Caminhos do alimento até a mesa do consumidor ganha destaque

Caminhos do alimento até a mesa do consumidor ganha destaque

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Foto Divulgação.

A rastreabilidade ganha papel ainda mais importante na sociedade, notadamente sob os quesitos ambiental e social; ainda há questionamentos

Moacir Neto – O assunto não é novo, mas sempre suscita algum questionamento. Desde 2018, quando entrou em vigor, a rastreabilidade ajuda o consumidor a entender os caminhos percorridos pelo alimento, do campo à distribuição. Sem descuidar do entreposto. Mas a trilha inversa, ou seja, a dúvida ou a insatisfação do mesmo consumidor nem sempre volta com a devida agilidade ao início da cadeia produtiva. “A rastreabilidade ainda não garante a qualidade do alimento, pois em algum momento ele pode estragar”, afirma taxativa a executiva Elaine Delgado, gerente de marketing do Genesis Group.

Elaine se encontrou com um grupo de jornalistas, ocasião em que esclareceu que o sistema da rastreabilidade permite ao consumidor conhecer as práticas adotadas durante a produção, o que inclui modelos ambientais e conservacionistas, até a fase da distribuição. Mas, questionada se seria possível saber em qual dos elos da cadeia houve, por exemplo, algum tipo de avaria ou perda de qualidade, ela negou. Ou seja, fica claro – mesmo diante da proposta inovadora da rastreabilidade – que o caminho a percorrer ainda enseja muito debate e melhorias. O que é muito positivo, pois revela dos dois lados – consumidor e produtor – o interesse em alimentos saudáveis e com a garantia da sustentabilidade.

“Ainda não é possível saber, dentro da cadeia produtiva, onde (e quando) uma maçã estragou ou se isso vem desde a semente”, pondera Elaine, durante coletiva de imprensa organizada pelo 14º Road Show para jornalistas e influenciadores digitais do Agronegócio, iniciativa da Texto Comunicação Corporativa.

O Genesis Group, representado pela porta-voz, foi fundado no início desta década e hoje é referência em testes, inspeções, análises, certificações e rastreabilidade para a cadeia do agroalimento. A solidez da marca mescla alta precisão e uma trajetória de êxito em certificação, auditorias de boas práticas agropecuárias, monitoramento a campo, inspeção e supervisão de embarques nas cadeias produtivas de grãos, leite e carne bovina.

Ano passado, o grupo se associou à GR Classificações e Classnorte, assumindo posição de destaque no mercado de classificação e grãos no Brasil, bem como do Laboratório Agrosafety, complementando o portfólio com soluções em análises laboratoriais.

O grupo viu no agro brasileiro uma grande oportunidade

Os números das sucessivas safras atestaram que era possível evoluir nesse terreno. A colheita nacional de grãos pulou dos 100 milhões de toneladas em 2000/2001 para 251 milhões de toneladas, na 2019/2020. “Todas essas mudanças no campo representam um desafio para o nosso grupo. Precisamos fortalecer a marca para estar em sintonia com todas as normas e procedimentos atuais do agro”, afirma por meio de assessoria o CEO do Genesis, Nelson Bechara.

O executivo concorda que, na atualidade, a rastreabiliade ganha papel ainda mais importante na sociedade, notadamente sob os quesitos ambiental e social. “Estamos nos reinventando sempre, construindo uma empresa moderna, inovadora, em um mundo cada vez mais transparente, ético e voltada para a responsabilidade social e ambiental”, pondera.

Caminhos da rastreabilidade

Há dois anos, era anunciado o sistema da rastreabilidade. Que consiste, grosso modo, no monitoramento e o controle de resíduos de agrotóxicos na cadeia produtiva de vegetais frescos destinados à alimentação humana. Naquele ano, o tema veio a público durante uma reunião na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), empresa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A norma estabelece a obrigatoriedade de que todas as frutas e hortaliças deverão fornecer informações padronizadas capazes de identificar o produtor ou responsável no próprio produto ou nos envoltórios, caixas, sacarias e outras embalagens. O produtor deve informar o endereço completo, nome, variedade ou cultivar, quantidade, lote, data de produção, fornecedor e identificação (CPF, CNPJ ou Inscrição Estadual).

A identificação pode ser realizada por meio de etiquetas impressas com caracteres alfanuméricos, código de barras, QR Code, ou qualquer outro sistema que permita identificar os produtos vegetais frescos de forma única e inequívoca.

QR CODE

O sistema foi instituído em 8 de fevereiro de 2018, a partir da publicação no Diário Oficial da União da Instrução Normativa Conjunta nº 2 do Mapa e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde (Anvisa). A norma vigora desde então em todo o território nacional.

Na primeira fase de implementação, iniciada em 8 de agosto daquele ano, a rastreabilidade seria aplicada ao grupo de citros, maçã, uva, batata, alface, repolho, tomate e pepino.

As atividades de fiscalização do novo sistema são complementares entre o Mapa e a Vigilância Sanitária. Do produtor até o entreposto, a responsabilidade será do Mapa por meio do Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em Produtos de Origem Vegetal (PNCRC – Vegetal).

Do entreposto ao consumidor, a fiscalização será feita pelos Serviços de Vigilância Sanitária Estadual e Municipal no âmbito do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para).

“Na Ceagesp é possível ter uma ideia muito clara do tamanho do agronegócio de frutas e hortaliças no Brasil”, explicou à época a servidora Fátima Parizzi, coordenadora de Qualidade Vegetal do Mapa. “De como esse agronegócio é diversificado e pulverizado, a partir do que sai da Ceagesp para o Brasil inteiro. Lotes enormes de produtos vegetais são manipulados, classificados e estratificados até em microlotes. A pulverização é a maior dificuldade que vamos enfrentar na implementação do sistema. ”

Segundo ela, três situações são as mais comuns na investigação das causas e origens de irregularidades com agrotóxicos e contaminantes em produtos vegetais: 1) alimentos com resíduos acima do limite permitido; 2) uso de produtos proibidos no País; 3) defensivos permitidos para uma cultura específica sendo utilizados em outra similar.

Adaptado de Portal Revista Safra, com informações do Mapa e Genesis Group

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