectare no estado, mas alguns produtores já conseguem 550 arrobas no cultivo de algodão sequeiro em pequenas áreas.

Em área irrigada já se chegou a 620 arrobas, diz Breda, que também é produtor e supervisor do programa fitossanitário da Abapa (associação dos produtores da Bahia). Um dos maiores importadores mundiais de trigo, o Brasil pode reverter essa situação, aumentando a produção.

Atualmente em 3.027 kg/ha, a produtividade pode ser dobrada, segundo Giovani Faé, chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Trigo. Em algumas áreas, com manejo adequado e condições climáticas favoráveis, a produção do trigo sequeiro já atinge 8.000 kg/ha, segundo ele.

Quando se trata de trigo irrigado, o Brasil é líder em produtividade, se levados em consideração volume e tempo de produção. A produtividade brasileira chegou a 9.630 kg/ha neste ano em uma lavoura de 119 dias, em Goiás. A Nova Zelândia produziu 17.300 kg/ha, mas em 300 dias. Enquanto a produtividade brasileira chega a 81 kg por dia, a da Nova Zelândia fica em 58 kg.

Fonte: Folha de S. Paulo

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