Nova tarifa de 25% dos Estados Unidos entra em vigor em 22 de julho, mas preserva itens estratégicos como café, carne bovina, tilápia, petróleo e aeronaves brasileiras.
O tarifaço de Trump sobre parte das exportações brasileiras aos Estados Unidos começa a valer em 22 de julho de 2026. A medida estabelece uma cobrança adicional de 25%, mas exclui uma série de produtos considerados estratégicos para o mercado americano, entre eles café, carne bovina, pescados, petróleo, fertilizantes e aeronaves.
A lista final foi divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, após uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O processo analisou políticas brasileiras que, segundo o governo americano, dificultariam a atuação de empresas dos Estados Unidos.
Para o agronegócio brasileiro, a decisão trouxe resultados distintos. Segmentos importantes conseguiram permanecer fora da cobrança, enquanto fabricantes de máquinas, produtores de etanol e exportadores de açúcar orgânico estarão sujeitos à nova tarifa.
Produtos do agro isentos do tarifaço de Trump
Entre os principais produtos agropecuários que não terão a cobrança adicional estão diferentes categorias de carne bovina, incluindo cortes frescos, refrigerados, congelados e processados.
A lista também contempla miudezas bovinas, como línguas e fígados, além de determinados tipos de pescados e crustáceos. Tilápia, atum, cavala, espadarte, lagosta e lagostins-do-mar aparecem entre os itens preservados, respeitando as classificações aduaneiras estabelecidas pelo governo americano.
O mel natural orgânico certificado também ficou fora da medida.
Representantes dos setores de café, mel e pescados participaram das audiências públicas realizadas pelo USTR nos dias 6 e 7 de julho. Durante as discussões, empresas e entidades argumentaram que a taxação poderia elevar os custos dos importadores e dos consumidores americanos.
Café, frutas e sucos permanecem sem a taxa adicional
O café brasileiro, seja torrado, não torrado, tradicional ou descafeinado, foi incluído na lista de exceções. A decisão reduz o risco de perda de competitividade em um dos principais mercados consumidores do produto.
Também ficaram isentos chá verde, chá preto, erva-mate e diferentes especiarias, como pimenta, páprica, canela, cravo, gengibre, cúrcuma, cominho, cardamomo e noz-moscada.
Entre as frutas, a relação inclui:
- banana;
- abacaxi;
- abacate;
- manga;
- goiaba;
- laranja;
- limas;
- mamão;
- kiwi;
- coco;
- castanha-do-pará;
- castanha de caju;
- macadâmia.
Sucos de laranja, abacaxi e outras frutas cítricas, além da água de coco, também escaparam da cobrança.
Na categoria de raízes, hortaliças e legumes, aparecem produtos como mandioca, inhame, taro, chuchu, tomate, brotos de bambu, alcaparras e cogumelos secos.
O que será atingido pelo tarifaço de Trump
A nova cobrança deverá afetar principalmente mercadorias industrializadas e produtos com maior valor agregado.
Entre os itens sujeitos à tarifa estão:
- etanol;
- máquinas agrícolas;
- equipamentos de mineração;
- maquinário elétrico;
- bens de capital;
- vestuário;
- calçados;
- ferramentas de jardinagem;
- açúcar orgânico;
- papel;
- produtos químicos não incluídos nas exceções;
- manufaturados e itens industriais processados.
A tarifa pode encarecer esses produtos no mercado americano e reduzir a margem dos exportadores brasileiros. O impacto dependerá das condições de cada contrato e da capacidade das empresas de dividir o novo custo com importadores e compradores.
No segmento de máquinas agrícolas, por exemplo, o acréscimo de 25% pode prejudicar a competitividade de equipamentos produzidos no Brasil diante de fornecedores de outros países.
O etanol também permanece no centro das divergências comerciais. Os Estados Unidos alegam que os produtores americanos enfrentam condições desfavoráveis para acessar o mercado brasileiro.
Petróleo, minérios e fertilizantes foram preservados
A lista de exceções inclui matérias-primas relevantes para a indústria e para a segurança energética dos Estados Unidos.
Petróleo bruto e refinado, gás natural, biodiesel, propano, butano, carvão, lubrificantes e outros derivados energéticos não serão atingidos pela nova cobrança.
No setor mineral, ficaram de fora produtos como:
- minério de ferro;
- cobre;
- níquel;
- alumínio;
- zinco;
- estanho;
- cobalto;
- grafite;
- caulim;
- fosfatos;
- magnésio;
- urânio;
- titânio.
A isenção também alcança fertilizantes de origem animal ou vegetal, ureia, sulfato de amônio, nitratos e superfosfatos.
Esses produtos são utilizados por cadeias produtivas americanas e, em alguns casos, não possuem oferta doméstica suficiente para substituir rapidamente as importações brasileiras.
Medicamentos, computadores e aeronaves ficam fora da cobrança
Produtos médicos e farmacêuticos foram amplamente protegidos. A relação contempla vacinas humanas e veterinárias, plasma, produtos imunológicos, insulina, penicilinas, corticosteroides e vitaminas.
Computadores, notebooks, unidades de armazenamento, circuitos integrados, monitores, projetores e smartphones também estão entre os produtos isentos.
No setor aeronáutico, a exceção inclui aviões, helicópteros, drones, motores, hélices e trens de pouso.
A decisão é relevante para a cadeia brasileira de aviação, que mantém forte integração com empresas, fornecedores e clientes dos Estados Unidos.
Por que os Estados Unidos anunciaram a tarifa
O USTR afirma que determinadas políticas adotadas pelo Brasil prejudicam empresas americanas ou criam barreiras comerciais.
A investigação abordou temas como:
- funcionamento do PIX;
- regulação de plataformas digitais;
- acesso do etanol americano ao Brasil;
- proteção da propriedade intelectual;
- pirataria;
- acordos comerciais brasileiros;
- fiscalização ambiental;
- combate ao trabalho forçado.
O governo brasileiro rejeita as acusações. Em sua manifestação ao USTR, argumentou que o PIX é uma infraestrutura pública disponível para instituições nacionais e estrangeiras e que as decisões envolvendo empresas de tecnologia seguem a legislação brasileira.
O Brasil também defendeu que seus acordos comerciais respeitam as normas internacionais e que assuntos internos, como regras para plataformas digitais e decisões judiciais, não deveriam justificar a adoção de sanções comerciais.
Audiências ajudaram a ampliar a lista de exceções
Durante as audiências públicas, entidades brasileiras e companhias americanas defenderam a retirada de produtos da proposta inicial.
Participaram das discussões representantes da Confederação Nacional da Indústria, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos.
O argumento central foi que vários produtos importados do Brasil são utilizados por empresas americanas e não possuem substitutos equivalentes em quantidade suficiente.
Entidades dos setores de construção, mineração, habitação e alimentos também alertaram que a cobrança poderia aumentar preços nos Estados Unidos sem necessariamente estimular a produção local.
Quando a medida começa a valer
A tarifa de 25% será aplicada a partir de 22 de julho de 2026. Mercadorias que já tiverem deixado o Brasil antes da entrada em vigor não deverão ser alcançadas pela cobrança.
O governo americano informou que a medida poderá ser revista ou suspensa caso considere que o Brasil modificou as práticas questionadas na investigação.
Outro processo comercial ainda pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5% contra produtos de diferentes países, incluindo o Brasil. Essa proposta está relacionada à fiscalização de mercadorias produzidas com trabalho forçado e ainda não teve sua aplicação definitiva confirmada.
Caso as duas cobranças sejam acumuladas, determinados produtos brasileiros poderão enfrentar uma tarifa total de até 37,5%.
Governo brasileiro analisa próximos passos
Com a publicação da lista, o governo brasileiro deverá avaliar o impacto sobre cada setor e definir sua estratégia de resposta.
Entre as possibilidades estão a continuidade das negociações diplomáticas, novas contestações técnicas e o eventual uso da Lei de Reciprocidade Econômica.
Para os produtos isentos, a decisão reduz o risco imediato de perda de mercado. Já os setores taxados terão de considerar renegociações comerciais, redução de margens, busca por novos destinos de exportação e mudanças nas estratégias de produção.
O resultado final do tarifaço de Trump protege parte relevante das exportações brasileiras, mas mantém pressão sobre setores industriais e segmentos do agronegócio com forte presença no mercado americano.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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