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Raça Nelore chegou há mais de 150 anos no país e fez da pecuária brasileira a maior do mundo; entenda a supremacia, importância e feitos da raça

O Nelore entrou no Brasil no ano de 1868 (logo são 152 anos de história). Foi por acaso, um navio que saiu da Índia e iria para a Inglaterra, passou no Brasil e estava avariado. A mercadoria nele foi leiloada em praça pública, lá em Salvador. Um casal da raça, que era para a Rainha Vitória, da Inglaterra, vendido naquela ocasião. O primeiro criador de Nelore no Brasil foi José de Vasconcelos de Souza Bahiana, proprietário do Engenho São Felipe, em Santo Amaro – BA.

De lá para cá, a raça Nelore evoluiu de forma vultuosa, sem esse bovino indiano melhoradíssimo em solo brasileiro, não estaríamos exportando a carne vermelha brasileira para dezenas de países ao redor do mundo, e de fato, não teríamos o maior rebanho comercial do mundo. Se nada atrapalhar, em praticamente cinco anos o país será o maior produtor de carne do mundo.

Em mais de um século, a raça evoluiu na mão de centenas de pecuaristas, lá atrás, eles não tinham a preocupação com a padronização e qualidade de carcaça. Bem diferente nos dias de hoje, onde você vê uma enorme preocupação com esses itens, boa parte deles impulsionados pelos ganhos financeiros que isso proporciona, outros pela paixão na raça.

Foto: Nelore Marca 11 ®

A raça representa praticamente 80% do rabanho brasileiro, está espalhada de norte a sul do país, e para cada região há uma linhagem especifica para suportar as dificuldades de cada região. Um exemplo disso é a linhagem baiana da raça, caracterizada principalmente por animais da linhagem Akasamu-Padhu, onde encontra-se animais com boa mansidão, rusticidade, fertilidade, habilidade materna e qualidade de carcaça, com desempenho e precocidade que podem suportar o sertão baiano.

Pelo Brasil é possível conferir vários projetos pecuários, e normalmente eles focam o seu rebanho para aspectos socioeconômicos que irão contribuir para a comercialização desses animais. Entre elas podem estar: precocidade sexual, acabamento de carcaça, carne de qualidade, fertilidade, musculatura, habilidade materna, precocidade na terminação entre vários outros.

Foto: Nelore Marca 11 ®

No Brasil, a raça Nelore é a que possui uma carcaça que mais atende ao que é pedido no mercado, com as características: possui um médio porte, fina ossatura dentre outras, que garantem um melhor rendimento na área de indústria processual. Precocidade de terminação garante nas carcaças Nelore distribuição homogênea da cobertura de gordura, sendo esta carcaça muito valorizada no mercado. 

Aliado a isso, a raça adaptou-se perfeitamente aos trópicos brasileiros resistindo ao calor intenso, e também por conta dos seus pêlos mais grossos, resistindo mais aos parasitas, pois eles não conseguem se alojar no corpo do animal com facilidade.

Essa rusticidade do Nelore é impressionante e a reação positiva pós período mais difícil, como a seca com pouca alimentação disponível, mostra que a raça é bem apropriada para as regiões tropicais do planeta. Num jogo de palavras: Nelore faz mais por menos. Até quando usado para cruzamentos industriais, certeza de que não é simplesmente a tal rusticidade que doa, é também produtividade.

Foto: Fazenda Noroeste – MG

Touro, vaca e bezerro(a) NELORE

Touros Nelore possuem instinto muito forte de proteção de seu harém de matrizes. As vacas apresentam facilidade de parto, por terem garupa com boa angulosidade, boa abertura pélvica e, principalmente, por produzir bezerros pequenos, o que elimina a incidência de distocia. Outras características das fêmeas são a excelente habilidade materna, oferecendo condições de desenvolvimento aos bezerros até o desmame; instinto de proteção ao bezerro; rusticidade; e baixo custo de manutenção. Os bezerros Nelore são espertos. Logo após o parto, já procuram as mães para fazer a mamada do colostro, que lhes fornece imunidade nos primeiros 30 dias de vida.

Junto, o avanço da responsabilidade ambiental e social. A raça Nelore, sem dúvida, é a maior contribuinte para esse avanço. Pura, em raças formadas com a genética da mesma, e com cruzados dela com outras taurinas, tauríndicas ou outras zebuínas.

Se pegarmos fotos e vídeos da raça desde o final do século XIX até os nossos dias, vê-se que a evolução superou as expectativas. Animais festejados do passado, quase endeusados, nem se comparam com seus descendentes de hoje com relação ao “tipo frigorífico”.

Com todos estes argumentos é fácil afirmar que a supremacia da raça Nelore está garantida e provavelmente isso levará o Brasil para o lugar mais alto do pódio, quando falamos de pecuária de corte.

Marcio Peruchi c/ adaptação do texto original do zootecnista José Otávio Lemos, produtor rural, jurado e conselheiro técnico da ABCZ.

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