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Agronegócio brasileiro tem, pela primeira vez, duas mulheres em cargos da maior importância; duas Terezas para unir a liderança do agronacional

Artigo por José Luiz Tejon – Temos no Brasil uma mulher líder no governo: Ministra Tereza Cristina da Agricultura; e outra mulher líder na sociedade civil organizada: Teresa Vendramini, a Teka, presidente da centenária Sociedade Rural Brasileira (SRB). Tem que ser união de governo com sociedade civil, juntos. Objetivo: um planejamento estratégico e plano de negócios de todo o agro brasileiro.

Conversei com a Teka demoradamente neste final de semana e ouvi dela seu aprendizado como mulher e presidente da SRB. Teka curiosamente é socióloga de formação. Diferente. Temos pouquíssimas mulheres na presidência de organizações fortes no país. A Teka é uma positiva exceção. Pecuarista de sucesso no interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul, me disse que sua gestão tem três plataformas integradas: Educação com extensão rural, mão na massa, ensinar a fazer, trabalho. A outra é Sanidade, defesa sanitária, certíssima, pois agronegócio virou sinônimo de saúde e a terceira plataforma é Ambiental, o que também acerta, pois não vai ter negócio fora de meio ambiente.

Teka me disse: “o incômodo me movimenta, me faz superar, trabalho muito, estudo o que não sei, aprender é minha essência e conciliar os diferentes, diminuir brigas, conquistar amizades. Mas quando fico incomodada ‘parto para cima’, quero do meu lado os melhores, a juventude, e também os sábios seniores. Precisamos fazer a coisa certa. Amo trabalhar e aperfeiçoar tudo onde estou. Assim é na minha fazenda. Na liderança, precisamos ajudar pessoas e ajudar o Brasil”.

Estamos numa crise perfeita agora, novo coronavírus, uma enfermidade que vai transformar o mundo. Com a doença vem a recessão, gravíssimos problemas econômicos. E infelizmente no Brasil entramos profundamente numa grave crise de liderança. A ministra Tereza Cristina, a “Tereza ministra” é lúcida, sensata e pragmática. A outra Teresa da sociedade civil organizada, “Teka da SRB”, da mesma forma, tem visão ampliada de mundo e é líder conciliadora. Precisamos de união das lideranças do agronacional.

Convivo 4 anos no CNMA – Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (Transamérica Expocenter e Abag), milhares de mulheres nos ensinam serem elas, sem dúvida, as “aceleradoras da inovação”. Vitais na nova ordem da liderança do pós coronavírus. Portanto, qual o desafio de todos os desafios para enfrentar a doença e a recessão econômica? Liderança, integrar o sonho com a esperança e a realização.

Os homens líderes parecem estar tomados por disputas abissais de egos e não se reúnem para uma voz única. Sem dúvida, precisamos das mulheres. Sensitivas, sensíveis, empáticas e com a competência feminina de reunir, conciliar e de transformar “dores em amores”.Duas Teresas para unir a liderança do agronacional: a ministra e a presidente da SRB, governo e sociedade civil organizada, por favor, transformem tudo numa só voz, num só agro, num só Brasil. Do lado das entidades e associações do agro um descomunal trabalho, cerca de 300 organizações diferentes, mas sem união vira só distração e dispersão.

Os brasileiros, mulheres e homens, agradecem! Liderança, eis a questão de todas as questões. Senhoras “Teresas” do agro, vamos superar. O Brasil merece. Duas terezas para unir a liderança do agronacional, de todas as suas cadeias produtivas.

teka vendramini
Foto: Divulgação

Sobre Teka Vendramini

Teresa Vendramini, pecuarista e socióloga paulista, assumiu o comando da Sociedade Rural Brasileira (SRB) em 2020 como sucessora de Marcelo Vieira. Eleita pelo Conselho Superior da entidade, Teresa ficará à frente da entidade em mandato de três anos, até o início de 2022.

Adaptado do artigo original de José Luiz Tejon para Jovem Pan

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