Triticultores do Distrito Federal apostam no aumento da produção na região

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trigo pronto para a colheita
Foto: Luiz Henrique Magnante

Há potencial para ampliar área de produção de trigo para 1 mi de ha em sistema irrigado e incorporar mais 2,5 milhões de hectares no sistema de sequeiro.

Os brasileiros consomem quase 13 milhões de toneladas de trigo por ano, em massas, pães, bolos e em outros produtos. Apesar de a produção nacional hoje ser pouco maior do que 8 milhões de toneladas, atores do setor acreditam que o Brasil pode se tonar autossuficiente na produção do grão dentro dos próximos dez anos. Para que isso ocorra eles contam com a expansão do cultivo no Cerrado do Brasil Central.

Hoje, nessa região, há potencial para ampliar área de produção de trigo para 1 milhão de hectares em sistema irrigado e incorporar mais 2,5 milhões de hectares no sistema de sequeiro. Isso representa cerca de 4 milhões toneladas do grão a mais no País.

O pesquisador Júlio Albrecht, da Embrapa Cerrados, conta que, com as tecnologias desenvolvidas especificamente para essa região brasileira, é possível alcançar boa produtividade com um trigo de excelente qualidade industrial para panificação. “A média de produtividade da região é de 6 toneladas por hectare. A cultivar da Embrapa BRS 264 já produziu 9,6 toneladas por hectare em lavoura comercial. Acreditamos que é possível chegar a 12 ou 13 toneladas por hectare, em um ciclo de produção de 130 dias, mantendo a qualidade industrial da farinha para a produção de pão”.

William Matte, produtor rural do PADF que começou a investir no trigo há cinco anos, concorda com a expectativa do pesquisador: “A região Centro-Oeste é uma região propícia para aumentar a produção de trigo no País, muito ampla e com uma vasta amplitude de recursos naturais. Com certeza vamos deixar de importar trigo”. Para isso ele se empenha ano após ano em melhorar os índices de sua lavoura, assim como os mais de 130 produtores rurais que participaram do Dia de Campo Trigo Irrigado 2022, organizado pela Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF) na última terça-feira. 

Apesar de o trigo ser uma cultura relativamente nova no Distrito Federal, como lembra o presidente da cooperativa, Guilherme Brenner, ela tem sido importante componente para garantir ganhos econômicos e agronômicos para o produtor a longo prazo.

São várias as vantagens de seu cultivo. Matte destaca: “Além das vantagens econômicas, porque ele é um cultivo de valor econômico importante para nosso negócio, temos a rotação de cultivo; o aumento da biodiversidade do sistema, o que ajuda também no controle de pragas e doenças – o trigo é excelente para o controle de mofo-branco; acréscimo de palha, sequestro de carbono em raiz”. O produtor cultiva soja, milho, feijão, arroz, girassol, além de um mix com mais de dez espécies de plantas de coberturas, e há alguns anos incluiu o trigo em seu sistema de produção. 

Hoje 5 mil hectares de produtores ligados à Coopa-DF se dedicam ao plantio de trigo irrigado. Brenner ressalta ainda o potencial do trigo de sequeiro na região. “É uma cultura de investimento mais baixo, com uma produtividade menor, mas ainda assim, pela experiência que a gente tem, é um produto de muita qualidade e com grande potencial de aumento de área. Todo Cerrado alto, em torno de 800 metros de altitude, é possível se plantar trigo de sequeiro”, garante.

Em busca de melhores produtividades

O pesquisador da Embrapa Trigo, Jorge Chagas, informa que, de uma maneira geral, a produção do PADF é muito eficiente. “As lavouras são bem manejadas, com emprego de muito de tecnologia, insumos e conhecimento”. Além do acesso às orientações oferecidas pelo corpo técnico da cooperativa e da Embrapa, é preciso dar crédito à experiência desses produtores: Muitos plantam trigo desde a década de 1980, no início do programa de melhoramento do trigo irrigado. Então eles já conhecem cultura e implementam muito bem o manejo das cultivares, alcançando altas produtividades, às vezes acima da média, colhendo mais de 120 sacos”. 

Mas sempre é possível aprimorar o negócio. William Matte, mesmo conseguindo bons resultados nas seis safras de trigo que plantou, estabeleceu uma meta: “Nós esperamos adicionar pelo menos 5% de produtividade por ano, com ajustes de manejo e do próprio sistema. Nós ajustamos vários pontos e, sem dúvida nenhuma, conseguimos enxergar retornos equivalentes aos ajustes que fizemos”. 

O pesquisador também aposta nisso. “Sempre é possível aumentar a produtividade. Às vezes são necessários ajustes pequenos – no tempo de aplicação de um produto, como o redutor de crescimento ou o nitrogênio, em outras pode ser a escolha de uma cultivar mais adequada”, orienta Chagas. 

As pesquisas com o cereal para as condições de clima e solo do Cerrado desempenham papel importante para o desenvolvimento do setor. Hoje as cultivares mais plantadas no bioma são as da Embrapa. “São as cultivares com maior produtividade no campo e também têm excelente qualidade industrial. Elas conseguem agregar estabilidade, já que estão há muito tempo no mercado, com uma excelente produtividade em termos de produção a campo, como em produtividade de farinha na indústria, ressalta Brenner.

Já o agrônomo da Coopad, Cláudio Malinski, arrisca: “A cultura do trigo é um fator de renda para o produtor rural, uma cultura que faz parte do sistema de produção, sem a qual a agricultura não seria tão próspera e tão pujante.Hoje dá para se dizer que o melhor trigo do Brasil e um dos melhores do mundo é produzido aqui no Centro-Oeste. Eu ouso dizer que o trigo irrigado, juntamente com o de sequeiro, fará o Brasil se tornar autossuficiente e até um exportador”.

O Dia de Campo foi realizado na fazenda Taboca, em Cristalina (GO). Além da Embrapa Cerrados (DF), expuseram suas cultivares as empresas OR Sementes e Biotrigo. Já Ihara e Bayer apresentaram o portfólio de tecnologias disponível para a cultura. 

Fonte: Embrapa

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