O fortalecimento do El Niño aumenta a preocupação dos produtores com o início da safra 2026/27. O fenômeno deve se intensificar nos próximos meses, alterando os padrões de chuva e temperatura. No Centro-Oeste, a principal preocupação é a irregularidade das precipitações, que pode dificultar a formação e a manutenção da umidade do solo.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima probabilidade próxima de 100% de persistência do El Niño até fevereiro de 2027. O fenômeno pode atingir intensidade muito forte no fim de 2026, elevando o risco de secas, enchentes e ondas de calor.
Chuvas insuficientes deixam produtores em espera
Em Mato Grosso e Goiás, as primeiras chuvas de setembro podem não representar o início definitivo do período chuvoso. Em Primavera do Leste (MT), os volumes previstos ficam entre 15 e 20 milímetros, enquanto as temperaturas podem chegar a 39°C ou 40°C.
O Inmet prevê chuva próxima da média em grande parte do Centro-Oeste, mas com distribuição irregular. Para os produtores, episódios isolados podem não manter a umidade necessária para a germinação e o estabelecimento das lavouras.
Os principais riscos são:
- atraso no plantio da soja pela falta de continuidade das chuvas;
- redução da janela para o milho segunda safra, cultivado após a soja;
- maior risco climático devido às temperaturas elevadas e à irregularidade das precipitações.
Em Mato Grosso, apenas 4,77% da produção estimada de milho 2026/27 havia sido comercializada em junho, contra média histórica de 9,1%. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que a produção da segunda safra possa cair mais de 5% em um cenário de maior risco climático.
Impactos econômicos elevam custos da produção
A incerteza climática ocorre em meio à elevação dos custos. Segundo estimativa da CNA, os gastos com insumos na safra 2026/27 devem subir 9,8% em relação à temporada anterior, enquanto os custos com fertilizantes podem aumentar pelo menos 15%.
O mercado de adubos também enfrenta dificuldades de oferta e logística. O Sindiadubos-PR projetou queda de 10% a 15% nas entregas brasileiras em 2026, após o recorde de 49 milhões de toneladas registrado em 2025.
Com custos maiores e maior risco climático, produtores tendem a adotar maior cautela na compra de insumos e na definição do momento de entrada das máquinas no campo.
Sul e Sudeste têm cenário diferente
Enquanto o Centro-Oeste enfrenta falta de chuvas regulares, as previsões indicam, entre 10 e 14 de setembro. Concentração de chuva em poucos dias em São Paulo, no Paraná, em Santa Catarina e no sul de Mato Grosso do Sul.
O excesso pontual pode dificultar a finalização da colheita do algodão e do milho segunda safra, criando um padrão errático em que falta precipitação em uma região e sobra em outra. Esse cenário reflete o comportamento desorganizado do clima sob influência do El Niño intenso.













