Cidade de pouco mais de 32 mil habitantes assume pela primeira vez a liderança nacional em valor da produção agrícola, supera gigantes do campo e tem no algodão a força por trás do salto
O Brasil tem uma nova líder entre as cidades mais poderosas da agricultura nacional. Um município de pouco mais de 32 mil habitantes alcançou R$ 8,59 bilhões em valor da produção agrícola e tomou a primeira posição de um ranking que, durante seis anos consecutivos, teve Sorriso (MT) no topo.
A nova protagonista também está em Mato Grosso. Sapezal assumiu pela primeira vez a liderança nacional, deixando para trás São Desidério (BA), com R$ 8,22 bilhões, e Sorriso, com R$ 8,16 bilhões. Os números são da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2025, divulgada pelo IBGE. A mudança encerra uma sequência de seis anos de Sorriso no topo e redesenha o ranking das cidades mais ricas do campo brasileiro — veja também a lista completa dos 10 municípios com maior valor da produção agrícola do país.
Mais do que uma simples troca de posições, o resultado chama atenção pelo tamanho do salto. Sapezal aumentou em 46,6% o valor nominal de sua produção agrícola em apenas um ano, saindo da terceira colocação para ocupar o topo do país.
A nova Capital do Agro fica em Mato Grosso
Localizada no oeste mato-grossense, Sapezal construiu sua força econômica em torno de grandes lavouras e de um sistema agrícola altamente tecnificado.
Mas existe uma cultura que ajuda a explicar por que o município conseguiu ultrapassar tradicionais gigantes da soja: o algodão.
Dos R$ 8,59 bilhões movimentados pelas lavouras locais em 2025, aproximadamente R$ 5,13 bilhões vieram do algodão, o equivalente a quase 60% de todo o valor da produção agrícola do município. Foram cerca de 1,2 milhão de toneladas produzidas.
É justamente essa composição que diferencia Sapezal de boa parte das maiores potências agrícolas brasileiras, onde a soja normalmente ocupa a primeira posição.
Soja e milho completam a força de Sapezal
O algodão lidera, mas está longe de atuar sozinho.
A soja movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões no município, enquanto o milho respondeu por aproximadamente R$ 656,9 milhões.
O avanço ocorreu nas três principais culturas. Em relação ao ano anterior, o valor da produção da soja cresceu 51,4%, enquanto o milho registrou aumento de 58,1%.
A combinação entre algodão, soja e milho colocou um município relativamente pequeno em população no topo de uma agricultura brasileira que movimentou centenas de bilhões de reais.
E o que aconteceu com Sorriso?
A antiga líder não deixou de ser uma potência.
Sorriso registrou R$ 8,16 bilhões em valor da produção agrícola em 2025, acima dos aproximadamente R$ 7,2 bilhões registrados no ano anterior. Mesmo assim, terminou na terceira posição.
Parte da explicação está em uma mudança no próprio mapa de Mato Grosso.
A instalação de Boa Esperança do Norte, formada por áreas anteriormente pertencentes a Sorriso e Nova Ubiratã, alterou a área territorial contabilizada nos municípios. Com o desmembramento, a área plantada de Sorriso recuou 9,3%, afetando principalmente soja, algodão e feijão.
Isso significa que a mudança na liderança não pode ser interpretada simplesmente como perda de força produtiva de Sorriso.
O novo pódio do agro brasileiro
O ranking de 2025 colocou três gigantes separados por menos de meio bilhão de reais:
- Sapezal (MT) — R$ 8,59 bilhões
- São Desidério (BA) — R$ 8,22 bilhões
- Sorriso (MT) — R$ 8,16 bilhões
Na sequência aparece Campo Novo do Parecis (MT), com R$ 7,87 bilhões.
Mato Grosso, portanto, não apenas preservou a liderança estadual como colocou cinco municípios entre os dez primeiros do Brasil. O estado alcançou R$ 165,6 bilhões em valor da produção agrícola em 2025.
Agro brasileiro alcança R$ 927,2 bilhões
A disputa entre os municípios acontece em um ano histórico para a agricultura nacional.
O valor da produção agrícola brasileira chegou ao recorde de R$ 927,2 bilhões em 2025, avanço nominal de 18,4% sobre o ano anterior. Somente os dez municípios mais bem colocados responderam por aproximadamente R$ 65,9 bilhões, equivalentes a cerca de 7,1% do valor agrícola nacional.
Nesse cenário, Sapezal passa a ocupar uma posição simbólica importante. Uma cidade de pouco mais de 32 mil habitantes, impulsionada principalmente pelo algodão, agora aparece no topo do ranking nacional do valor da produção agrícola.
E a troca de liderança mostra como o mapa econômico do campo brasileiro continua mudando — mesmo entre municípios que já estão entre os maiores polos agrícolas do planeta.
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