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Os índices e sistemas de seleção tem suas vantagens e limitações, muitas vezes, a ideia é vendida como simples, embora tenha uma complexidade enorme.

Por William Koury Filho – Olá, amigos agropecuaristas! Escrevo esta coluna com as energias renovadas com a virada do ano. Apesar de considerar a vida uma continuação, é interessante estabelecermos marcos e cumprirmos ciclos. (Do artigo: Em busca do Supertouro! Será que ele existe?)

Como bom observador da natureza, gosto do calendário juliano, o marco de um ano com as estações bem definidas – sempre um recomeço. E, no calendário da minha vida, gosto da parte do ciclo chamado férias. Partilho do pensamento expresso no ditado antigo “o trabalho enobrece o homem”, e trabalho bastante. Mas as férias são importantes para reflexões que, muitas vezes, não são possíveis na “loucura” do cotidiano.

“A dúvida é o princípio da sabedoria”

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Aristóteles

Filósofo grego (384 a.C.-322 a.C.)

Bem, voltando ao tema do trabalho, vamos falar novamente sobre índices e sistemas de seleção, suas vantagens e suas limitações, pois, muitas vezes, a ideia é vendida como simples, embora tenha uma complexidade enorme. Essas são provocações que faço para mim mesmo e que, posteriormente, busco expor para troca de experiências com outras pessoas que se interessam pela temática.

Em diversas oportunidades, inclusive nesta coluna, costumo ressaltar a importância das avaliações genéticas e a robustez que as mesmas adquiriram com o incremento da genômica. Porém, também tento esclarecer que, mesmo sendo as ferramentas mais poderosas de seleção, as avaliações têm suas limitações – que não são pequenas.

Por isso, exige uma boa interpretação de DEPs e sumários, a inclusão de talento humano nesse processo através das avaliações visuais e a habilidade em trabalhar com índices, principalmente se forem elaborados para atender a todas as oportunidades ambientais – sistemas de produção – e diferentes objetivos.

Neste ano em que estarei completando 50 anos de idade, e mais da metade da vida como zootecnista, entendo que seja tempo de um novo desafio para a seleção de zebuínos: o de organizar um grupo para delinear modelos de provas com o intuito de buscar um melhor entendimento de como podemos ter escolhas mais assertivas para objetivos particulares de um rebanho, ou grupos com a mesma filosofia.

A partir das experiências vivenciadas nos julgamentos de animais de argola e a campo, das participações como técnico em fechamento de provas de ganho em peso (PGPs) oficiais da ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Zebu), IZ (Instituto de Zootecnia), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), UFU (Universidade de Uberlândia) e da elaboração de provas intrarrebanho com a equipe da BrasilcomZ, tenho me conscientizado da importância de se realizar uma competição diferente, uma disputa que permita definir melhor a identidade do Nelore do século XXI.

Parto do princípio de que é indispensável agrupar animais de diferentes rebanhos, regiões e sistemas de produção para competirem em diversas modalidades pelos títulos de Supertouros. A ideia é ter por base todos os bons conceitos e metodologias já aplicadas, ratificando ou redefinindo índices. Cada um com um objetivo específico e que, ao final, haja um evento técnico com especialistas das diferentes áreas para que, após análise crítica, possam ser propostos ajustes nas regras/metodologias nas competições para o ano seguinte.

Sou um entusiasta do julgamento para ranquear indivíduos pelo fenótipo através da habilidade humana. Na verdade, gosto do exercício de comparação da morfologia, biotipo, carcaça, desempenho, raça, aprumos, enfim, do conjunto. O conceito fica ainda mais interessante quando realizamos as avaliações morfológicas em provas de desempenho (PGPs) ou grupos de manejo bem formados para coleta de dados para programas de melhoramento. É importante juntar tudo isso em um modelo de competição inovador.

Locais como o Instituto de Zootecnia de Sertãozinho – que, em 2020, comemora 70 anos de PGPs – já estão se preparando para desenvolver esse trabalho. Entendo que esta é a oportunidade de a área técnica reunir pesquisadores e juízes na parte de morfologia representados por especialistas da indústria frigorífica, das pistas de Uberaba e das maiores consultorias em produção e venda de touros do País na busca de respostas a importantes temas.

Vale lembrar que a conclusão dessa iniciativa poderá esclarecer questões como: será que existem Supertouros? Ou só existem campeões específicos? Aguardemos. É isso aí. Vamos que vamos, pois o ano está só começando e os desafios são grandes. Valeu!

*William Koury Filho é zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal, jurado de pista de Angus a Zebu e proprietário da Brasil com Z® – Zootecnia Tropical

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