Grupo criado pela Secretaria de Agricultura terá a missão de consolidar perdas no campo e subsidiar medidas de apoio após episódios de chuva intensa no estado
O Governo de São Paulo criou um grupo emergencial para identificar e dimensionar os prejuízos de produtores atingidos por chuvas e outros eventos climáticos adversos. A medida consta na Resolução SAA nº 65, publicada em 16 de setembro, e prevê a elaboração de relatórios técnicos sobre os danos registrados nas áreas rurais.
A iniciativa surge após episódios de chuva intensa que atingiram principalmente municípios do Vale do Ribeira. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), apenas nos primeiros 14 dias de setembro foram registrados 331,2 mm de chuva em Iguape, 248,2 mm em Barra do Turvo e 242,6 mm em Registro, com quebra de recordes históricos em alguns pontos do estado.
Grupo vai mapear perdas nas propriedades rurais
A resolução considera inicialmente os municípios de Barra do Turvo, Iporanga, Eldorado, Ribeira e Registro, que tiveram situação de emergência reconhecida pelo Estado.
O grupo, entretanto, poderá atuar também em outros municípios paulistas que decretem emergência ou calamidade pública em razão de eventos climáticos e tenham a situação homologada pelo governo estadual.
Entre as atribuições estão reunir dados das vistorias realizadas nas propriedades, classificar os prejuízos por região e atividade produtiva e elaborar um diagnóstico sobre os impactos no setor agropecuário.
Para cada município afetado, a previsão é de que seja produzido um relatório consolidado em até 30 dias, prazo que poderá ser prorrogado mediante justificativa.
Levantamento poderá orientar medidas de apoio
A criação do grupo não estabelece pagamento automático de indenizações nem libera imediatamente novas linhas de financiamento.
A Resolução SAA nº 65 prevê que as informações levantadas poderão servir de base para a formulação de medidas tributárias, assistência técnica e articulações para acesso a crédito emergencial, conforme a dimensão dos danos identificados.
Os relatórios também poderão contribuir para processos de reconhecimento de emergência em outras esferas do poder público.
O grupo terá vigência inicial de 60 dias, prorrogável pelo mesmo período.
Vale do Ribeira concentra produção de banana em São Paulo
A área atingida tem peso relevante na agricultura paulista. Dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e da CATI indicaram, no levantamento de junho da safra 2025/26, produção estimada de 939,6 mil toneladas de banana em São Paulo.
A regional de Registro concentrava 78,6% da produção estadual, o que reforça a preocupação com eventuais efeitos das chuvas sobre propriedades, estradas rurais, colheitas e transporte da produção.
Além da banana, o Vale do Ribeira possui áreas dedicadas à pupunha e outras atividades conduzidas, em grande parte, por pequenos e médios produtores e agricultores familiares.
Valor dos prejuízos ainda não foi calculado
Apesar dos registros de alagamentos e danos em áreas rurais, ainda não existe um balanço oficial consolidado sobre o valor das perdas agrícolas provocadas pelos eventos recentes.
Esse será justamente um dos objetivos do novo grupo: transformar as informações recolhidas em campo em um diagnóstico capaz de indicar quais atividades foram mais afetadas e qual é a extensão dos prejuízos.
A análise poderá considerar não apenas perdas em lavouras, mas também danos a instalações, equipamentos, acessos rurais e estruturas necessárias ao escoamento da produção.
Com os levantamentos municipais, o Estado deverá ter uma visão mais clara da dimensão dos impactos e das medidas que poderão ser direcionadas aos produtores afetados.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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