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Dieta sem volumoso, a tecnologia do Puro Grão não é exclusiva do milho grão. Substitutos podem ser usados e, dependendo do caso, permitem até maximizar esse ganho

O grande e importante papel que a tecnologia do puro grão trouxe para os pecuaristas do Brasil já é reconhecida e, como qualquer outra tecnologia, ela também desperta alguns questionamentos importantes para o sucesso.

Quando pensamos em Puro Grão, o primeiro nome que surge em nossa cabeça é o do grande médico veterinário e consultor das Rações Futura, o Dr. Paulo César. Já tive a imensa oportunidade de poder entrevistar ele em outras duas matérias que compartilhei com vocês, deixo o link a seguir para quem ainda não acessou, e mais uma vez ele nos dá uma aula sobre a utilização dos subprodutos nesse sistema de confinamento.

O puro grão não é um milagre. Ele é uma tecnologia que exige um conhecimento profundo de produção animal e de nutrição animal.

Vamos abordar aqui, nessa entrevista, alguns questionamentos que acho importante e também alguns que recebi por e-mail. Confira a entrevista exclusiva:

O confinamento puro grão tem ganhado espaço dentro da pecuária por todo território nacional. Entretanto, esse ano, o pecuarista encarou a compra de milho com um preço em alta. Diante disso, ficou o questionamento quanto ao uso de outros ingredientes na dieta. É possível?

Dr. Paulo César: Sim, é possível. Entretanto é preciso que o concentrado seja muito bem formulado com protetores hepáticos, ativadores de metabolismo e de imunidade, além de substâncias controladoras da fermentação e acidose ruminal. Dessa forma, é possível sim utilizar substitutos do milho nas dietas de puro grão.

Utilização de sorgo na dieta do puro grão: viável economicamente ou esbarra no desempenho animal?

Dr. Paulo César: A utilização do sorgo é possível na dieta do puro grão. Porém, como o grão de sorgo é muito pequeno e redondo, a taxa de passagem dele é muito rápida e a digestibilidade do amido dele se torna baixa na dieta de puro grão. Por isso, quando analisamos o ganho de peso, em vários experimentos que nós realizamos, esse vária de 20 a 30% a menos do que quando utilizado milho grão. Entretanto, quando utilizamos 50% de sorgo e 50% do milho, dos 85% de grãos que se mistura ao concentrado, você consegue resultados piores do que só milho de 5 a 10%. Isso significa que, quando o sorgo estiver 25 a 30% mais barato que milho, é viável usar o sorgo em até no máximo de substituição de 50% do total de milho e que esse milho seja de grãos maiores maiores tipo peneira 22 ou 24.

Em resumo, quando o sorgo estiver apenas 15 a 10% mais barato que o milho ou em substituição total do milho na dieta, esse não é recomendado.

Quais outras opções além do sorgo seriam elencadas para reduzir o custo com a dieta, mas sem perder no resultado técnico?

Dr. Paulo César: Fizemos uma série de experimentos, onde utilizamos a polpa cítrica para substituir o milho na dieta de puro grão. Quando fizemos a substituição automática, os resultados foram muito ruins porque a fermentação da polpa cítrica é muito rápida e acabou gerando uma acidose metabólica enorme. A velocidade da baixa do pH é muito rápida e por isso os resultados não foram bons quando utilizamos a polpa em substituição ao milho. Porém, alterando e aumentando os aditivos e aumentando a proteção contra a acidose metabólica, nós conseguimos substituir o milho em até 50% por polpa, por uma queda de resultado de apenas 3% se fosse só milho. Considerando o preço da polpa 30% mais barato que o milho, se tornou viável utilizar a polpa cítrica na dieta puro grão.

Quando utilizamos a polpa cítrica em substituição de 25% na dieta, o resultado foi muito bom e não houve diferença no ganho de peso quando utilizado apenas milho na mistura com concentrado.

Em alguns casos, quando utilizamos até 15% de substituição, ou seja, 70% de milho + 15% de polpa cítrica, o resultado foi superior ao encontrado quando utilizamos apenas milho. É uma forma alternativa para se diminuir custo de produção nos confinamento, principalmente em regiões onde se tem uma grande disponibilidade de polpa cítrica como é o caso de São Paulo, Sul de Minas e Paraná.

“Estou com um confinamento para 20 animais e tenho a disponibilidade de utilizar o resíduo de macarrão. É viável, se sim, qual a proporção na dieta?”

Dr. Paulo César: O resíduo de macarrão seco e até resíduo de bolacha, nós substituímos até 25-30% do milho, alcançando resultados iguais ao encontrados nas dietas apenas com milho. É preciso tomar muito cuidado quanto a qualidade desses produtos, ou seja, não fornecer quando esses apresentarem a presença de mofo.

Qual é o maior mito que ainda existe, para o pecuarista, quando o assunto é dieta sem volumoso?

Dr. Paulo César: Na verdade os mitos que existem, são na verdade “mitos”. Porque existem os mitos, que realmente são mitos e outras que são faladas, que nós incomodam, porém são fatos. Porque muita gente, sem trabalho científico algum, sem pesquisa alguma, quando viu o crescimento das Rações Futuras nos últimos anos, por ela estar a 11 anos no mercado trabalhando e pesquisando com isso, passaram a copiar o  trabalho da Futura sem saber o que estavam fazendo.

Existe uma diferença muito grande entre um formulador, que basta ser um bom matemático e inteligente que se aprende a fazer fórmula de rações, do que é ser um formulador e nutricionista que entende e sabe o que está fazendo.

Existem muitas empresas que fazem o uso excessivo de ureia, uso inadequado de monensina, virginiamicina e de outras substâncias que acabam lesionando casco, atrapalhando fígado e sem programa de adaptação e acaba levando a resultados que não são adequados. Dessa forma, acaba-se criando mitos como “puro grão estoura o fígado”, “puro grão lesiona o casco” ou que o “puro grão agride a saúde do animal”.

Mas o maior mito mesmo, principalmente em regiões mais pobres, é achar que a carne do puro grão vai fazer mal para saúde do ser humano. Em uma cidade me foi questionado se “a carne não iria fazer as pessoas perderem potência sexual”, eu respondi que, caso isso ocorra, é porque a pessoa já tinha essa tendência e não foi a carne a culpada. Então, são mitos que existem por falta de conhecimento e por pessoas estarem entrando no mercado sem conhecer o que estão vendendo.

São esses aventureiros é que trazem alguns problemas e começam a criar mitos. Uma comparação prática que pode ser colocada é que durante anos foi dito que a vacina de aftosa causa inchaço e caroço nos animais, sendo que na verdade são as agulhas sujas e o manejo errado que ocasionam o problema. Outra hora achavam que era a vacina que causa o aborto dos animais, sendo que na verdade era a pancada, o grito, o manejo errôneo que levavam a essa fatalidade.

Toda vez que é feito algo de forma empírica e sem conhecimento técnico, começam a surgir mitos baseados no desconhecimento da tecnologia

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