União Europeia pode se fechar à soja brasileira

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bico da colheitadeira despejando soja no caminhao
Foto: Fazendas Milanesi Buriti

Europa vai se fechar para produto que causa desmatamento, diz presidente da Comissão de Meio Ambiente do Parlamento Europeu; parlamentar é aliado de Macron

Um dos principais aliados do presidente da França, Emmanuel Macron, para a área ambiental, o eurodeputado Pascal Canfin, 46, diz que o mercado do continente para produtos brasileiros que contribuam para o desmatamento será progressivamente fechado. “O Brasil não pode aparecer na cena internacional como o país que não quer cooperar. Seria um péssimo cálculo econômico”, afirma Canfin, em entrevista à Folha.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse recentemente que comprar soja brasileira é endossar o desmatamento. Em um contra-ataque, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o presidente da França, Emmanuel Macron, fala “besteira” nas críticas que fez sobre o desmatamento no Brasil em razão do plantio de soja e, em tom de ironia, ofereceu mudas de árvores brasileiras para reflorestar o país europeu.

Membro do Republique En Marche (República Em Marcha), partido de Macron, ele é presidente a Comissão de Meio Ambiente, Saúde Pública e Segurança Alimentar do Parlamento Europeu.

Nessa condição, é um dos principais responsáveis pela elaboração de um projeto de lei que poderá fechar o mercado do bloco econômico a produtos brasileiros incapazes de provar que não têm ligação com o desflorestamento. O mais importante nessa lista é a soja.

Essa também é a posição da União Europeia?

Essa é cada vez mais a postura da União Europeia. Nós estamos preparando para a Primavera de 2021 [do Hemisfério Norte, que ocorre entre março e junho] um texto para fechar o mercado europeu para as matérias primas –café, cacau, óleo de palma– incapazes de provar que não contribuem para o desmatamento.

No último dia 12 de janeiro, Macron associou a soja brasileira ao desmatamento na Amazônia. Ele escreveu em uma rede social que continuar a depender da importação da oleaginosa brasileira seria endossar a destruição da floresta, e propôs que o continente europeu tenha cultivo próprio do produto.

Embora apenas 4% da soja brasileira tenha origem na Amazônia, a associação entre a produção e o desmatamento tem grande apelo junto ao público europeu. O Brasil exporta anualmente 14 milhões de toneladas do produto para o bloco de 27 países por ano.

Na entrevista, Canfin confirma a intenção de cultivar soja no continente, e diz que o aumento da produção de proteína vegetal será discutido na próxima versão da política agrícola comum do bloco. Ele também nega que haja uma motivação protecionista da União Europeia no plano de restringir a soja brasileira.

“A ideia não é parar de importar a soja brasileira, mas somente a soja brasileira que não é capaz de demonstrar que não contribui para o desmatamento. Não somos contra a soja brasileira em si, mas contra um modo de produção que não queremos mais respaldar”, afirmou.

O deputado deixou claro ser inviável a aprovação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul caso não haja mudanças na política ambiental brasileira.

Pesquisadores da Embrapa já mostraram que soja brasileira tem tecnologia para aumento de produção sem pressão por áreas de florestas.

O desenvolvimento de tecnologias próprias permite ao Brasil, líder mundial na produção de soja, produzir o grão com sustentabilidade e sem pressionar as áreas de florestas, mesmo considerando os cenários de aumento de demanda do grão nos próximos anos. A análise apresentada em 2019 por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) continua válida e responde parte dos questionamentos internacionais sobre o sistema produtivo brasileiro.

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