Inoculante biológico eleva produção das lavouras de arroz

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Inoculante biológico eleva a produtividade das lavouras de arroz
Foto: Wenderson Araujo/Trilux

Inoculante biológico eleva a produtividade das lavouras de arroz e diminui a necessidade de adubação nitrogenada; produto obteve registro do Mapa para utilização de composto na cultura

Os produtores de arroz que buscam um cultivo mais sustentável e eficiente acabam de ganhar um novo e importante aliado: o Azospirillum brasilense. A bactéria diazotrófica associativa, que tem alta capacidade de promoção do crescimento de plantas em função da sua produção de fito-hormônios e fixação biológica de nitrogênio, é disponibilizada pela Total Bio, uma marca da Biotrop. A empresa, que desenvolve soluções biológicas e naturais, em parceria com a Embrapa Clima Temperado, é a primeira no Brasil a obter o registro junto ao Mapa da utilização da bactéria como inoculante, nesse caso o Azototal, para a rizicultura.

Segundo a Engenheira agrônoma Josiane Fukami, doutora em biotecnologia e supervisora de pesquisa e inovação da Biotrop, o Azototal, por ser um inoculante que ajuda no desenvolvimento da raiz, auxilia na absorção de água e nutrientes e consequente na manutenção da planta por mais tempo. “Se pegarmos, por exemplo, um período longo de estiagem, a planta terá mais tolerância a este período de estresse. Uma lavoura mais nutrida vai conseguir se estabelecer respondendo melhor aos estresses bióticos e abióticos, e essa questão nutricional é fundamental para a cultura do arroz”, destaca.

Outro diferencial do inoculante é que ele melhora os índices de clorofila nas folhas, aporta maior produção de biomassa e altura de plantas, resultando em uma lavoura mais sadia e produtiva. No arroz, a fixação biológica do Nitrogênio (N) proporcionada pelo Azospirillum supre parte da necessidade da planta, reduzindo o volume necessário de adubação de N mineral para atender as necessidades totais da mesma.

De acordo com a doutora em ciência do solo, Engenheira Agrônoma Maria Laura Turino Mattos, pesquisadora da Embrapa Clima Temperado, que realizou as pesquisas, o Azospirillum é uma bactéria benéfica para a planta e não patogênica ao homem. “Esta apresenta vida livre e se associa aos vegetais em diferentes graus de especificidade e com multifuncionalidade. Em função disso, interage com muitas espécies de gramíneas e leguminosas, estabelecendo alta colonização de raízes e partes internas de plantas, como colmos do arroz”, explica.

Testes e comprovação de eficiência

A Embrapa realizou a avaliação da eficiência agronômica de Azospirillum brasilense em arroz irrigado por inundação em cinco safras agrícolas (2013/14, 2014/15, 2015/16, 2016/17 e 2017/18), por meio de um contrato de cooperação entre a instituição e a Biotrop. Os experimentos foram conduzidos na Estação Experimental Terras Baixas em Capão do Leão, e as validações realizadas em propriedades orizícolas nos municípios de Camaquã, Jaguarão, Mostardas, Rio Grande e São Gabriel, todas no Estado do Rio Grande do Sul.

Em uma das pesquisas, utilizando a cultivar BRS Pampa CL com uma dose reduzida de fertilização nitrogenada, o Azototal apresentou efeito positivo sobre a produção de matéria seca da parte aérea das plantas. Além disso, ampliou o volume e comprimento de raízes, aumentando o número de perfilhos, número e massa de panículas, acúmulo de N nos colmos e folhas. A inoculação dessas sementes com Azospirillum permitiu reduzir 30 kg de N ha-1, além de proporcionar 67,8% de grãos inteiros e renda média do benefício de 70,5%.

Em outro experimento realizado em uma propriedade no município de Camaquã, foi observada maior produção da cultivar BRS Pampeira (12.180 kg ha-1) com o uso do inoculante Azototal, além da redução de 20% da adubação nitrogenada de cobertura (119 kg de N ha-1). Isso proporcionou um incremento de aproximadamente nove sacas por hectare quando comparado ao tratamento testemunha (sem redução da adubação nitrogenada de cobertura). “Este cenário elevou o lucro líquido do produtor por hectare e proporcionou maior desempenho produtivo da cultivar BRS Pampeira”, concluiu Maria Laura.

Força da produção gaúcha

De acordo com o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o estado responde por cerca de 70% da produção nacional de arroz com 944.841 hectares semeados na safra 2020/2021. Por isso, com esse novo registro, a equipe de campo da Biotrop está trabalhando forte para levar essa solução a todos os rizicultores gaúchos. “Nossos profissionais de desenvolvimento de mercado estão focados em apresentar a tecnologia para demonstrar ao produtor que ele terá um grande ganho de eficiência com o Azototal”, finaliza a supervisora de pesquisa e inovação da Biotrop.

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