Após a morte do pai, Kátia Mastroto herdou tanques de criação de tilápia em Presidente Epitácio, no interior de São Paulo. Sem experiência no setor, decidiu estudar aquicultura e assumir a propriedade enquanto enfrentava o luto.
Ao processar filés de peixe para vender, Kátia encontrou um problema recorrente entre piscicultores: a pele descartada não tinha destino simples e se tornava passivo ambiental nas propriedades. Dessa dificuldade nasceu a ideia de transformar o couro de tilápia em matéria-prima de valor agregado.
Um resíduo se torna matéria-prima valiosa
Kátia desenvolveu um processo de curtimento que utiliza tanino vegetal, extraído da casca de árvores, e não usa metais pesados. A técnica segue princípios de economia circular: a água usada no processamento recebe tratamento antes de irrigar hortas locais, sem contaminar o solo.
A matéria-prima é comprada de pequenos produtores, abatedouros e frigoríficos da região, gerando renda extra para esses fornecedores e evitando gastos com aterros sanitários. O couro tratado hoje abastece a fabricação de bolsas, calçados, tênis, roupas e joias de alto valor agregado.

Empreendedorismo feminino transforma o setor
Aos 45 anos, Kátia assumiu o controle de um negócio e recomeçou em um setor até então dominado por homens. O modelo combina cuidado ecológico e retorno financeiro, dois objetivos frequentemente tratados como contraditórios no agronegócio. Do descarte da pele ao produto final, cada etapa mostra como Kátia transformou um resíduo rejeitado em matéria-prima.
A experiência de Presidente Epitácio mostra que soluções sustentáveis podem nascer de problemas cotidianos da produção rural, sem depender de grandes investimentos externos. Antes descartado, o couro de tilápia chega às prateleiras como insumo refinado que diferencia bolsas, calçados, vestuário e joias exclusivas.













