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Muitos pecuaristas nos enviam mensagens e e-mails pedindo referências de criadores de touros da raça Angus, para que assim possam adquirir animais para cobrir à campo suas vacas.

Os cruzamentos estão em alta no Brasil, muitas raças estão sendo usadas para cruzar com 80% do rebanho total brasileiro que é Nelore. A maioria dos cruzamentos são com raças de sangue taurino em busca da tão afamada heterose, genética de raças como: Angus, Brangus, Braford, Simental, Canchim, Hereford entre outras estão sendo usadas em larga escala de norte a sul do país.

O que é Heterose

O acasalamento entre animais de raças ou linhagens diferentes é chamado de cruzamento. A heterose, também chamada de vigor híbrido, é o fenômeno pelo qual os filhos provenientes de cruzamentos apresentam melhor desempenho (mais vigor ou maior produção) do que a média de seus pais.

O título da matéria é uma provocação, sabemos da importância da raça Angus para a pecuária nacional, até fizemos um artigo entitulado de 10 razões para você usar a raça Angus, a raça responde por mais da metade do sêmen de bovinos de corte vendido do país (51%). Recentemente um produtor nos procurou para comprar touros Angus, sua fazenda está localizada no Mato Grosso do Sul, questionado do porque de querer touros ele nos disse a seguinte frase:

“Eu fiz um alto investimento em IATF e tive menos de 20% de prenhez em minha vacada, então desacreditei”

Importância do IATF para a Pecuária nacional

Esses problemas podem sim ocorrer, mas o problema nunca será da IATF, é preciso avaliar os fatores e variáveis de cada propriedade. O produtor brasileiro venceu a resistência ao uso da técnica e os resultados de campo vêm tornando-se cada vez mais consistentes. Os trabalhos do Grupo GERAR (Zoetis) mostram resultados médios de prenhez (na primeira IATF) de 48% em 2007, subindo para 52% em 2016. Deve-se observar que no último ano, os dados são a media de mais de 800 mil matrizes inseminadas.

O cruzamento é uma das poucas tecnologias em pecuária com “custo zero” e com impactos elevados em produtividade. O uso dele depende somente da decisão do produtor e da definição de um sistema simples e bem conduzido. O peso ao desmame pode ser elevado em 10 a 12 % num produto F1 (Europeu x Zebuíno) através da heterose do produto.

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Angus cobre a campo em monta natural?

Nosso país tem tamanho continental, é preciso dizer que os animais da raça Angus fazem monta natural com tranquilidade em regiões como o sul do país, que tem temperaturas moderadas. Em outras regiões com altas temperatura e umidade esses animais podem apresentar baixa produtividade e eficiência. Pesquisas recentes tem feito cruzamento do Angus com várias outras raças com o objetivo de ver como cada um desses cruzamentos trabalha nas condições de pasto e clima do centro-oeste.

Brangus: Alternativa para monta natural

É uma raça sintética oriunda do cruzamento entre Angus (62,5%) e Zebu (37,5%), podendo esta ter pelagem preta ou vermelha. São animais rústicos e com grande capacidade de produzir animais com alto ganho de peso e com uma carne de alta qualidade, os touros são animais que se reproduzem muito bem a campo em todo o território nacional suportando altas temperaturas, umidade e frio sem deixar de serem altamente produtivos e eficientes.

Outra raça que vem apresentando bons resultados no centro-oeste é a Braford, resultado do cruzamento do britânico Hereford com zebuínos, especialmente o Nelore, com um crescimento significativo nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil.

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Conclusão

O uso de IATF, touros melhoradores e programas de cruzamento bem conduzidos é a combinação técnica perfeita para grandes ganhos em produtividade. São técnicas conhecidas dos produtores, comprovadas pela pesquisa e com custos mais acessíveis nos últimos anos.

Com o uso de novas tecnologias o campo está mudando, é só deixar de lado a teimosia e o amadorismo e  adaptar-se a este novo mundo.

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