Em uma fazenda de 6 mil hectares no oeste do Texas, onde o sinal de celular praticamente não existe. Tyler Chessir consegue mover 200 cabeças de gado Corriente-cross só com o celular na mão. A ferramenta é uma coleira da Nofence com GPS via satélite. Ela substitui a cerca física por um limite virtual controlado por aplicativo.
Chessir já usava coleiras Nofence havia dois anos, mas elas não tinham conectividade por satélite.
O modelo mais recente, batizado de N3, chegou com bateria mais durável, uma garantia de 10 anos e recursos automáticos que reduzem o trabalho manual e ajudam a monitorar a saúde do rebanho. As pré-encomendas abriram em 14 de setembro, mas o hardware será distribuído globalmente a partir da estação de pastejo de 2027.
Antes de contar com esse tipo de tecnologia, o produtor enfrentava dias inteiros de esforço físico só para erguer uma cerca convencional em terreno hostil.
Três dias cravando poste em meio a cactos
Para cercar apenas 50 acres e permitir o pastejo rotacionado das vacas, o criador passou três dias enfrentando arbustos com espinhos e cactos. Ele carregava uma furadeira na caminhonete só para abrir buracos nas pedras e conseguir fixar cada poste no chão duro.
O esforço não durou: veados derrubaram a cerca elétrica recém-instalada, e as vacas escaparam pelo buraco aberto. Foi esse tipo de frustração recorrente que empurrou o produtor para a virtualização das divisas do pasto.
Como funciona a coleira sem depender de torre
O produtor define as fronteiras virtuais no aplicativo da Nofence e reposiciona o gado com alguns toques na tela, sem erguer um metro de arame. O sistema também acompanha a atividade individual de cada animal, identifica cios e envia alertas de parto em tempo real.
Segundo o CEO da Nofence, Joachim Kähler, com o N3 é possível enxergar cada animal. Administrar cada trecho da propriedade e tomar decisões melhores sobre o rebanho — tudo dentro de um único aplicativo. Para ele, essa é a definição prática de manejo pecuário de precisão.
A conectividade via satélite resolve justamente o ponto fraco das regiões isoladas, onde o sinal de celular falha e a coleira antiga perderia contato com o rebanho.
Dobro de pasto em terreno íngreme
A propriedade fica em uma região de deserto e cânions, com gado pastando em encostas rochosas que levam a um platô coberto de vegetação. O uso da coleira virtual permitiu manter os animais em ladeiras onde eles normalmente não pastariam, aproveitando forragem que ficava intocada.
O resultado foi a duplicação da produção de capim em apenas dois anos, além de um aumento de 10% no teor de proteína da forragem após o novo manejo. Esses números convenceram o produtor de que o investimento inicial nas coleiras valia a pena, mesmo com o custo de entrada mais alto.
Monitoramento sem sair da caminhonete
Para checar se algum animal está passando mal, o produtor usa a função de atividade reduzida do aplicativo, que aponta quando uma vaca está caída. A partir daí, ele vai direto até a localização exata indicada pela tela, sem precisar percorrer a propriedade inteira à procura.
O criador comprou as cinco primeiras coleiras com recursos próprios, mas depois contou com um contrato do Conservation Stewardship Program, ligado ao pastejo rotacionado, que ajudou a cobrir parte dos custos seguintes. Programas de recursos naturais da NRCS podem auxiliar em outros estados.
Hoje, com sinal de satélite embarcado, ele garante controle sobre o rebanho mesmo nos pontos mais isolados dos 6 mil hectares de terreno rochoso.













