Tarifa sobre grãos importados será retirada

Tarifa sobre grãos importados será retirada

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Arroz Lavoura
Foto: Divulgação

Governo vai retirar tarifas de importação de arroz, milho e soja; Setores do governo entendem que houve ruptura da oferta de matéria-prima e isso comprometeria a segurança alimentar

O governo federal deverá suspender a incidência da Tarifa Externa Comum (TEC) de 12% sobre o arroz – entre outros grãos – para buscar maior equilíbrio na relação de oferta e demanda do mercado brasileiro. Ainda há resistência no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), pois esta “é uma medida que ninguém quer tomar”, segundo fontes na instituição, “mas o governo foi colocado contra a parede com a escalada de preços que gerou cotações descoladas da realidade”, no entendimento dos técnicos.

Para um dirigente do alto escalão do governo, o cenário indica uma ruptura na oferta com os produtores que ainda dispõe de arroz determinando uma alta artificial nas cotações, muito distante da realidade. Pelo modelo econômico adotado para avaliação, a saca de arroz no Rio Grande do Sul deveria estar entre R$ 73,00 e R$ 75,00, já com bom nível de rendimento, mas além do indicador Esalq/Senar-RS alcançar R$ 88,49 (ou US$ 16,02) ontem, chegaram notícias ao governo de negócios por até R$ 115,00.

Não há uma preocupação com o abastecimento, pois apesar de um quadro de oferta e demanda ajustada, o Brasil tem arroz e o Mercosul também. A questão é que este arroz não está sendo ofertado e isso tem gerado uma reação preocupante no mercado. É um movimento normal, mas que exige uma resposta do governo no sentido de tranquilizar os consumidores e buscar um equilíbrio maior nos preços finais”, observou o dirigente. Segundo ele, o governo também está muito preocupado com relação ao próximo ano, por isso está segurando, até agora, uma medida mais radical.

É preciso agir conforme a necessidade. Uma importação exagerada poderá afetar o mercado do ano que vem. Esperamos até agora para ver se um movimento de compras no Mercosul e um maior fluxo de oferta aconteceriam, levando os preços para patamares entre R$ 75,00 e R$ 80,00. Até porque está difícil comprar lá fora também, pois as cotações estão altas e as disponibilidades dos EUA são pequenas até outubro”, reconheceu a fonte. Ainda de acordo com o representante do governo, a decisão está tomada. O que falta, agora, é determinar o formato.

Nesta terça-feira, políticos ligados à cadeia produtiva interagiram bastante com o MAPA. Antes do anúncio das perspectivas de safra 2020/21, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina Dias já havia acionado suas redes de informações técnicas e políticas em busca de maiores informações sobre o “sentimento do setor”. “Sabemos que o arroz está um pouco caro para o brasileiro, mas estamos trabalhando para resolver isso”, disse ela na live de apresentação. O grande debate no momento é o volume, que se estiver baseado em dados técnicos da Conab deve ficar em 300 mil toneladas originadas fora do Mercosul – e se a liberação ocorrerá por cotas fracionadas – o que alguns agentes consideram que pode não surtir o efeito de equalização nas cotações internas.

Ora, ao que parece, o MAPA não pretende autorizar uma suspensão por período, o que geraria o risco de compras acima do necessário, e isso poderia comprometer o mercado em 2021. Algumas tradings já estão com cargas compradas nos EUA, Guiana e na Índia, faltando apenas bater o martelo no momento em que cair a TEC. A tarifa chega a representar 14% do preço de internalização do arroz.

Adaptado de AgroDados/Planeta Arroz

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