Durval Queiroz Neto deixou a criação de gado de corte em Diamantino, uma das 10 cidades mais ricas do agronegócio brasileiro, para se tornar jogador profissional de futebol americano. Nascido na fazenda da família e integrante da quarta geração de pecuaristas, ele cresceu entre cavalos, bois e cabritos até descobrir, em 2010, o esporte que mudaria sua trajetória.
Quando cursava agronomia em Tangará da Serra, Durval foi apresentado ao futebol americano por um encontro casual na rua, motivado por sua altura de 1,94 metro. Na época, o esporte ainda era amador no Centro-Oeste.
Duzão, como ficou conhecido, descreveu o momento como amor à primeira vista, mas enfrentava um dilema: seguir o caminho seguro no agro ou arriscar tudo numa carreira desconhecida.
Da fazenda ao futebol americano profissional
A decisão veio rápido: Duzão se mudou para Cuiabá e treinou profissionalmente pelo Cuiabá Arsenal e pelo Galo FA nos três anos seguintes, até ser convocado para a seleção brasileira. O auge para qualquer atleta no país não bastava, e Duzão queria competir na NFL, a maior liga do futebol americano do mundo.
Em 2019, após passar pelo International Player Pathway Program — projeto que identifica talentos estrangeiros para a liga —, Duzão recebeu essa chance. O Miami Dolphins o anunciou como defensive tackle. Ele foi um dos quatro selecionados por times da Divisão Leste da Conferência Americana e o primeiro atleta vindo do Campeonato Brasileiro a integrar uma franquia da NFL.
Seu contrato com Miami durou três anos e valia US$ 1,755 milhão.
Absorvendo profissionalismo na maior liga do mundo
Durante os três anos no Miami Dolphins, Duzão precisou aprender os padrões de profissionalismo da NFL. Ele passava quase 10 horas por dia analisando adversários e memorizando um playbook com mais de 300 jogadas, tarefa que comparava ao manual de uma turbina de avião.
O time confiou nele, e o atleta correspondeu ao aprender o que o esporte exigia em profissionalismo e liderança.
Sua base no judô — esporte em que conquistou a faixa-preta e um título nacional —, somada ao porte físico, foi um diferencial. Durante sua passagem, recebeu a melhor nota dos Dolphins na estreia da pré-temporada de 2021, segundo avaliação do Pro Football Focus, que lhe deu 94,2 pontos.
Também mudou de posição, transitando de defensive tackle para guard conforme as necessidades táticas do time.
Retorno ao Brasil e reinvenção no agronegócio
Em 2022, Duzão retornou ao Brasil e retomou a ligação com a propriedade familiar, onde aplicou conhecimentos de agronomia e a disciplina adquirida no esporte. O Miami Dolphins não renovou seu contrato ao final da temporada, mas ele seguiu em frente.
Hoje, empreende em áreas variadas: fitness, restaurante, franquia de açaí e choperia, e também planeja investir em produtos do agronegócio. A trajetória de Durval Queiroz Neto começou na fazenda em Diamantino, onde cresceu entre cavalos, bois e cabritos. Depois, ganhou espaço nos campos da NFL e voltou ao Brasil, e sua paixão pelo agronegócio não desapareceu; ganhou disciplina global.













