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Foto:  NELORE IPB
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Touros avaliados: Escolher os animais corretos para sua vacada e não pelo marketing

Já estamos nos aproximando da estação de monta na maioria das regiões do País e a temporada de venda de touros está a todo vapor.

As opções são inúmeras. É só folhear as revistas especializadas em pecuária ou assistir aos canais voltados para o agronegócio para conferir a quantidade de leilões, virtuais ou de recinto, e a quantidade/qualidade dos animais à venda. Todos muito bem preparados, gordinhos e muito bem divulgados, mas qual será o real valor genético desses animais?

Estou sempre batendo na mesma tecla da importância de uma avaliação genética consistente para aumento de produtividade e de índices zootécnicos. Talvez porque eu encare a compra de touros um investimento sério, não apenas um custo para a propriedade. A compra de um reprodutor deve ser tão bem planejada como a compra de um trator ou de variedade certa de sementes.

A grande questão é: como filtrar o que é oferecido e separar o material genético que realmente deve ser introduzido no rebanho para melhorar os índices produtivos e reprodutivos e, assim, aumentar a eficiência e a lucratividade – que são, na verdade, os grandes objetivos dos pecuaristas.

A verdade é que muitos produtores investem bastante em marketing e nem sempre em boa seleção genética. Isso, infelizmente, resulta na divulgação exacerbada de animais que não trarão o resultado esperado no trabalho a campo. É só dar uma olhada nos leilões. Muitos não têm nada a oferecer, apenas peso, medida de perímetro escrotal. Outros informam apenas paternidade, que quer dizer muito pouco na hora de produzir bezerros mesmo.

Confesso que às vezes me divirto vendo a quantidade de informações fabricadas para iludir compradores. Para que serve realmente informações como motilidade do sêmen, espessura de gordura e marmoreio em animais de 3 anos que vivem em confinamento a vida toda, capacidade de produção de oócitos, etc? Acho que é para “encher linguiça” no catálogo.

Existem várias maneiras de selecionar os touros, e a principal dica é verificar se o animal possui avaliação genética ou não. Palavras como “qualificados” ou “selecionados” são usadas para maquiar a falta de avaliação genética. Busque touros que sejam efetivamente ‘geneticamente avaliados’.

A partir daí já dá para varrer das opções um monte de vendedores. Apenas com a informação: tem avaliação genética ou não. A partir daí dá para começar a trabalhar e escolher o que serve mesmo.

O Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP) é uma boa ferramenta, pois é a melhor garantia oferecida por quem faz avaliação genética. Afinal, trata-se de chancela fornecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para programas sérios de avaliação genética.

Tal certificado garante que somente os melhores animais de cada safra sejam comercializados como reprodutores. Para ser mais precisa, apenas os 20% a 30% dos machos nascidos na safra recebem o selo do Mapa.

Viu como vai facilitando?

Selecionados os touros/raças geneticamente avaliados, deve-se analisar o vendedor. Quem é? Qual o volume de touros produzidos por ano? Quanto tempo de mercado? Essas questões precisam ser respondidas de forma clara e objetiva, sendo importantes para definir o posicionamento do fornecedor no mercado e a qualidade de sua oferta.

Após verificar e analisar a procedência do vendedor deve-se fazer uma análise técnica dos touros colocados à venda. Analisar a uniformidade dos animais também é algo fundamental, faça uma visita à fazenda do vendedor, vá ver de perto como as coisas são feitas e como é o rebanho dele. O seu ficará parecido a médio/longo prazo.

Fazer avaliação das Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs) do touro a ser adquirido faz parte do processo de seleção de qualquer pecuarista que procura produtos específicos para o seu plantel. Porém, algumas DEPs são indispensáveis para a aquisição de qualquer touro melhorador. É o caso de Peso a Desmama (PD), Peso aos 14 Meses (P14), Precocidade Sexual e Peso ao Nascer (PN).

Novas DEPs estão sendo incorporadas nos sumários de reprodutores de diversas raças na medida em que o mercado necessita de animais com características específicas. As DEPs de carcaça, como Área de Olho de Lombo e Espessura de Gordura se tornam cada vez mais importantes.

Exame andrológico não preciso nem comentar. É o mínimo do mínimo a ser oferecido. Nada mais do que a obrigação do vendedor.

Passadas essas etapas técnicas, já podemos partir para o gosto pessoal, claro. Somos todos humanos e não queremos comprar um touro feio. Nessa análise visual, aproveitamos para conferir os aprumos e outras características morfológicas, como músculos e, porque não, caracterização racial.

O bom touro se paga já na primeira estação de monta. Veja uma conta básica: em média, um bom touro cobre em torno de 30 vacas – se ele emprenhar 25, já pagou a diferença do seu preço comparado com o preço de um touro de ponta de boiada. Na prática, usando uma DEP de peso ao desmame de dez quilos (média dos touros do Megaleilão Montana 2016), sabemos que os filhos desse touro serão dez quilos em média mais pesados que os filhos de um touro qualquer. Esses dez quilos a mais por bezerro, geram uma renda de R$ 65 a mais por bezerro, ou R$ 1.625 para o lote de filhos do touro – quase um bezerro a mais de lucro! E, claro, este animal continuará trabalhando no plantel por, no mínimo, seis anos. Fique atento, analise o mercado cuidadosamente e tome a melhor decisão para o melhoramento do seu rebanho e do seu bolso!

Lembre-se, sua fazenda é a sua empresa!

Artigo da Gabriela Giacomini é zootecnista pela Unesp/Jaboticabal e gerente de Operações do Programa Montana

Revista Safra

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