Touro PO sem avaliação é ponta de boiada, diferença é grife

Touro PO sem avaliação é ponta de boiada, diferença é grife

touros nelore
Foto: Divulgação

Não é segredo para ninguém que eu sou uma defensora do uso de touros geneticamente avaliados e do cruzamento

Artigo publicado em janeiro de 2017

A estação de monta está praticamente encerrada na maioria das fazendas e claro que agora é tarde para chorar o leite derramado. Pensando para frente, agora é um bom momento para revisar os touros de uso, na hora de retirá-los das vacas.

Touros velhos, ou aqueles que estão em mal estado já podem ser direcionados para uma engorda e frigorífico. Aquele touro que você comprou do vizinho, baratinho, sem nenhum tipo de avaliação também deveria aproveitar o caminhão e seguir para o frigorífico. Que esses animais gerem receita para compra de touros efetivamente melhoradores para a próxima estação de monta.

Touro ruim é o barato que sai caro. Se todos os produtos desses touros sem avaliação fossem para o abate, o prejuízo seria de algumas arrobas aqui, outras arrobas ali. Qualquer prejuízo é negativo, mas esse seria o menor deles, apenas o custo da teimosia. O problema é que as fêmeas ficam e vão gerar netos e netas e, assim, o erro vai se tornando perpétuo.

Comprar touro ruim é deixar de ganhar dinheiro.

E não adianta argumentar que o touro é registrado. Touro registrado sem avaliação genética também é ponta de boiada. Só que boiada com pai e mãe conhecido. Registro é certificado de beleza e pureza racial, não diz nada sobre desempenho ou bagagem genética. O touro nada mais é do que uma embalagem bonita para um conjunto de genes. Pouco adianta a carroceria de uma Ferrari com um motor de fusquinha debaixo do capô. O motor, os genes, têm que ser bons.

Não aproveitar heterose é deixar de ganhar dinheiro.

Salvo os selecionadores de raças puras, não cruzar é deixar de ganhar. O produtor de carne tem uma ferramenta maravilhosa nas mãos chamada heterose, aquele ganho extra, em quilos, que acontece com o simples cruzamento entre animais de raças diferentes.

Mesmo os touros para cruzamento também precisam ser geneticamente avaliados. Algumas raças se valem apenas de resultados de heterose para se colocar no mercado, mas se esquecem que a heterose é um fenômeno genético que acontece apenas no animal cruzado, ela não é transmitida para os filhos. Nessa hora é preciso usar touros melhoradores para garantir boas matrizes no rebanho para as próximas gerações.

Às vezes, entre um bate papo e outro escutamos algumas coisas estranhas. Há uns dias eu li: “eu faço cruzamento para ganhar dinheiro, mas a minha paixão é uma raça zebuína”. Eu fico até sem dormir quando escuto essas coisas. Então esse pecuarista decidiu ganhar dinheiro com uma parte do gado (certamente as piores vacas) e outra parte ele mantém dando menos lucro só para atender uma paixão, um hobby. Não faz muito sentido. Se a sua fazenda é a sua empresa, o seu ganha-pão, por que se contentar com lucros menores?

Por isso a minha pergunta do início da coluna: você está mesmo ganhando todo o dinheiro que poderia? Infelizmente muita gente não está e nem sabe que não está ganhando.

Escolher raça por paixão é deixar de ganhar dinheiro. Não medir desempenho é deixar de ganhar dinheiro.

Eu sempre deixo o mesmo recado: a sua fazenda é a sua empresa, trate-a como tal. Tire dela tudo que ela pode lhe oferecer!

Fonte: Publicado na Revista Safra (17 Jan 2017)

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