As chuvas de setembro reforçaram as perspectivas positivas para a safra 2027/28. As floradas evoluíram conforme o esperado nas principais regiões cafeeiras, e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) confirmou que as precipitações consolidaram as perspectivas mapeadas desde o início do mês.
Porém, a formação de um El Niño intenso entre o fim de 2026 e o início de 2027 pode comprometer o potencial produtivo da safra 2027/28. O pegamento das flores — momento em que o cafeeiro converte flores em frutos — é a etapa mais vulnerável ao fenômeno climático.
Se o El Niño provocar temperaturas altas e estiagem prolongada nessa fase, o potencial produtivo do próximo ciclo ficará comprometido antes de os frutos começarem a se desenvolver. Os cafeicultores acompanham cada boletim climático nos próximos meses, pois o resultado das floradas pesa mais que qualquer chuva já registrada.
Por que o El Niño assusta o setor agrícola
Episódios fortes de El Niño costumam trazer calor fora do padrão e períodos prolongados de seca no Centro-Oeste. No Sudeste, esses efeitos ocorrem entre outubro e janeiro, quando o cafeeiro passa pela fase mais crítica do ciclo produtivo.
A combinação dessas condições climáticas compromete a absorção de água e nutrientes pela planta e reduz o número de frutos que conseguem se fixar nos ramos.
A probabilidade de o fenômeno que se forma no Oceano Pacífico se tornar um dos episódios mais intensos já registrados é de 75% entre outubro e janeiro.
Além de afetar o Brasil, a ameaça também atinge grandes produtores globais. O Vietnã, que lidera a produção de café robusta, projeta apenas um ligeiro aumento na safra 2026/27, embora as áreas replantadas nos últimos anos estejam entrando em uma fase de produtividade mais estável.
Esperança de melhor qualidade na próxima colheita
Enquanto o clima representa um risco, o mercado vê uma oportunidade de recuperação qualitativa. De acordo com o Cepea, a safra 2026/27 encerrou com volume alto, mas também com parcela significativa de grãos classificados como inferiores. Produtores aguardam que a 2027/28 reverta esse desempenho e ofereça maior quantidade de cafés bem classificados.
Esse resultado, porém, depende de como as lavouras atravessarão os meses de maior risco climático. A safra começou embalada pelas chuvas de setembro, mas o desfecho dependerá do comportamento do El Niño no Oceano Pacífico e de seus efeitos nas principais regiões produtoras brasileiras.













